As pessoas estão ficando mais estúpidas

Os homens das cavernas. Imagem em exposição no Museu Nacional de História da Mongólia, em Ulaanbaatar (Mongólia)

Mutações genéticas deixaram os seres humanos menos inteligentes que os antepassados, afirma geneticista

Helena Ometto, na Popular Science Brasil

Gerald Crabtree, geneticista da Universidade de Stanford, nos EUA, quer desmistificar o senso comum de que o homem de hoje é mais inteligente do que o homem das cavernas. Em suas pesquisas, ele reconheceu mutações genéticas ocorridas durante os últimos milênios que estão causando uma diminuição na aptidão humana em geral, seja intelectual ou emocional.

Ao contrário do que se pensa, a pressão evolutiva não favoreceu o desenvolvimento do nosso intelecto, e esse abismo intelectual entre as gerações está ficando cada vez maior. Aliás, por gerações, entenda milênios de diferença. Crabtree afirma que cada geração produz mutações genéticas desfavoráveis, fazendo com que nossa inteligência seja cada vez mais deficiente se comparada com a de nossos antecessores.

A hipótese de Crabtree foi publicada na revista “Trends in Genetics” e deixou vários geneticistas intrigados, como o professor Kevin Mitchell, associado no Instituto de Genética Smurfit, no Trinity College de Dublin (Irlanda):
“É preciso milhares e milhares de genes para construir um cérebro humano, e as mutações em qualquer um desses genes pode prejudicar o processo evolutivo. Além disso, a cada nova geração, também surgem novas mutações. Por isso, afirmo que Crabtree ignora o outro lado da equação, que é a seleção. A seleção natural é incrivelmente poderosa e, definitivamente, tem a capacidade de eliminar novas mutações que comprometam significativamente a capacidade intelectual”.

Além da “diminuição” da inteligência, essas mutações desfavoráveis também acontecem em outras áreas, como o nosso sentido olfativo, por exemplo. Os seres humanos têm bem menos receptores olfativos do que outros animais, já que agora somos movidos pelo nosso intelecto e não mais pelo cheiro. Para nós, a comida já chega processada, enquanto os animais de gerações passadas precisavam sentir o cheiro das coisas para saber se algo pode ser ingerido ou não.

“Assim que você coloca pressão sobre habilidades intelectuais e tira essa função das habilidades olfativas, os genes olfativos se deterioram”, disse Crabtree. Essa afirmação também pode ser aplicada em outras funções referentes aos genes, justificando a diminuição de algumas de nossas capacidades.

Crabtree acredita que a evolução esteja fazendo uma seleção através de outras características, como um homem mais saudável e mais imune, e não o mais inteligente. A migração das pessoas entre as comunidades e regiões aumentou a propagação de doenças infecciosas e aqueles com o condicionamento mais forte e preparado sobreviverão para transmitir seus genes.

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