Amor a vácuo

Publicado originalmente em Lizt

Não seria ótimo se pudéssemos embalar o amor a vácuo? Conservar as propriedades do primeiro encontro eternamente, ou pelo menos fazer com aquela sensação durasse dez vezes mais do que duraria se estivesse exposta ao ar rarefeito do mundo lá fora? Na série Flesh Love, de Photographer Hal, os casais são eternos.

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© Photographer Hal, “Flesh Love”.

O fotógrafo japonês literalmente embala casais a vácuo nas suas fotografias. Utilizando-se desse tipo de sistema de conservação, ele criou uma série repleta de simbolismo. Os casais são escolhidos nos bairros mais agitados de Tóquio e convidados a experimentar respirar o mesmo ar.

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© Photographer Hal, “Flesh Love”.

Partilhar tal espaço é quase como tornar-se um só, sonho de muitos casais por ai. Em produtos embalados a vácuo não há influências externas, fungos e bactérias que poderiam deteriorar a mercadoria não sobrevivem à falta de oxigênio, ou seja, tudo estaria a salvo para sempre, é o “Happy End” tão amplamente divulgado pela nossa cultura ao “amor romântico”.

O “amor romântico” nos fez acreditar que a finalidade da vida é encontrar o amor. Nós somos bombardeados por todos os lados com essas ideias: na música, no cinema, na literatura, na TV, enfim, nos fizeram acreditar que a busca pelo amor é que eleva um ser humano comum a alguém realizado.

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© Photographer Hal, “Flesh Love”.

Não é que eu não acredite nisso. O que acontece é que todo esse bombardeio de romantismo criou um estereótipo do amor. Nós somos levados constantemente a acreditar que o amor é uma paixão duradoura, e esse é o nosso maior erro. Acreditamos que aquela sensação de encontrar a felicidade revelada em outra pessoa precisa ser continuamente alimentada, e quando ela acaba (por que sim, ela acaba), nós não conseguimos perceber que o que sobra pode ser o amor.

Nós ocidentais temos dificuldade em entender que o amor é um processo. Que ele não nasce da noite para o dia como quer o cinema americano. Na nossa cultura, o romance é a base para que um relacionamento amoroso “termine” em casamento e para que isso aconteça ainda temos em mente uma ideia criada pelos trovadores de que o ser amado deve ser a imagem da perfeição.

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© Photographer Hal, “Flesh Love”.

O que eu vejo nesta série fotográfica são casais partilhando um pedacinho de eternidade.

Como dizia o poetinha:
“Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.”

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© Photographer Hal, “Flesh Love”.

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© Photographer Hal, “Flesh Love”.

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© Photographer Hal, “Flesh Love”.

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© Photographer Hal, “Flesh Love”.

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© Photographer Hal, “Flesh Love”.

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© Photographer Hal, “Flesh Love”.

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© Photographer Hal, “Flesh Love”.

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© Photographer Hal, “Flesh Love”.

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© Photographer Hal, “Flesh Love”.

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© Photographer Hal, “Flesh Love”.

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© Photographer Hal, “Flesh Love”.

 

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