Uma igreja criativa ou evangelização criativa?

Marcos Botelho, em Juve Metodista

Você já percebeu que em nome da “evangelização”, pode quase tudo? Comecei a reparar isso faz um bom tempo.

Na maioria das igrejas, ainda, a dança não é bem vinda; não a vemos nos cultos nem nos ambientes eclesiásticos, como festas e confraternização dos crentes. Mas é só marcar um evangelismo em alguma escola, que montam, ou pior, convidam, uma equipe de dança para fazer uma apresentação e chamar a turma, para verem que não somos diferentes dos outros, a não ser na mensagem.

Fazemos isso também com o teatro: vemos de forma rara teatro na igreja, tirando, é claro, a sala de criança (ai, que inveja delas!); mas é só marcar um evangelismo em uma praça, que ensaiamos uma peça, usamos roupas e até maquiagem para mostrar que a criatividade e a arte podem apontar para Cristo.

E, assim, várias outras formas de arte e costumes são “justificadas” com a evangelização: Os palhaços com muito humor, música “secular” para falar de um assunto, filmes, contadores de histórias, poemas, sk8, pintura, um grupo tocando tambores; já ouvi até tatuagens sendo justificadas porque uma pessoa viu a cruz e perguntou o que era e o tatuado pode testemunhar de Cristo.

Se a sua igreja não deixa você fazer algo, tente justificar que é pra evangelismo que você vai ver que dá certo… quase sempre relevam.

Parece que algumas regras, métodos e formas criadas para a igreja não se aplicam à evangelização, assim, cria-se uma “brecha” para poder ter ministérios paralelos à igreja, mesmo sendo, no fundo, da igreja.

Este tipo de regras é incoerente, mas quero dar outro foco agora e não nas regras. Preciso fazer duas ressalvas: 1- Eu, discordando da maioria dessas regras de uso e costume, acredito que são opiniões de pessoas que estão na liderança. 2-Acredito que se a pessoa decidiu congregar em uma igreja, ela tem que respeitar a liderança local e suas regras.

Quero falar sobre esse Evangelismo Criativo.

Por muito tempo estudei e corri atrás de um evangelismo criativo, pois queríamos atrair o maior número possívl de pessoas para ouvir o que tínhamos para falar e mostrar que podíamos ser descolados também.

Foi quando percebi que corremos o risco de estar fazendo uma “propaganda enganosa” para os que não conhecem a igreja, pois cara que fosse atraído com aquela apresentação e mensagem, quando chegasse na igreja pensaria: “essa igreja não é a mesma que eu vi lá na minha conversão”.

Mesmo o Cristo sendo o mesmo, aprendemos a ter uma forma para evangelizar e outra como vida em igreja.

Não acredito mais em Evangelismo Criativo; acho que pode ser um tiro no pé. Acredito em igreja criativa, que vive as multifaces de Deus em sua vida diária e em seus cultos.

Um lugar em que todos possam demostrar seus dons, um lugar onde a gente é surpreendido a cada momento com o que Deus está fazendo, um lugar com liberdade para a arte aparecer e apontar para o verdadeiro artista: o Criador.

Dessa forma, não vamos mais precisar de um evangelismo diferente do que vivemos, pois é só mostrarmos quem nós somos diariamente: Filhos à imagem e semelhança do verdadeiro Artista, do Criador.

Publicado originalmente no Facebook.

 

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