Timidez não inviabiliza construção de relacionamento amoroso

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Mariana Hernandez, no Vya Estelar

“Afinal, quando nos definimos apenas dessa maneira tão pobre: “Eu sou tímido e pronto”, reiteramos o preconceito e a desvalorização do diferente. Ser diferente não implica em inferioridade. Todo mundo tem o seu charme, todo mundo pode amar”

Muitas vezes, na busca pelo amor ou na construção de uma relação amorosa, nos deparamos com dificuldades internas que nos fazem rever nossos comportamentos e superar nossas dificuldades.
São nessas circunstâncias que uma pessoa tímida pode se sentir frustrada ou incapaz de se aproximar de um ‘futuro pretendente’ ou de seu próprio companheiro (a).

Para entendermos melhor essa dinâmica de relação com o mundo, apresentaremos alguns conceitos que podem colaborar na compreensão do comportamento de uma pessoa tímida e ajudar esse indivíduo a encarar sua timidez, não mais como uma impossibilidade de relacionar-se, mas como uma maneira criativa de construir uma nova dinâmica de relação amorosa.

Jung propôs que cada ser humano possui e desenvolve uma dinâmica predominante. É necessário salientar que o indivíduo possui inúmeras características, mas não raro, uma delas irá se sobrepor a outras, tornando alguns traços mais claros e acentuados do que outros. Jung elaborou uma teoria de tipos psicológicos baseado no predomínio dessas dinâmicas, que ele denominou de funções psiquicas. Essa tipologia tem como base duas atitudes e quatro funções da consciência (pensamento, intuição, sensação e sentimento) através das quais a pessoa se relacionará com o mundo e com o outro. Vamos apresentar as atitudes, que são a introversão e a extroversão.

O tipo introvertido é mais voltado para si mesmo do que para as coisas externas e o extrovertido é mais voltado para o mundo externo do que para si mesmo. Se a atitude consciente é a de extroversão, a inconsciente será a de introversão e vice-versa. O individuo introvertido pode ser percebido como tímido, o que nem sempre é verdade.

A pessoa tímida pode creditar sua timidez à dificuldade ou impossibilidade de se relacionar com um parceiro(a). Mas, realmente, de qual dificuldade estamos tratando? Obviamente o introvertido ficará mais “na dele”, consigo mesmo, e precisará muito mais da ação do outro para que um contato se dê.

O fundamental é que o tímido compreenda que a sua timidez não inviabiliza a construção de uma relação amorosa. Timidez não é doença, mesmo que a sociedade valorize os extrovertidos, aqueles que falam, cantam e se colocam de maneira mais enfática. Cabe a nós o desejo de realizar o encontro amoroso, de irmos em busca daquilo que parece uma das dimensões mais importantes da nossa vida. Você pode ser tímido ou não e com certeza isso não deverá ser a única característica sua que tem valor.

Afinal, quando nos definimos apenas dessa maneira tão pobre: “Eu sou tímido e pronto”, reiteramos o preconceito e a desvalorização do diferente. Ser diferente não implica em inferioridade. Todo mundo tem o seu charme, todo mundo pode amar.

Quando se trata de um grau muito extremo de timidez, quando sair de casa e enfrentar pessoas seja tão sofrido que prejudique o cotidiano, podemos suspeitar de um quadro de fobia social. Nesses casos, um tratamento psicológico deve ser procurado.

Muitas vezes, por trás da timidez, esconde-se um perfeccionista que teme expor-se para que suas eventuais falhas não apareçam. Os opostos se tocam: o tímido pode ser alguém esperando aplausos, que não suporta cometer deslizes para não ferir uma autoimagem idealizada. Rir de si mesmo ajuda a não se levar tão a sério e abre caminho para perceber que os outros não são tão críticos quanto sua plateia interna.

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