Salvos do céu

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Piero Barbacovi, no Conversa de botas batidas

“Há algum tempo venho refletindo se vale a pena fica pensando em vida posterior. A conclusão é que a vida é boa demais pra não ser vivida. É pouca demais pra não ser aproveitada. É vida demais pra não se viver. Percebi que os ditos religiosos se prenderam demais à ideia de salvação, de céu, de vida ‘post mortem’, e se esqueceram de viver a vida aqui, agora, nesta Terra.

Nesse pensamento, construímos uma ideia para se opor à de Deus: a de natural. Tudo que fosse natural seria oposto a Deus e, portanto, seria pecado. Tudo que nos aproximasse da nossa natureza, tudo que nos trouxesse para a nossa realidade e essência seria errado. Assim, colocaram no coração dos fieis a noção de que ter prazer tinha algo de errado e que sofrer era sinônimo de sacrifício, de agrado a Deus. Sem demora, construímos a ideia de um deus limitador, exigente e chato. Segundo Nietzsche, esse deus representa decadência, é uma antítese à vida. E, para nos adaptarmos, fizemos uma teia e colocamos Deus lá para se mover conforme queremos. Deus, nossa aranha de estimação.

Assim, por que declarar guerra ao pecado? Por que não declaramos guerra ao sofrimento? Está na hora de conferirmos realidade aos direitos cristãos. Menos bitola, menos cabresto. Mais poesias, mais cultura, mais meios de pensar. Temos muito a aprender, para isso temos de pensar. Por que deixamos de pensar quando se trata de religião? Por que não percebemos que muita coisa não faz sentido? Porque só o que importa é um sentimento egoísta de evangelização e salvação. As pessoas querem ‘ganhar almas’ para suas respectivas religiões, e não para Deus. Duvida? Do contrário, você não condenaria aqueles que têm convicção num Deus diferente do seu. Às vezes, creio que o que é cristão é o ódio contra o intelecto, contra os sentidos, contra a alegria dos sentidos, contra a alegria em geral.

O que quero dizer é que estou cansado de ver as pessoas se preocupando com futilidades, proclamando aos berros uma vida posterior, enquanto sua vida aqui é uma droga. Anunciam uma ‘ boa nova’ que está mais para ‘aceite ou morra’. Boa nova, entre outras coisas, é falar sobre a verdadeira vida: a vida eterna. Ela não é prometida, já está aqui, já foi encontrada, está em nós. Afinal, é eterno enquanto dura.

Vida em abundância não é ser intolerante, não é viver com medo do pecado. Pecado é inerente a nós, cabe a nós lidarmos com ele. Os prazeres da vida são… prazeres da vida. Não tem nada de errado nisso.O problema é que não sabemos lidar com a liberdade. Prazer está relacionado com sensibilidade. Sensibilidade para perceber nas mínimas coisas a beleza da vida. Nada mais, nada menos. Por que sempre ver coisas ruins onde não têm?

Eu, literalmente, não quero viver pensando numa vida que pra mim ainda não existe (apesar de ser uma esperança). Não quero deixar o tempo passar pensando no rota do vento. ‘Tempus fugit’, o tempo foge, voa. A vida é aqui. O céu… é agora. O paraíso… em nós e no longe que o levamos.

Oro para que todos se vejam salvos do céu que os aprisionam e se prendam em viver bem, com princípios belos, em amar, em fazer com o outro somente aquilo que gostaria que fosse feito consigo mesmo. Oro para que a tão desejada vida que está por vir seja vivida aqui.

Céu é um estado do coração, não algo que vem acima da terra ou após a morte. Se existe O céu, não cabe a nós. Mas sei que Deus não mora lá, mora ao nosso lado. Já dizia Elienai Cabral Jr: ‘A distância entre você e Deus é a mesma entre você e o outro. Eu não quero subir para o céu, eu quero ir para onde Deus estiver.’

Eu quero viver!”

foto: Facebook

Comentários

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1 Comentário

  1. nelson disse:

    filosofia barata e que não dá verdadeiramente o sentido da vida.abraço.

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