Flupp vence Prêmio Faz Diferença 2012, de “O Globo”

Flupp

Com debates, música, leituras e um livro com novos autores das periferias, evento levou grandes nomes ao Morro dos Prazeres para conversarem sobre suas obras

Leonardo Cazes, em O Globo

Foi durante suas andanças pelas periferias que o escritor Julio Ludemir percebeu que os desejos de consumo de seus moradores iam além de roupas ou eletrodomésticos. A inclusão de milhões de pessoas no mercado consumidor na última década e o surgimento da nova classe média também provocavam, observava ele, uma sede imensa de literatura.

Inspirado pela Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), Ludemir queria explorar o que chamou de “expansão da cidade literária”. Ele se juntou com novos parceiros para conceber a Festa Literária Internacional das UPPs (Flupp), que teve a sua primeira edição em 2012, no Morro dos Prazeres, em Santa Teresa: Écio Salles, ex-secretário de Cultura de Nova Iguaçu; o antropólogo e professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) Luiz Eduardo Soares; e Heloisa Buarque de Hollanda, crítica literária e professora da UFRJ — vencedora do prêmio Faz Diferença em 2007.

O quarteto desejava, desde o início, que a Flupp fosse além da festa propriamente dita. Dessa vontade, nasceu a “Flupp pensa — 43 novos autores”, coletânea de textos de novos escritores das periferias. Os selecionados saíram de um grupo de 90 pessoas que participaram de oficinas e palestras entre março e julho do ano passado. Durante o período, eles escreveram um texto por semana, ouviram conselhos , trocaram ideias com profissionais do mercado e escritores consagrados, como Ana Maria Machado e o americano de origem nigeriana Teju Cole. O objetivo era despertar moradores das comunidades para a literatura, assim como dar visibilidade a quem queria contar suas histórias.

Com uma programação que contou com a presença de convidados de vários países, como o poeta palestino Najwan Darwish e o rapper líbio MC Swat, além de brasileiros como Ariano Suassuna e Ferreira Gullar, a Flupp mostrou força para unir a cidade em torno da literatura, do asfalto à favela. Este ano, o evento homenageará Waly Salomão e ocorrerá em novembro, no centro cultural que leva o nome do poeta, em Vigário Geral. Será uma parceria com o grupo AfroReggae, que completa 20 anos em 2013.

— A proposta da Flupp é investir em ações literárias de grande envergadura nas favelas, para consolidar uma cidade unida, em conjunto com o processo de pacificação. Obter o reconhecimento de um prêmio como o Faz Diferença legitima nossa proposta e amplia as possibilidades de diálogo na cidade e no país — diz Écio Salles.

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