Frustrado, jovem que organizou abaixo-assinado por saída de Renan diz que ação não deve gerar afastamento do político

Manifestantes protestam contra a eleição do senador Renan Calheiros para a presidência do Senado, em Brasília. Ele deixou a presidência do Senado em dezembro de 2007 e quase perdeu o mandato depois de ser acusado de ter despesas pessoais pagas pelo lobista de uma construtora

Manifestantes protestam contra a eleição do senador Renan Calheiros para a presidência do Senado, em Brasília. Ele deixou a presidência do Senado em dezembro de 2007 e quase perdeu o mandato depois de ser acusado de ter despesas pessoais pagas pelo lobista de uma construtora

José Bonato, no UOL

Sem imaginar que chegaria a tanto, o representante comercial Emiliano Magalhães Netto, 26, de Ribeirão Preto (313 km de São Paulo), se transformou num dos principais artífices da contestação da eleição de Renan Calheiros (PMDB-AL) para a presidência do Senado, no último dia 1º. Por iniciativa dele, já foram coletadas até agora mais de 1,5 milhão de assinaturas pedindo o impeachment de Calheiros, que também deverá enfrentar à frente do cargo processo no STF (Supremo Tribunal Federal) por estelionato, falsidade ideológica e uso de documentos falsos, a partir de denúncia feita pela Procuradoria-Geral da República.

No entanto, Magalhães Netto não esconde uma frustração: o fato de a petição que organizou não ter força para gerar um processo pelo afastamento de Calheiros do cargo. “Isso infelizmente não ocorre no Brasil, mas já acontece na Inglaterra e na Holanda.”

Na próxima semana, segundo Magalhães Netto, a petição será entregue a senadores em Brasília. A organização Avaaz, por meio da qual o representante comercial coletou o apoio à causa, promete fazer uma mobilização paralela à entrega da petição. O evento promete ficar à altura da campanha Veta Dilma, contra o novo Código Florestal, em 2012. A Avaaz não revela nem a data nem detalhes do evento.

“Corrupção”

Magalhães Netto afirma que o objetivo é que os senadores, principalmente os que votaram em Renan, se sintam pressionados pela sociedade e tomem uma atitude em relação ao presidente do Senado.

“Queremos bater de frente com a corrupção. Não podemos mais aceitar certos políticos no poder que fazem o que bem entendem com o nosso dinheiro”, afirma o jovem.

Apesar de Renan ter contado com o voto de 56 dos 81 senadores para conseguir pela segunda vez o cargo, o representante comercial tem esperança de que ele deixe a presidência do Senado em razão das pressões.

O sucesso da iniciativa, que ganhou uma média de 100 mil assinaturas por dia até agora, surpreendeu o próprio autor. “Talvez tenha sido o uso da palavra impeachment”, diz. Uma mobilização semelhante, feita por uma ONG do Rio de Janeiro, estacionou em 400 mil apoios.

Para o jovem, a eleição de Renan Calheiros, que renunciou em 2007 ao cargo de presidente do Senado para evitar a cassação, atentou contra os interesses da população. O senador é suspeito de ter usado notas frias para justificar despesas com pensão alimentícia de um filho fora do casamento.

“Escolheram uma data próxima do Carnaval, e a votação foi secreta.” Magalhães Netto afirma que foi “a indignação” que o motivou a iniciar o movimento pela deposição do senador. A petição no Avaaz foi criada no mesmo dia em que o político foi eleito, no início deste mês.

Renan emitiu nota oficial na sexta-feira (15) comentando a petição online que pede seu impeachment. O documento já tem mais de 1,5 milhão de assinaturas.

“A mobilização na Internet é lícita e saudável, principalmente, entre os jovens”, disse o senador. “O número de assinaturas [da petição] não é tão importante quanto a mensagem, o que importa é saber que a sociedade quer um Congresso mais ágil e preocupado com os problemas dos cidadãos. E assim o será”, continua.

Renan Calheiros foi eleito presidente do Senado em meio a uma série de denúncias, que o levaram, inclusive, a ser denunciado ao STF (Supremo Tribunal Federal) por três crimes: peculato (desvio de dinheiro público), falsidade ideológica e uso de documento falso.

Futebol e notícias em sites

Magalhães Netto é representante comercial de uma empresa de confecções e passa a maior parte do tempo em viagens a cidades do interior de São Paulo. Ele estudou direito e comércio exterior em faculdades de Ribeirão Preto, mas não concluiu nenhum dos dois cursos. Entre seus hobbies estão o futebol e a leitura de notícias em sites.

Magalhães Netto diz que não pretende se envolver com política partidária. “Não me sinto representado por nenhum dos partidos que aí estão”, disse.

Comentários

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1 Comentário

  1. Wan Zed disse:

    Emiliano, talvez seus poucos anos de vida ainda não lhe tenham dado a experiência necessária para lutar por causas que realmente valham o esforço. Concentre seus objetivos e recursos. Se você vai lutar por cachorros, daqui apouco estará lutando por insetos; e saiba que alguns merecem nossa especial atenção.
    Político corrupto é uma coisa, pesquisa biológica é outra. Um conselho de quem tem o dobro da sua experiência: procure conhecer bem, quem e o que você enfrenta, se quer algum resultado.
    Wan Zed

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