Amor, sexo, internet e prazer em 2013

JAIRO BOUERé médico formado pela USP, com residência em psiquiatria. Trabalha com comunicação e saúde. E-mail: jbouer@edglobo.com.br (Foto: Camila Fontana/ÉPOCA)

JAIRO BOUER
é médico formado pela USP, com residência em psiquiatria. Trabalha com comunicação e saúde. E-mail: jbouer@edglobo.com.br (Foto: Camila Fontana/ÉPOCA)

Jairo Bouer, na Época

O que esperar do próximo ano em questões que envolvem comportamento, saúde e sexualidade dos jovens, temas frequentes desta coluna? Quando se trata desses assuntos, é importante lembrar que é difícil fazer previsões de curto prazo. Novos padrões se estabelecem de forma gradual, e as mudanças, quando acontecem, tendem a ser processos prolongados. De qualquer forma, vamos arriscar alguns palpites do que esperar em 2013.

Sexo: a tendência a um início precoce deve continuar. Há alguns anos, trabalha-se com a perspectiva de que metade dos garotos e um terço das garotas iniciam a sua vida sexual antes dos 15. Ao encerrar o ensino médio, três em cada quatro jovens já fazem sexo. O diálogo sobre o tema, em casa e na escola, deveria ser reforçado. Que pais conseguem conversar sobre isso com os filhos?

Aids: apesar de a epidemia estar, segundo o Ministério da Saúde, sob controle, foram notificados 39 mil casos novos em 2011, o maior número de registros dos últimos anos. Mais da metade em jovens de 15 a 24 anos. Isso acentua a necessidade de reforçar a prevenção nessa faixa etária. Se o garoto faz sexo com outros homens, o risco é ainda maior. A maioria dos casos novos em jovens acontece entre homo e bissexuais.

Gravidez precoce: embora haja uma tendência de queda da gestação na adolescência em praticamente todo o país, muitas garotas de nível social mais baixo ainda enxergam na maternidade um projeto de vida. Sem perspectivas de crescimento pessoal, muitas copiam o modelo das mães e avós e engravidam cedo. A nova gestação, em geral, reforça um ciclo de abandono por parte do parceiro e de distanciamento da educação e do sucesso profissional. Se houver uma manutenção da estabilidade econômica no país e de projetos sociais eficazes, essa situação pode melhorar.

O vazamento de fotos e vídeos com conteúdo íntimo na internet continuará

Prevenção: se dá para remediar, por que prevenir? No universo de vida do jovem, onde o tempo é curto e a pressa é grande, tudo acontece rápido. As preocupações estão muito mais voltadas para aqui e agora, do que para um incerto futuro distante. Para que perder tempo se protegendo e se prevenindo, quando pode haver uma solução mais rápida e imediata se algum problema aparecer? Não é à toa que o consumo de anticoncepcional no país ainda é baixo entre os jovens e que o uso consistente da camisinha tem caído ano após ano. Em contrapartida, a pílula do dia seguinte, um método de emergência, é tomada cada vez mais. Essas tendências devem se manter no próximo ano.

Internet: cada vez mais jovens passarão mais tempo na rede. Com o crescimento da banda larga e do Wi-Fi em casa e com a profusão da venda de tablets, PCs e smartphones, não deve causar espanto se um jovem trocar almoço, jantar e televisão pela internet. Menos horas de sono e de estudo pela frente! Em compensação, maior risco de exposição na rede e de invasão e evasão da privacidade. Episódios de vazamento de fotos e vídeos de conteúdo mais íntimo devem continuar a pipocar. É fundamental discutir a questão da conduta na rede para evitar riscos e exageros.

Bebida: da mesma forma que sexo começa cedo, o contato com a bebida também. Na geração em que tudo é precoce, é importante o cuidado para evitar que problemas maiores apareçam. Pressionado a tomar decisões, muitas vezes nos momentos em que a maturidade ainda não deu as caras em sua vida, o jovem pode se expor a riscos. Pesquisas mostram que um em cada sete jovens que começam a beber terá complicações como abuso e dependência. Sem contar os riscos de acidentes de trânsito associados ao consumo de álcool. Houve uma explosão de casos em 2012. A lei promete vir mais dura em 2013, mas será que os jovens entenderão o impacto que isso pode ter em sua vida?

Consumo: cada vez mais o jovem pressionará seus pais para ganhar tecnologia. E essa pressão pode começar muito cedo. Se consumir é importante para essa geração, o que dizer, então, de produtos que agreguem a possibilidade de conexão com o mundo, uma das razões de existir para eles. Tablets, smartphones, netbooks e tudo o que seja fácil de carregar e rápido de conectar será motivo de muito choro, pedido insistente e chantagem emocional.

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