Películas

Isabela Barbosa, no Crer é também pensar

Desde que o mundo é mundo, até mesmo segundo a própria Bíblia, só é feito durante a noite aquilo que não queremos que os outros saibam. Isso é o que ocultamos. Ou pensamos ocultar. As demais atitudes que tomamos podem ser vistas por todos e por isso as praticamos à luz do dia.

Até onde o meu restritíssimo conhecimento me leva, máscaras, reclusões, capas e até mesmo a própria escuridão são usadas para esconder seja lá o que for que carregamos e não queremos que os outros vejam. Pode ser uma cicatriz, uma imperfeição, uma insegurança, ou até o mínimo resquício de uma gotícula de lágrima nascendo no canto dos olhos. Insistimos em esconder, para parecermos fortes, inabaláveis.

A maior imbecilidade humana, na minha humilde opinião. Ou talvez não a maior delas, são tantas…

Enfim, voltemos às ‘películas’.

Suponho que uma das tarefas mais fáceis ao olhar pela janela, seja encontrar um carro com alguém lhe dirigindo. Mas antes de reparar na pessoa, na cor do seus olhos, na curva de sua sobrancelha arqueada pelo estresse diário e antes mesmo de enxergarmos a cor da blusa que veste, há as malditas películas.

A pior barreira que o próprio homem coloca sobre si mesmo e todos os que lhe cercam, é a solidão. E, imediatamente depois dessa catastrófica fronteira, as películas.

Sim, cruéis películas que escondem tantos rostos, tantas histórias diferentes. Perversas películas que guardam dentro de si o mais belo sorriso, a mais profunda lágrima, a imensa necessidade de compartilhar com alguém sua angústia, sua alegria. Malditas películas, que mais parecem pragas a reprimir os tantos sotaques, as tantas expressões, os milhares de risos e gargalhadas dos brasileiros que cada vez mais se escondem por trás das grandes vilãs, as películas!

Películas não são apenas um modo de se proteger do sol ou dos males que o mesmo traz. Vão muito além disso, são muito mais densas e perversas do que simples acessórios para um automóvel. São repressoras de tudo aquilo que temos para mostrar, dar e receber.

Quantas vezes estávamos em crise interior, passando por situações difíceis, das mais desesperadoras mas não contamos nada a ninguém por nos escondendo atrás de películas das mais simples como um casual ‘estou bem’ ou ‘não há nada de errado’?

Quantas vezes não precisamos dividir com um amigo a felicidade ou o orgulho de termos alcançado uma de nossas principais metas com sucesso e não podemos, porque isso, para eles, não passaria de uma bobagem do cotidiano e guardamos nossa euforia para nós mesmos?

O que quero dizer é; o que vem nos impedindo (nós, seres humanos, em geral) de mostrar aos outros o que sentimos? De sorrir de vez em quando? De chorar quando necessário? Provavelmente, uma das maiores estupidez que há atualmente seja a de acharmos que sentimentos são sinônimos de fraqueza.

Precisamos nos empenhar mais nisso, em mostrar mais aos outros o que se camufla por trás de nossas películas. Não é tanto culpa nossa, afinal, por muitas vezes não omitimos algo porque provocamos isso, mas sim porque já parece tão normal que sai como se estivéssemos no piloto automático.

As películas vão muito além de ‘escurecedoras de janelas’. Podem se transformar na maior mentira ou esconderijo para nossos sentimentos ou até mesmo se abrigarem na mais singela palavra.

Mas quem sabe não devamos retirar de nós mesmos todas as películas existentes, para que possamos enxergar o sol que brilha lá fora, que nasceu mais uma vez e ofusca nossa visão dizendo ‘É um novo dia’. Somos completamente capazes de dispensar as películas e fazer o mundo inteiro enxergar como realmente somos e o que estamos prestes a nos tornar.

imagem: Internet

PS:  Isabela tem 13 anos.

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