É Natal: a graça de um belo vexame em família

Xico Sá, na Folha de S.Paulofestadefamilia

E de repente, na fila da farofa, aquela priminha que você não dava nada se revela a gostosa-mor do universo.

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Minha solidariedade aos parentes desconhecidos que logo mais estarão mais perdidos na ceia do que vira-lata em caminhão de mudança.

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Tudo muda na família. Menos as ovelhas negras. O espírito natalino é burro. São as mesmas eleitas a vida inteira.

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Toda ceia carece de pelo menos um velho comunista para chocar as criancinhas mesmo no tempo em que Papai Noel não passa de um aplicativo de quinta.

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A cara de espanto com o novo gay recém-revelado. E para cada um assumido, dois no armário ad eternum.

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A hora de falar umas verdades. Alguém bate o talher na garrafa, como no “Festa de Família” (no cartaz acima), filme do Dogma 95. Suspense.

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Na falta de assunto, tempo, tempo, tempo. O calor carioca, a estiagem cearense, o mormaço do Recife, as quatro estações diárias de San Pablo etc.

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O cunhado bêbado, em plena Missa do Galo, ainda com o interminável grito de guerra: Vai, Curíntia!

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O tio bêbado, tipo papudinho mesmo, que dureza acompanhar seu ritmo.

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A parente maldosa que presenteia a prima idem com uma roupa maior do que ela veste. Só para fotografar –vide post no Facebook ainda na madruga- o justo momento em que a “inimiga” exibe a peça para todos.

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E a vovó-Niemeyer repete o chiste de sempre para a neta predileta: “O que mais gosto do Natal, Rose, é que você está sempre de homem novo!” O detalhe é que Rose está à beira das bodas de prata com o mesmo hombre.

E você, estimado(a) leitor(a), qual o bafo natalino predileto da vossa família?

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