Voluntários tentam amenizar dor de amigos de vítimas de incêndio no RS

Incêndio deixa mortos em boate de Santa Maria (Foto: Germano Roratto/Agência RBS)
Bombeiros tentam conter fogo em boate de Santa Maria (Foto: Germano Roratto/Agência RBS)

Enfermeiros, médicos, psicólogos, populares tentam ajudar como podem.
Amigos de vítima também prestaram auxílio a quem precisava no ginásio.

Tatiana Lopes, no G1

Um dia que vai ficar marcado na história de Santa Maria, do Brasil e até do mundo. A tragédia que vitimou ao menos 230 pessoas em um incêndio na Boate Kiss, na madrugada deste domingo (27), deixou parentes e amigos em desespero, mas também mobilizou voluntários de diferentes cidades. Enfermeiros, psicólogos, médicos e populares em geral faziam o que podiam para, ao menos, tentar levar conforto aos muitos que precisavam.

É o caso de um grupo de estudantes da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Os jovens, que estão prestes a se formar em Biologia, perderam um amigo na festa universitária. Mesmo assim, foram ao ginásio do Centro Desportivo Municipal carregados de água, papel higiênico e luvas descartáveis nesta tarde. “Sabíamos que o pessoal precisava de voluntários”, disse Gerson Polidoro, 24 anos, natural de Florianópolis, Santa Catarina. Em apenas uma palavra ele resumiu o momento vivido: “horrível”.

Com os olhos marejados, Gerson estava acompanhado de outros amigos, como Barbara Kuhn, 20 anos, natural de Três de Maio, no Rio Grande do Sul. Eles saíam de outra boate quando souberam da tragédia na Kiss. Não pensaram duas vezes e seguiram imediatamente ao local.

“Fomos comer um cachorro-quente e o vendedor comentou o que tinha acontecido. Sabíamos que ele estava lá. Ligamos para ele, e ele não atendeu. Fomos até o local, e quando estávamos perto já enxergamos a fumaça. Muitas ambulâncias, carros passando rápido, famílias chegando, muita gente preocupada”, contou Gerson. Os amigos preferiram não falar o nome do colega morto, já que ainda não haviam conversado com os parentes do morto.

A caminho, a família da vítima iria velar o corpo do estudante no próprio ginásio, já à noite. O velório coletivo, que começou à tarde, reunia caixões enfileirados, rodeados de parentes e amigos cheios de tristeza. Para a formatura, os amigos já pensam em uma homenagem, mas nada planejado ainda. Agora, eles concentram-se na despedida do colega.

Emoção

Diversos enfermeiros, também de forma voluntária, se deslocaram ao ginásio para prestar apoio desde as primeiras horas da manhã. Profissionais acostumados a lidar com momentos difíceis, e por vezes trágicos, eles não conseguiram segurar a emoção.

Circulando por todos os lugares, acompanhando familiares e amigos e auxiliando quem precisava reconhecer corpos em um dos salões do complexo, Liliane Dalla Lasta, 36 anos, e Caroline de Oliveira, 25, do hospital da UFSM, foram ao ginásio assim que souberam do incêndio e das vítimas. “Demora a cair a ficha”, resumiram. “Ficamos consternadas com toda a situação, estamos aqui desde a manhã.”

Caroline vai frequentemente à Boate Kiss. Diversos conhecidos dela estavam na balada. Liliane estava em outra festa na noite de sábado e, depois, soube do que havia acontecido. Ela também recebeu a notícia de quatro amigos mortos no incêndio. “Não consegui comer nem dormir. Quando voltar para casa, depois de tudo isso, é que vou desabar”, comentou.

Liliane e Caroline passaram o dia acompanhando a tristeza de parentes e amigos. Viram pessoas desmaiar, passar mal, serem levadas do ginásio em ambulâncias para hospitais. “A gente acaba lembrando dos nossos parentes, nos colocamos no lugar”, completou Liliane.

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