Os 50 são os novos 30

Guiomar Nogueira (Foto: Rodrigo Schmidt/ÉPOCA)

Com mais saúde, beleza e dinheiro no bolso, menos responsabilidades e encanações, uma nova geração descobre que a melhor fase da vida chega aos 50 anos

Flávia Yuri Oshima, Margarida Telles, Natália Spinacé (texto) e Rodrigo Schmidt (foto), na Época

Idade é quase uma questão de opinião. Pode mudar de acordo com o ponto de vista. Na cabeça da gente é uma. Aos olhos dos filhos, outra. Na impressão dos amigos, uma terceira. Há apenas 30 anos, os 50 anunciavam o início da velhice. Não mais. Não só por uma questão de percepção íntima ou da sociedade. Mas pela própria fisiologia. Graças a avanços na saúde, nos costumes e no conforto material, a nova geração de 50 anos chega a essa fase com vitalidade, um gosto de novidade e a sensação de estar no auge da vida. Eles se sentem jovens como, há alguns anos, se sentia quem tinha 30. “Há três décadas, o estado de saúde geral dos meus pacientes de 50 era o mesmo das pessoas de 70 que atendo hoje”, diz o geriatra João Toniolo Neto, da Escola Paulista de Medicina. “Não é exagero dizer que a maioria dos pacientes de 50 anos tem saúde e disposição mental dos de 35 daquela época.”

As pessoas de 50 anos de hoje em nada lembram as da década de 1970. Muitas têm o corpo tão ou mais em forma que seus filhos adultos. Outras estão no pique para ter filhos (biológicos ou adotados), começar uma nova faculdade, um novo romance, uma nova empreitada ou qualquer outra aventura. É um fenômeno mundial. Só na livraria on-line Amazon, há mais de 100 livros escritos na última década sobre o tema: Os novos velhos, Os sem idade, Os imortais. A profusão de títulos é só um sintoma. A postura dessa nova idade tem impacto direto na economia, no mercado de trabalho, no consumo, nos relacionamentos, nas relações familiares – em toda a sociedade.

É como se, em questão de poucas décadas, a população ativa do país dobrasse. Foi o que aconteceu no Brasil. Em 50 anos, a expectativa de vida da população aumentou de 48 para 73 anos. Deverá chegar a 80 em 2050. Ao se distanciar da morte, os cinquentenários se distanciaram também da velhice. Eles têm disposição física, mental e financeira. O fato de não se verem como os mais velhos do grupo contribui para o sentimento de bem-estar com a própria idade. Uma pesquisa da seguradora MetLife, feita com mais de 2 mil americanos, estima que mais da metade dos nascidos entre 1955 e 1964 tem ambos os pais vivos. Apenas 11% já perderam os dois. Os cinquentões ainda são os filhos e, em muitos casos, cuidam dos mais velhos.

Fontes: Bruna Felix Bravo, coordenadora do departamento de cosmiatria da Sociedade Brasileira de Dermatologia (RJ); Karla Assed, dermatologista; Joel Block, psicólogo, autor do livro Sex over 50 (Sexo depois dos 50);  (Foto: Monica Yassuda, coordenadora de gerontologia da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (Each USP); Claudia Carraro, consultora da Carreira e Cia.)Fontes: Bruna Felix Bravo, coordenadora do departamento de cosmiatria da Sociedade Brasileira de Dermatologia (RJ); Karla Assed, dermatologista; Joel Block, psicólogo, autor do livro Sex over 50 (Sexo depois dos 50); Monica Yassuda, coordenadora de gerontologia da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (Each USP); Claudia Carraro, consultora da Carreira e Cia.

Graças a essa satisfação, o hábito de tentar disfarçar a idade parece estar ficando démodé – para usar uma expressão francesa que também saiu da moda. A maioria deles, mesmo os mais vaidosos, encara a idade de forma positiva. Não querem ter dez ou 20 anos a menos. Querem estar bem aos 50. De acordo com uma pesquisa do Ibope Mídia, feita com 3.500 brasileiros nessa faixa etária, mais de 60% estão muito satisfeitos com a vida que têm.

A longevidade depende de três fatores: uma genética favorável, um ambiente saudável e bons hábitos. O primeiro deles, nosso DNA, não mudou. Os dois outros evoluíram. A começar pelas condições criadas pelos avanços da medicina e pelo progresso econômico e social. Algumas conquistas vieram da saúde pública. Vacinas desde a infância, condições de moradia mais higiênicas, expansão do saneamento básico e até o hábito de fazer exames pré-natais contribuíram para isso. Mesmo quem chega aos 50 anos com doenças crônicas pode ter uma vida saudável e funcional. “O controle e o tratamento de enfermidades como câncer e problemas cardíacos ajudaram muito a elevar a idade média do brasileiro e a aprimorar sua qualidade de vida”, diz Nezilour Lobato Rodrigues, presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia.

Walmir Paulino (Foto: Rodrigo Schmidt/ÉPOCA)

Décadas de avanço econômico recente no Brasil e no mundo – apesar da crise atual – levaram bilhões de pessoas da pobreza aos confortos modernos. Além de comprar bens materiais, elas estão investindo em saúde e bem-estar. Algumas pesquisas mostram a relação entre o conforto financeiro e a longevidade. Um dos maiores levantamentos com essa faixa etária no mundo, o Estudo Longitudinal sobre Idade (Elsa, na sigla em inglês), do University College of London, mostra que a incidência de depressão no grupo com menos recursos financeiros chega a 27%. Entre os mais ricos, o índice fica em 8%. O estudo acompanhou 9 mil pessoas por dez anos e comprovou a relação entre bem-estar e longevidade. Entre os que se diziam infelizes, a mortalidade foi o triplo da registrada no grupo que se declarava mais satisfeito com a vida.

Dinheiro ajuda, mas o rejuvenescimento dos cinquentões não depende de nível social. É uma mudança notável mesmo entre os mais pobres. “A informação está disponível para todos. É uma questão de escolha, não de classe”, diz Toniolo. Quem opta por uma vida saudável envelhece melhor. Não se trata de acompanhar níveis de triglicérides ou colesterol. “Viver bem tem a ver com cuidar da saúde do corpo, da mente e das relações.” A seguir, ÉPOCA mostra como a geração de novos cinquentões encara saúde, sexo, família, trabalho, dinheiro, cultura e consumo.

SAÚDE
Quem é mais novo, Pelé ou Maradona? Os dois nasceram no fim de outubro, com 20 anos de diferença. Pelé nasceu em 1940. Maradona, em 1960. Pelé é, portanto, bem mais velho que Maradona. Do ponto de vista da saúde funcional, porém, não. “Pelé tem o organismo de alguém de 50 anos”, diz Toniolo. “Maradona, de alguém com mais de 70 anos, debilitado.” Toniolo apresenta o caso dos dois ex-jogadores para seus alunos para mostrar como o estilo de vida altera a idade das pessoas.

A fórmula já conhecida, com alimentação saudável e exercícios físicos, continua a mais recomendada. O nível de atividade é mais importante que a idade na hora de determinar a boa forma física. Uma pesquisa da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia, com 4 mil homens e mulheres, descobriu que alguém de 50 anos que se exercita regularmente pode estar mais em forma que um jovem de 20 anos sedentário.

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Até aí, nenhuma surpresa. A melhor notícia vem agora: é possível recuperar o tempo perdido. O empresário Walmir Paulino, de 53 anos, resolveu dar prioridade à saúde quando se aproximou dos 50. Passou a se impor limites no trabalho. Ele entra no escritório todo dia às 6h30. Às 15 horas, segue para os treinos. Durante uma hora e meia, pratica jiu-jítsu e malha com um personal trainer. Todo dia. “Hoje, meu corpo está melhor do que quando era mais jovem”, diz. Alguns encaram novos prazeres. Guiomar Nogueira, uma empresária de 56 anos, aprendeu a esquiar aos 50. “Desde então, vou todo ano com meu namorado, Roberto (de 63 anos). Neste ano, já fomos duas vezes”, diz ela. “Nunca imaginei que faria isso em minha vida. De repente, viajo regularmente e esquio forte. Não vou para passear.”

Cuidar da cabeça é tão importante quanto cuidar do corpo. A pesquisa inglesa Elsa comprova a relação do baixo sentimento de bem-estar com diversos aspectos da saúde. Os pesquisadores criaram dois grupos, segundo a percepção de bem-estar que seus integrantes, com mais de 50 anos, tinham de sua própria vida. Os que relatavam menor satisfação com a vida sofreram 70% mais acidentes vasculares do que os que contavam maior prazer em viver. A obesidade em quem tem menor satisfação com a vida é de 27% entre os ingleses. Entre aqueles com maior satisfação, é de17%.

Cybele Sisternas Di Pietro (Foto: Rodrigo Schmidt/ÉPOCA)

 

SEXO
A menopausa é um fenômeno recente. Há 100 anos, a maioria das mulheres morria antes dela. Durante a menopausa, a produção dos hormônios estrógeno e testosterona despenca. Isso prejudica a libido e a lubrificação da vagina, além da saúde dos músculos e ossos. A redução dos hormônios nos homens é mais suave, mas também ocorre. A diminuição do hormônio masculino (testosterona) gera o mesmo tipo de efeito, em menor intensidade. Doenças como hipertensão, diabetes e depressão, mais comuns a partir dos 40 anos, podem causar problemas de ereção.

O acesso à informação e os avanços da medicina podem atenuar a maioria dos sintomas causados pela idade. “Hoje, as pessoas sabem que precisam se cuidar, fazem exames periódicos e a reposição hormonal quando é o caso”, diz Carmita Abdo, coordenadora do programa de estudos de sexualidade da Universidade de São Paulo (USP). “Com esses cuidados, é possível ter uma vida sexual com mais qualidade do que quando mais jovem.”

Muitas vezes, a mudança no apetite ou no desempenho sexual tem origens psíquicas. Uma pesquisa do psiquiatra e urologista Michael Perelman, da Escola de Medicina de Weill Cornell, nos Estados Unidos, detectou que fatores como ansiedade, raiva, depressão, trauma de infância, medo do fracasso e perda de autoconfiança estão por trás de 35% dos casos de disfunção erétil.
Por isso, uma cabeça bem resolvida pode ajudar a vida sexual. Duas em cada três pessoas com idade entre 47 e 53 anos dizem que sua vida sexual melhorou com a idade, segundo um levantamento da agência de marketing Rino com 230 entrevistados. “Com a maturidade, a pessoa conhece seus limites e está mais em paz com eles”, diz Carmita. “Esse estado contribui para a melhora na qualidade do sexo.”

A mensagem
Para quem chegou lá
Aos 50 anos, estamos no auge da vitalidade física e mentalPara quem quer chegar
É fundamental fazer exercícios, cuidar da saúde, das relações pessoais

Quando acabam as variações e mudanças hormonais da menopausa, muitas mulheres testemunham um momento batizado pela antropóloga americana Margaret Mead como “entusiasmo da pós-menopausa”. “Sem a tensão pré-menstrual, as cólicas, a menstruação, as variações hormonais ou a preocupação com o planejamento familiar, as mulheres se tornam mais livres em termos sexuais”, diz Keren Smedley, autora do livro Who’s that sleeping in my bed? (Quem é esse dorminhoco na minha cama?). Isso pode dar segurança e até mesmo coragem de explorar fantasias. É uma boa oportunidade para os casais que estão juntos há muito tempo espantarem o tédio que costuma atingir a vida sexual. As pessoas estão namorando mais nessa faixa etária.

Nos EUA, o número de pessoas com mais de 55 anos que usam sites de relacionamento aumentou 39% nos últimos três anos, de acordo com a empresa Experian Hitwise. No Brasil, há sites do tipo dedicados a quem tem mais de 45 anos, como o Coroa Metade. Na A2, uma das maiores agências de encontros do Brasil, os homens tradicionalmente procuram mulheres de dez a 15 anos mais jovens. As mulheres preferem homens da mesma faixa etária, com situação financeira estável. A nova tendência é o interesse de homens mais novos por mulheres mais velhas. “A mulher é muito desejável e tem qualidades que as mais jovens não costumam ter. São compreensivas, acolhedoras e se entregam mais ao relacionamento”, diz Claudya Toledo, dona da agência. “Os homens mais jovens veem isso como uma vantagem.”

A psicóloga Cybele Sisternas Di Pietro, de 55 anos, foi casada duas vezes e está separada há quatro anos. Cybele faz aulas de dança, malha todos os dias, recebe massagem modeladora e diz ter feito plástica no rosto. “As pessoas me acham mais nova do que sou”, diz. “Acabo atraindo homens mais jovens.”
FAMÍLIA
A nova fase dos 50 anos ganhou um apelido. É a segunda adolescência. A falta de regras estabelecidas de conduta para cinquentões os leva a se entregar a uma reinvenção, como a ocorrida na transição da puberdade para a idade adulta. “O maior impacto é nas mulheres”, diz a escritora americana Suzanne Braun Levine, autora de A reivenção dos 50 e How we love now (Como amamos agora) “Aos 50, elas não sentem a pressão de corresponder a tantas expectativas da sociedade, como criar filhos pequenos e trabalhar ao mesmo tempo, ou ter o corpo perfeito e sexy.” Elas reajustam seu lugar no mundo de acordo com o que é importante para elas (e não para o marido ou os filhos), adaptam suas expectativas de vida à realidade e se sentem mais responsáveis pela própria felicidade.

A segunda adolescência feminina também intriga os médicos. A americana Louann Brizendine, especializada em neurobiologia, aborda no livro O cérebro feminino a influência dos hormônios na vida das mulheres. Para ela, as mudanças hormonais da menopausa reduzem os níveis de prazer ao cuidar dos outros por meio de tarefas cotidianas, como cozinhar ou lavar roupas. Isso leva muitas mães na menopausa a surpreender seus filhos adolescentes com um berro de “limpe sua própria bagunça”.

Em outros casos, a estrutura familiar é alterada de forma diferente: com a chegada de bebês. Segundo dados do Cadastro Nacional de Adoção, 47% dos pretendentes a adotar uma criança ou adolescente no Brasil têm entre 41 e 50 anos. A artista plástica Gilsia Dolfini Gonçalves, de 49 anos, e o marido, Ricardo Gonçalves, militar de 53, faziam parte dessa estatística até dois anos atrás, quando conseguiram adotar dois irmãos, de 8 e 11 anos. O casal já tinha dois filhos adultos, de 23 e 19. “As crianças me fazem ter mais energia, eu me sinto até mais jovem”, diz Gilsia.

O relacionamento entre os avós de 50 com seus netos também mudou. “Muitos não querem ficar em casa cuidando dos netos ou não podem fazê-lo porque ainda trabalham”, diz Karen Marcelja, mestre em gerontologia pela PUC-SP. “As pessoas preferem ver os netos no fim de semana, quando dá tempo.”

Dilson Santos (Foto: Rodrigo Schmidt/ÉPOCA)

TRABALHO E DINHEIRO
As pessoas de 50 anos querem – e precisam – manter-se ocupadas e remuneradas. Com 30 anos a mais de vida pela frente, com disposição para curti-la (e gastar dinheiro com isso), deixar de trabalhar não é uma opção. Para muitos, essa ainda é a fase de alimentar as reservas. É natural que as despesas com saúde aumentem com o passar dos anos. Eles podem se aposentar aos 55 ou 60, mas isso não tem a ver com deixar de ser produtivos.

Houve um tempo em que o desemprego rondava quem passasse dos 50 anos. Esse cenário já mudou. O grupo dos 50 foi o único em que o índice de emprego aumentou significativamente, de acordo com o último levantamento do IBGE: de 16,7%, em 2003, para 22% em 2011. Isso corresponde a 22,5 milhões de pessoas. Nas outras faixas etárias, o índice manteve-se estável ou diminuiu. Esse também é o grupo que menos sofre com o desemprego. O ranking mais recente do IBGE mostra que é a faixa de idade com o menor percentual de desocupação. Apenas 2,1% dos trabalhadores dessa idade estão sem trabalho, em comparação aos 4,4% entre os que têm de 25 a 29 anos. O que está por trás disso? “Entenderam que essas pessoas estão no auge de sua vida em termos de competências técnicas, atitudes e inteligência emocional”, diz Betty Dabkiewicz, consultora da Sinergia Consultoria. A experiência profissional e a maturidade dos profissionais de 50 anos são especialmente valorizados para cargos de confiança. É a idade dos líderes. Entre os presidentes dos 50 países com maior PIB, 88% têm 50 ou mais. No Brasil, 80% dos presidentes das 50 maiores empresas têm no mínimo 50 anos.

Há carreiras em que os cinquentões ainda são vistos com preconceito. É o caso de tecnologia. “Alguns jovens dessa área se recusam a aceitar o sênior”, diz Leyla Nascimento, presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos, do Rio de Janeiro. “As mudanças nessa área são muito rápidas. Os jovens se sentem mais antenados.” Na área de engenharia, em contrapartida, o profissional experiente de 50 é valorizado e cobiçado. “Há tamanha escassez de mão de obra qualificada, que as empresas estão chamando seus aposentados a voltar a trabalhar como terceirizados ou funcionários”, diz.

Ter autonomia e equilíbrio entre trabalho e vida pessoal é uma das questões mais valorizadas pelos cinquentões. Em busca de mais liberdade, muitos se arriscam a empreender depois dos 50. De acordo com a pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM), produzida pelo Instituto Brasileiro de Qualidade e Pesquisa (IBQP), a taxa de empreendedores entre 55 e 64 anos cresceu 5,5% em 2011. O administrador de empresas Dilson Santos, de 49 anos, é um deles. Ele viveu uma rotina frenética de trabalho dos 25 até os 46. Era diretor-geral de uma multinacional e passava metade do ano viajando. “Perdi aniversários dos meus filhos. Não tinha tempo para nada e estava sempre cansado”, diz. A rotina estressante fez o casamento de 18 anos ir por água abaixo. “Resolvi mudar meu estilo de vida e abrir uma empresa de consultoria.” Hoje, Dilson consegue participar da vida dos filhos e se casou pela segunda vez. A saúde e o lazer se tornaram prioridades. Ele frequenta a academia três vezes por semana e tira férias três vezes ao ano. “Minha vida está muito melhor agora do que aos 30. Sei dar valor às pequenas coisas.”

CULTURA E CONSUMO
Em 2006, a agência de publicidade Talent batizou um estudo sobre os cinquentões com o nome “A idade do poder”. Quem está nessa faixa etária tem potencial enorme de consumo. “Essa virada da atitude dos mais velhos já ocorria na Europa e nos Estados Unidos há algum tempo, e agora podemos vê-la no Brasil”, afirma Paulo Stephan, diretor-geral de mídia da agência. No passado, quando o brasileiro chegava aos 50, entendia que a vida estava perto do fim e começava a se preparar para isso. “Mesmo com o crescimento da expectativa de vida, essa atitude psicológica demorou a mudar”, diz Marcos Bedendo, professor de marketing da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM). “O marketing também pensava assim e acreditava que quem tivesse mais de 50 não queria mais investir em sua casa, numa viagem, num carro novo ou na própria aparência.”

Hoje, a situação é diferente. “Eles não se preocupam mais com a criação dos filhos e já têm uma infraestrutura construída, com casa própria, carro quitado e dinheiro para gastar com entretenimento, diversão e lazer”, afirma Marcos. As empresas dão atenção especial a identificar o perfil desse consumidor. Estima-se que, só nos EUA, os nascidos entre 1946 e 1964 gastem US$ 2 trilhões anuais. Estão entre os maiores compradores de artigos de alta qualidade. São o grupo que consome turismo e curte gastronomia. Um terço janta fora pelo menos uma vez por mês. De acordo com dados da Embratur, viajam mais do que pessoas de outras idades e em qualquer época do ano.

Os hábitos culturais dos cinquentões não têm mais a ver com idade. Quem curtia heavy metal aos 30 continua indo a shows aos 50. Eles se misturam com facilidade a gente de diferentes idades. Mas também não querem ser estereotipados como garotões, afirma Yara Rocha, gerente de planejamento da Talent. “Querem que a maturidade que construíram ao longo do tempo seja atribuída a eles, e não renegada”, afirma.

Na moda, essa mudança ocorreu de forma rápida. Há três décadas, era comum a segmentação de estilos por idade. Isso praticamente não existe mais. Homens gostam de usar camisetas e tênis, mesmo aos 70 ou 80 anos. “As roupas eram delimitadoras. Restringiam as mulheres menos jovens a um guarda-roupa sóbrio e austero”, afirma Maria Eduarda Di Pietro Quero, da grife de roupas femininas Folic. “Hoje temos peças decotadas e coloridas para mulheres de todas as idades. O que importa é quanto a pessoa se sente bem dentro dela.”

O que mudou nos 50 (Foto: Fonte: Pesquisa Target Group Index, Ibope Media. Comparativo entre as edições de 2003 e 2012)

 

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