Oscar Magrini: “Sou cristão há dez anos. Leio a Bíblia que, para mim, é o manual do fabricante”

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título original: ‘Ah, esse coronel lá em casa!’

Leo Dias, em O Dia

Desde que colocou a farda para viver o Coronel Nunes de ‘Salve Jorge’, Oscar Magrini virou o alvo das mulheres. Por onde passa, ele ouve uma cantada. “Elas dizem muito: ‘Ah, esse coronel lá em casa!’”, conta o ator, rindo da situação. Oscar avisa que o assédio não o incomoda. “Pior seria se eu passasse e ninguém falasse nada”, analisa. Mas o ator não esconde que já ficou constrangido com algumas situações proporcionadas pelo sucesso de seu personagem.

“As mulheres são descaradas! Elas pedem para eu apertar na hora de tirar a foto, mas são os maridos que fotografam”, diverte-se. Casado desde 1990 com Matilde Mastrangi, famosa por suas belas formas exibidas nas pornochanchadas da década de 70, Oscar conta que ele assistia a todos os filmes da mulher, escondido. “Ela é mais velha do que eu oito anos. Os filmes eram proibidos para a minha idade, mas meu pai tinha uma locadora e eu via”, lembra.

Como está sua vida de galã da novela das nove?
É engraçado esse rótulo de galã. Galã é um cara legal, bacana, bonito… Fico feliz com os comentários que escuto nas ruas. O Nunes é um cara íntegro, e acho que isso chama a atenção das pessoas.

O assédio das mulheres aumentou depois do Coronel Nunes?
Ah, sim! Quando está no ar, sempre aumenta. Isso é normal. Tem mulheres que são mais atiradas e, às vezes, me colocam em uma saia-justa. Elas pedem pra tirar foto, mas é o marido que vai tirar. Aí, elas dizem: “Pode apertar bastante!”. Eu fico numa situação esquisita porque o marido está fotografando e elas me pedem para agarrar… E quando aparecem em bando? Às vezes vêm umas cinco, seis mulheres de uma vez! Aí é uma loucura! A mulherada enche a mão mesmo! São descaradas. Mas estou me divertindo. Pior seria se eu passasse e ninguém falasse nada.

Como é ser disputado por duas mulheres (Natália do Vale e Totia Meireles) em ‘Salve Jorge’?
É bacana! Aída é uma louca que tem ciúme até da sua própria sombra. A mulher que ele queria casar mesmo era a Wanda, que é uma assassina. E veja só que situação! Nunes é um homem corretíssimo, apaixonado por uma assassina. Contracenar tanto com a Natália quanto com a Totia é maravilhoso. As duas atrizes são parceiras incríveis em cena. Trato as duas de maneiras diferentes por causa do personagem. Com a Aída, ele tem que manter a postura militar porque ela apronta. Com a Wanda, eu acho que ele pode despir a farda.

Se você estivesse no lugar do Coronel Nunes, qual das duas você escolheria?
Acho difícil que um relacionamento com uma pessoa como a Aída dê certo porque ela é muito ciumenta. A Wanda é o grande amor da vida dele e é quem mexe com ele. Ela vai aprontar… Ele vai levar o dinheiro da fiança para tirar ela da cadeia e ela vai embolsar a grana, porque a Lívia (Claudia Raia) faz o pagamento. Mas ele ainda não sabe o quanto a Wanda mudou nesses 30 anos em que ficaram separados. A Wanda que ele conhece é aquela que ele deixou em Botucatu. E que não existe mais. Acredito que o Nunes ainda vai ter uma grande decepção com ela.

O que está fazendo para manter a forma?
Eu corro, faço alongamento, musculação e muay thai. Meu corpo é meu instrumento de trabalho. Vou fazer 52 anos, mas tem garoto novo aí que não me acompanha, não! Me sinto com trinta e poucos anos. Tem homem de 25 que parece um velho cansado. Eu treino, faço ginástica… Não vejo ‘Sessão da Tarde’. Faço um trabalho de manutenção do meu corpo porque eu já lutei judô. Fui atleta. E não descuido da alimentação. Não bebo refrigerantes, não ligo muito para doces. Minha alimentação tem muitos grãos, frutas, verduras e legumes crus.

Você é casado desde 90 com Matilde Mastrangi. Qual é o segredo de um casamento duradouro?
Diálogo é fundamental. E também ter muito respeito, carinho, dedicação. Eu adoro estar casado. Adoro ter uma mulher e uma filha me esperando em casa quando eu saio do trabalho. Moro em Atibaia, no interior de São Paulo. Por causa das gravações da novela, estou há 22 dias sem ver a Matilde. Mas a gente se fala duas vezes por dia via Skype.

Matilde era uma das mulheres mais cobiçadas da década de 70. O que você fez para conquistá-la?
Eu via os filmes dela e ficava louco! Ela era uma mulher gostosa, um símbolo sexual. Fazia pornochanchadas e posou para a ‘Playboy’. Eu não tinha idade para ver os filmes que ela fazia (Matilde é 8 anos mais velha que Oscar), mas assistia escondido porque meu pai tinha uma locadora. Em 90, contracenei com ela em uma peça. Ela era minha patroa. E aí eu, que sempre tive o maior tesão nela, fui conhecendo o coração bondoso da Matilde. Ela sempre ajudou os outros. É uma mulher maravilhosa.

Você é pai de Isabella, de 21 anos… Você é muito ciumento com ela?
Eu acho ciúme um sentimento ruim. E o crescimento dos filhos em um lar evangélico é diferente. Quero que ela encontre um cara legal, que a faça feliz. Quero o melhor para a minha filha, que me dá o maior orgulho. Ela acaba de se formar em Nutrição pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

Então você é evangélico?
Sou cristão há dez anos. Leio a Bíblia que, para mim, é o manual do fabricante.

O que você vai fazer durante o Carnaval?
Se eu não estiver gravando, vou para Atibaia ficar com a minha família. É assim que eu faço há anos.

Na sua casa, a rotina é militar? Tem horário para almoçar, jantar, dormir?
Não. Lá em casa é tudo muito livre.

Você fez algum tipo de laboratório para viver o Coronel Nunes?
Até hoje! Gravamos na Vila Militar, em Deodoro, e o meu núcleo do quartel recebe as orientações de um coronel. Os caras são muito certinhos. Porque tem toda uma maneira de falar, uma postura para cada situação, que precisa desse aconselhamento. Se a gente fizer errado, chega um memorando com reclamação. Mas graças a Deus, à Gloria Perez e ao (diretor) Marcos Schechtman, tudo tem dado muito certo. Recebo ligações de pessoas do alto escalão militar elogiando o Nunes. Tem um coronel de Brasília que sempre me telefona para elogiar a impostação da voz e o jeito do personagem.

O que você ouve nas ruas?
As mulheres falam: “Ah, esse coronel lá em casa!” (risos). Eu me divirto muito. Mas não são só as mulheres que me abordam não. Homens e mulheres pedem fotos, beijos, abraços, autógrafos e eu fico muito feliz com isso tudo o que está acontecendo. Só tenho a agradecer.

As mulheres piram na farda do Coronel Nunes?
Acho que os homens de farda povoam o imaginário feminino mesmo. Eu isso percebo agora. Há um fetiche com bombeiro, marinheiro, militar… Isso é o que eu ouço falar, vivendo essa vida militar desde maio do ano passado. Porque já antes da novela estrear, há uma preparação.

A última vez que você usou bigode foi em 2004, quando fez ‘Cabocla’. Já se acostumou novamente com o bigode? Pretende adotar esse visual?
Eu não me acostumei com o bigode. A Matilde nem reclama, mas me incomoda. Eu acho que esse bigode dá um charme, faz um tipo… Mas assim que acabar a novela, eu raspo o bigode!

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