Por um 2013 sem gaiolas

Renata Neder, no Mulher 7×7

Eu não sei bem quando nem por que eu comecei a fazer listas de ano novo, mas já faz tanto tempo que não me lembro de passar um ano sem uma.

As listas já tiveram muitas caras. Umas, bem práticas, continham tarefas muito específicas como entrar na aula de dança de salão e fazer prova para o mestrado.

Outras sinalizavam uma vontade de mudar a rotina: ir mais ao cinema, pedalar de manhã cedo, ver mais o irmão e a irmã.

E havia aquelas listas mais pessoais, com desejos de mudança interior: ser mais paciente e menos intolerante, levar a vida com mais leveza, respeitar as diferenças.

Às vezes, ao longo do ano, eu releio a lista como um exercício de avaliação. Alguns itens são cumpridos, outros perdem o sentido, outros fazem mais sentido ainda e ganham força.

Mas acho que o que eu mais gosto é do exercício de fazer a lista. Um momento de avaliação e de planejamento só meu que eu adoro.

A lista para 2013 tem um pouco de tudo: do prático, do rotineiro, do interior. Voltar a pedalar e remar de manhã cedo (porque o Rio de Janeiro é muito lindo pra gente ficar entre quatro paredes), voltar a tocar o cavaquinho (porque não dá pra viver sem samba nessa vida), tirar carteira de motorista (tarefa que já entrou nas listas de vários anos, mas espero que dessa vez seja tarefa cumprida!), ser mais paciente (como boa ariana que sou, ter mais paciência nunca é demais), e por aí vai. A lista é longa…

Hoje, por acaso, li um versinho do poeta Sergio Vaz que diz assim: “Meu coração é cheio de pássaros. Por isso nunca me dei bem com gaiolas.” E esse versinho foi inspirar um último desejo para o ano novo.

Que 2013 seja um ano sem gaiolas, grades, muros, cercas… que nada aprisione o pensar, o sonhar e o sentir. E, com a liberdade de sonhar uma realidade diferente, que a gente tenha força para construir um mundo mais justo.

ilustração: Anne Julie Aubry

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