Por retiros mais relevantes, por juventude mais relevante

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Murillo Leal, no Crer Pensando

Toda vez que se aproxima desta época do ano as propagandas a respeito do carnaval na televisão começam a veicular a mesma mensagem. “Se divirta, use camisinha.” Ao passo que nas nossas igrejas evangélicas, começamos a pensar no que vamos fazer, ou melhor, qual estratégia vamos usar para que os jovens prefiram nossos acampamentos e eventos do que as festas tradicionais. A partir daí, vale tudo! Desde “gospelizar” o mundo até “esconder-se do pecado” na chácara da igreja.

Historicamente falando, não sei bem como foi que a concepção de carnaval tornou significado de sexo a todo custo. Só sei que sempre que alguém fala desta data, automaticamente associamos a sexualidade. Porém, precisamos entender que santidade não é apenas aparentar bom comportamento, mas que santidade parte de dentro para fora por meio do Espírito Santo. Sendo assim, é possível que tenhamos alguém no meio dos ímpios que seja realmente santificado, ou outro entre os considerados santos que esconda um caráter de ímpio.

Existe uma inocência na liderança de jovens e adolescente atualmente que só imaginam sua juventude longe dos pecados. Agimos como que a a mãe super-protetora que faz vistas grossas para a realidade.

Nós, que somos a liderança da igreja, precisamos tirar a percepção equivocada de que os jovens das nossas igrejas não usam drogas, não transam e não cometem outros absurdos contra o evangelho. Talvez essa inocência faz com que tratemos os jovens com uma certa infantilidade que já deveria ter ficado para traz na meninice. Ficamos com medo de que eles fujam ao expor a verdade sobre eles.

Os pastores e liderança são tentados quase que todo ano a fazer “piruetas” para que seus jovens não percam o interesse em ir à igreja. Conheço projetos que investem milhões em espécie de blocos de carnaval, em artistas gospel apenas para entreter a moçada e tentar convencer-se de que curtir o carnaval, desde que as musicas sejam cristãs, as bebidas sejam sem álcool, e a euforia seja longe do mundo, vale a pena, entretanto quando você percebe pouco falam do evangelho vivo e real que não está preocupado com a aparência mas com o coração dessa juventude. É fácil impor regras e comportamentos, mas conversar abertamente sobre isso ainda é um desafio.

Precisamos focar nossos eventos não em entreter essa juventude, não em elaborar estratégias para prendê-los nos bancos das igrejas, mas precisamos confrontar seus corações, suas realidades, suas meias verdades, suas percepções de mundo, suas idéias formadas, e investir mais em desintoxicá-los desse mundo ao invés de apenas os alimentar desse mesmo lixo que ouvem o tempo todo, só que é um ambiente cristão.

Ou fazemos isso ou podemos estar vivendo um engano mútuo, no qual a liderança finge que pregou e os jovens fingem que foram impactados, mas todo ano a história se repete. Precisamos preparar a igreja de amanhã para o peso que o mundo colocará nas suas costas e não anestesiá-los com uma falsa ideia de evangelho. Esse sim é o nosso desafio.

 

 

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