Como pode o peixe vivo, viver fora da água fria?

Luiz Pimentel, em Juve Metodista

Esta simples e conhecida pergunta, faz parte de uma canção de roda chamada Peixe Vivo. Esta canção que tem forte relação com a história de Juscelino Kubischek, ex presidente do Brasil. Mas não é sobre isso que eu quero falar. Não tem nada a ver com as cantigas de roda, ou presidentes, ou história política. Tem a ver com cristianismo, com arte.

Creio que já falei sobre isso em outra ocasião, em um dos posts da minha série “Ah, é pra Deus!“. Mas, paciência, espero que eu não “chova no molhado” com este texto. Mas então, vamos lá, estão sentados? Lá vem história…

Outro dia, vi um brother comentando no Facebook sobre um cantor gospel, de muito sucesso na atualidade, dizendo que ele provavelmente já tem mais fãs que um ministério que ditou a moda da música evangélica na última década. Eu curti a publicação, e ai começaram as pessoas a falar contra a arte, que temos que dizer não a arte, e sim a adoração, que fazer arte pela arte não agrada a Deus, que se o que fizermos tiver um fim em si mesmo, ou seja, não tiver um propósito não e válido, etc.

Como era gente que eu nem conhecia, a única coisa que fiz foi dar uma “trolladinha” de leve, nem quis entrar no mérito da discussão que eles estavam propondo, afinal, tenho um pensamento muito diferente em relação a isso e trocar meia dúzia de palavras com um desconhecido via Facebook, não vai fazer ele aderir a minha opinião. Mas ai, um dos rapazes se ofendeu com a brincadeira e mandou eu argumentar com ele ao invés de só chegar lá e escrever o que tinha escrito. Que nem foi nada de mais, eu só escrevi: “só tá piorando…”.

Li novamente o comentário dele, pensei por uns instantes, e pedi que ele respondesse a seguinte pergunta:

Como pode o peixe vivo, viver fora da água fria?

Até o momento em que estou escrevendo este texto, a pergunta não foi respondida, acho que ele nem entendeu o que eu quis dizer com isso, mas enfim, agora que vocês estão entendendo de onde veio a inspiração pra este texto, vamos ao que interessa.

Trazendo a pergunta acima, para um contexto cristão, de arte cristã, ou qualquer outra coisa que você possa escrever “cristã” do lado; podemos considerar que o “peixe vivo” somos nós, os cristãos. E Jesus/Evangelho a “água fria”.

Se o peixe não pode viver fora da água, ela é quem torna a vida dele possível, logo, TUDO que o peixe fizer, fora da água, o torna um peixe morto, porque ele não pode viver sem a água. Se nós dependemos da água pra tudo, como algo que nós fazemos pode não conter a água?

Outro dia, seria aniversário de 70 anos do Tim Maia, um dos grandes caras da música brasileira, e eu ouvi uma playlist com sucessos dele, que estava rolando numa rádio americana. Em diversas e diversas oportunidades, ele falava, em suas músicas, sobre a Teoria do Universo em Desencanto. Sendo algumas canções totalmente dedicadas ao tema. Vários músicos e compositores de música afro-brasileira, usam termos ligados às suas crenças em muitas canções. E seriam tantos outros exemplos, que vocês nem teriam paciência de continuar lendo o post.

Mas o que quero dizer com tudo isso? Quero mais uma vez, defender a arte. Sim, amigos, se o artista cristão, depende de Cristo e seu Evangelho pra ser cristão, como, mesmo que não use o nome de Deus em suas canções, pinturas, poemas, etc; conseguirá não passar valores eternos com aquilo que produz?

Se a “água fria” é o meio pelo qual, nós vivemos e nos movemos, pra que ficar com esse mimimi pro lado da arte? É um impossível um cristão verdadeiro desenvolver algo que não tenha valores de Cristo, mesmo quando o que está sendo desenvolvido não seja uma peça dedicada ao louvor ou adoração. E se algo tem valores de alguma outra coisa, não estará servindo a um propósito? Então, por favor, deixem a arte em paz! E deixem os artistas cristãos livres pra criar aquilo que através da vida que a Água da Vida dá, eles podem criar.

Pois nele vivemos, nos movemos e existimos…” [Atos 17:28]

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