Grupo que boicota Campus Party prepara evento concorrente

Leonardo Pereira, em Olhar Digital

Começou nesta quinta-feira, 18, a venda de ingressos para a sexta edição da Campus Party Brasil, que será realizada entre 28 de janeiro e 3 de fevereiro de 2013, em São Paulo. O valor cobrado por essas entradas gerou instatisfação do público e, enquanto uns derrubaram o site da organização como forma de protesto, outra parte resolveu agir de forma diferente: criando um evento paralelo.

“Estamos nos organizando, captando patrocínios, parcerias e apoios para a realização de um evento que seja aquilo que esperávamos que a Campus Party fosse: acessível, com conteúdo relevante, segurança, o mínimo de conforto e uma temática geek bacana”, informou um dos organizadores ao Olhar Digital.

O evento se chamará The Geek Week e deve acontecer em julho de 2013. Haverá quatro zonas temáticas; uma zona de intercâmbio de informações, contatos e negócios; uma área de exposições; e uma área principal onde serão apresentadas as atrações de maior porte. “Também estamos planejando e viabilizando uma área de diversão e relaxamento que terá tudo a ver com o mundo nerd.”

O grupo envolvido na iniciativa é o mesmo que encabeça os movimentos de boicote à Campus Party, tendo reunido mais de 2 mil pessoas no Facebook e pouco mais de 170 no Twitter. Eles disseram à reportagem que são contra os ataques que derrubaram o site do evento, mas decidiram se mexer por serem “ex-campuseiros cansados de promessas não realizadas”.

“O valor cobrado vem subindo consecutivamente desde o início da Campus, no entanto os problemas persistem. Não é a primeira vez que o custo é justificado por melhorias que nunca saem do discurso”, criticou o organizador, em referência à declaração dada ontem por Mario Teza, diretor da Futura Networks – que organiza a Campus no Brasil. Segundo Teza, um dos motivos para os aumentos é a inflação no setor de eventos: “Tivemos situações de reajustes de preços quase inexplicáveis, em alguns casos, na ordem de 300%”, comentou (veja aqui).

Quem comprar entre hoje e o dia 31 de outubro paga R$ 300 pelo ingresso; entre 1 de novembro e 31 de dezembro o preço vai para R$ 400; depois sobe para R$ 500. Mas até o fim deste mês é possível se inscrever no programa Bolsa Campus, que garante descontos de 50% ou 100%.

Paco Ragagele, fundador mundial da Campus Party, declarou na semana passada que os valores tiveram de ser reajustados para que o evento seja melhorado, isso levando em conta que as entradas custeiam apenas 10% do total de gastos. Os protestantes, porém, não acreditam em melhorias. “Sabemos que um evento deste porte tem custos elevados, mas consideramos o aumento abusivo e injustificável”, reclamam. “Nós não aceitamos pagar mais que R$ 200,00 pela estrutura oferecida hoje.”

Segundo o organizador do evento paralelo, o problema não é especificamente o preço, mas a qualidade do serviço. “Se a Campus tivesse um histórico de qualidade e estrutura interessante sem dúvidas haveria uma quantidade bem menor de pessoas insatisfeitas”, opina. Além disso, a Campus atrai muitos jovens, universitários e recém-formados; para ele, não se pode “abandonar” este público, surpreendo-os com um preço que considera incompatível com seus bolsos.

A reportagem vem tentando falar com a Campus Party há duas semanas, mas a organização não respondeu aos pedidos de entrevista.

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