Somos mesmo o problema?

Vitor Lillo, em Wunderleben

Comecei a me fazer essa pergunta depois de uma conversa com uma amiga querida. Eu disse que éramos a “Geração Com Problemas em Proporção Y”. É fato que somos complicados de entender: Ansiedade é a primeira palavra do dicionário enquanto que Resignação nem chega perto de entrar.

Há como ser diferente nesse mundo globalizado, interconectado, coisa e tal, onde tudo é instável e muda clicar de um mouse? Fomos gerados, criados e educados pelos mesmos adultos que se dizem “mais perdidos que nós” nestes tempos que correm e juram que estamos melhor preparados que eles!

Os resultados estão aí: nunca fomos tão felizes, tivemos tantos empregos e fomos tão bem remunerados e incentivados. O que nos permite encarar tranqüilamente o custo de vida do nosso país varonil. Quem tem ate 25 anos certamente entendeu o que quero dizer nesse parágrafo.

Penso que só mesmo um jovem pode dizer com propriedade que vivemos uma crise moral que vai muito além da econômica. Os “elders”, iludidos por todas as promessas de um futuro maravilhoso, não só se recusam a “largar o osso” como buscam formas de ganhar mais e mais.

Afinal, não foi Mark Zuckerberg que alimentou a bolha imobiliária nos EUA. não foram os estagiários do Citigroup que comandavam as “apostas” feitas com títulos de hipoteca; e Bernard Madoff está longe de ter entre 18-24 anos, mais ainda de ser um habitué dos cybercafés do Vale do Silício.

Não entendo esse aborrecimento conosco. Antes se “fazia a revolução” com barricadas e guerrilhas, agora basta ter uma página no Facebook – não é,Isadora? E o mais nefasto: Antes se brigava para ter voz, agora brigamos para ter ao menos o direito a um emprego decente (última ironia, ok?).

Hey! Teachers! Leave them kids alone! Só queremos ter a “felicidade” e “realização” que prometeram a vocês quando jovens! E, just relax, não podemos roubar o lugar de vocês num mundo que não oferece espaço para nós. Eu tinha dito que o link do “emprego decente” era a última ironia. Pois é.

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