Honey Hunters: a colheita de mel

Valerie Scavone, no IdeaFixa

Há cerca de 12.000 anos, duas vezes por ano, os homens de Gurung, tribo central do Nepal, arriscam suas vidas e enfrentam o sopé do Himalaia para colher o mel das maiores espécies de abelha do mundo.

Eric Valli, fotógrafo francês nascido em Dijon em 1952, passou a maior parte de sua carreira realizando trabalhos para a National Geographic e para o The Times Sunday, capturando os lugares mais inacessíveisdo mundo.

Especialista em paisagem montanhísticas e, mais precisamente, em montanhas do Himalaia, Valli dirigiu, em 1999, o filme de aventura Himalaia – o primeiro filme do Nepal a ser nomeado para o prêmio de melhor filme estrangeiro.
Com sua esposa, Diane Summers, Eric também fez um documentário sobre os caçadores de mel. O fotógrafo ganhou 3 prêmios no World Press Awards –Chasseurs de Miel (1988)des Chasseurs Ténèbres (1991) e Les enfants de la poussière (1991).

Eric Valli caminhou por 20 anos a deslumbrante região do Himalaia, sempre com uma LEICA nas mãos. Valli e sua companheira passaram 2 anos seguidos peregrinando por dezenas de penhascos em busca do mestre caçador de mel.

Eis que, finalmente, em 1987, encontram Mani Lal, O mestre.
Mani planejava aposentar-se na temporada seguinte, mas concordou em assumir a perigosa e fascinante trajetória da busca do néctar dos deuses com o casal.

No sopé da montanha do Himalaia, os destemidos homens de Gurugun arriscam suas vidas para colher os ninhos das maiores espécies de abelha do mundo:Apis dorsata.
Originárias do Sul e Sudeste da Ásia as ‘Abelhas Gigantes‘ habitam principalmente as áreas florestais.

Seus ninhos são constituídos longe do chão, em árvores. É uma abelha extremamente agressiva e, se provocada, pode apresentar um comportamento defensivo conhecido como “defense wave” – onda de defesa.

Esta tal ‘ola’ apícola, enfureceu-se uma vez com o pai de Mani. A consequência para o pai do profeta do mel, foi a cegueira.

Cada colônia é formada por um único favo vertical que chega a medir um metro quadrado e conter 60Kg de mel. Para chegar às grandes colmeias, é preciso enfrentar o vertiginoso vazio das falésias e a fúria das abelhas em escadas feitas de bambu.

Das flores do penhasco para o mercado – a jornada dos corajosos homens de Gurung é incrível, mas não tão doce como o mel.

Os Gurung são uma tribo oriental do Nepal que migraram para o sopé do Himalaia há muitos séculos.

As aldeias mais altas de Gurung, localizavam-se a uma altitude de 3.500 metros. Estas aldeias foram abandonadas para que fossem criadas outras em menos metros de altitude – entre 2.500 e 1.000 metros.

O conhecimento da extração do mel das colmeias nas encostas do Himalaia foi passado de pai para filho durante milênios. Em toda a tribo de Gurugun, apenas 9 pessoas são capazes de percorrer o caminho até as abelhas gigantes, direito herdados de seus pais.

Silencioso como uma aranha, Mani Lal faz a descida em uma escada de corda de bambu. Com apenas um cabo em volta de sua cintura, ele oscila mais de 395 metros entre as falésias do Himalaia. O menor erro, pode causar a morte.

O processo consiste em habilidade master. Enquanto milhares de abelhas enchem o ar, Mani mergulha uma vara de bambu, tão grande quanto ele, no ninho. Sua única proteção é uma capa solta em sua cabeça e calças compridas.

Com movimentos rápidos e sutis, ele empurra um monte de folhas em chamas sob as abelhas com a vara para que elas movimentem-se junto com a fumaça e então, captura o favo de mel enorme.

Mestre guerreiro, Mani decide a época certa para esta boa aventurança: primavera ou outono. E conta com a satisfação e proteção dos Deuses: “não sou eu quem desce as escadas, são Eles! Os deuses protetores.”

Mesmo sem conhecer os deuses de Mani, mas na fé de ter os seus, Eric Valli evoca sua proteção e desce o precipício em uma corda de nylon e registra, com o privilégio de ser o primeiro ocidental a juntar-se aos valentes homens de Gurugun, detalhes impressionantes desta missão ao líquido dourado valorizado desde o tempo das auroras: o mel.

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