Nando Reis: ‘A internet não faz parte da minha vida’

 Nando Reis: ‘Tocar no Rio é sempre uma delícia’ Foto: Divulgação

Simone Avellar, em O Globo

Em seu primeiro trabalho 100% independente, depois de ficar sem gravadora por conta da crise da indústria fonográfica, Nando Reis aposta na internet para impulsionar as vendas do novo disco “Sei”, que será apresentado ao público neste sábado (15), com a banda Os Infernais, na Fundição Progresso, na Lapa. A estratégia escolhida está em total sintonia com os tempos atuais: o preço do álbum é definido de maneira colaborativa pelos fãs que, após ouvirem as músicas no site do cantor, podem dizer o quanto gostariam de pagar pela coletânea. O valor final é calculado a partir da média das opiniões do público a cada semana. Tudo a ver com alguém com uma vida agitada na rede. O perfil de Nando no Twitter tem 315 mil seguidores e a página do artista do Facebook tem mais de meio milhão de “curtidas”. Mas, em entrevista por telefone, o cantor revelou que, pessoalmente, não tem interesse pelas mídias sociais e que a internet não faz parte da vida dele.

Como você decidiu por essa estratégia de o público escolher o valor do seu disco no site?

Nando Reis: No momento em que não tinha mais uma gravadora e queria continuar vendendo os discos que faço, foi preciso tratar dessa questão dos preços, que era muito maltratada pela indústria fonográfica. Eu tinha noção de que na internet havia pessoas que gostam do meu trabalho. Então reuni um grupo para me ajudar a pensar se a internet era realmente o fim dos discos ou se podia ser um meio para vendê-los. Nessa discussão propus envolver o meu público que está na internet e nas redes sociais para perguntar a ele o quanto eles acham que vale o disco, porque é uma coisa nova para mim também, nunca vendi meu trabalho. E o preço pode ter critérios distintos. Uma coisa que me incomodou muito e que ajudou a enfraquecer o mercado foi a fixação de vender por um preço muito alto, ter lucros altíssimos. Não vou dizer que quero vender por preço de custo, porque preciso ganhar algum dinheiro também. Mas acho que é suficiente trabalhar com uma margem de lucro.

E como funciona a precificação?

As músicas estão disponíveis no site. Depois de ouvirem todas as faixas, o público pode dizer qual o valor acha justo pagar pelo disco. A cada semana é calculado a média das opiniões, que vira o preço do álbum naquele período. É curioso porque esse sistema acaba se confundindo um pouco com uma avaliação de qualidade. Mas pressupondo que meus discos têm sempre qualidade, a pergunta mais correta seria o quanto as pessoas estão dispostas a pagar por um trabalho de qualidade. Se fosse para fazer uma escala em que R$ 1 seria um disco ruim e R$ 10 um disco ótimo, não me submeteria a este tipo de avaliação. E o que me surpreendeu é que por enquanto as pessoas estão jogando o preço lá em cima.

Qual é a sua relação pessoal com a internet?

Muito restrita. Entro de vez em quando para fazer pesquisas e checar email basicamente. A internet não faz parte da minha vida.

E em relação ao seu site e seus perfis nas redes sociais. Você participa diretamente deles?

Tenho uma parte do escritório que cuida só disso de internet. É claro que em algumas coisas, como o projeto do novo site, eu me envolvo, dou ideias. Mas não mexo muito. Não tenho competência nem interesse para isso. Mas qualquer perfil oficial meu nas redes sociais está sob a coordenação da minha equipe. As únicas que utilizo diretamente às vezes é o Twitter e o Instagram.

Você curte memes, tem algum preferido?

Nem sei direito o que é isso. Às vezes meus filhos me contam algumas coisas que estão acontecendo na internet, mas realmente não é algo que me interesse.

Quais são as expectativas para a primeira apresentação no Rio?

Sempre as melhores. Tocar no Rio é sempre uma delícia. E esse será o primeiro show que faço para apresentar o novo disco na cidade. Mas além disso terei uma mudança no repertório, por conta de três grandes participações. Dadi Carvalho, Pepeu Gomes e Jorginho Gomes subirão comigo no palco e vamos tocar algumas músicas dos Novos Baianos. É o único show em que vai acontecer isso. De resto, vou mesclar músicas novas e canções já conhecidas.

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