“Me escutem”

Daniel Oshiro, no Papo de Homem

No último dia 14 de fevereiro, meio da festa de carnaval aqui no Brasil, um garoto japonês de 11 anos cometeu suicídio na província de Osaka, se jogando na frente de um trem que passava pela estação.

O motivo: ele não queria que a prefeitura fechasse sua escola.

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A escola em questão ia ser integrada a uma outra da vizinhança em abril, de acordo com as autoridades locais. Em sua carta de despedida, o garoto escreveu:

“Por favor, em troca da minha pequena vida, cancele a integração da escola.”

Pouco antes de suicidar-se, ele havia reclamado que “Ninguém escuta nossos sentimentos, quando nossas escolas estão prestes a serem destruídas”, como um pedido pra que a escola não fosse fechada.

Sua mãe, 47 anos, disse:

“É lamentável que eu não pude entender os sentimentos do meu filho. Não quero que outras crianças pensem que podem mudar o mundo por meio de suicídio.”

* * *

Nota do editor: o PapodeHomem já publicou alguns textos sobre suicídio e educação. O texto do Daniel Oshiro – uma notícia poderosa, para o bem ou para o mal – serviu justamente para catapultar o nosso desejo de abrir uma discussão também poderosa. Para elucidar melhor nossa proposta, seguem alguns trechos de artigos correlacionados:

O que o suicida quer realmente matar?

A morte que o suicida anseia é a de uma realidade específica, e não de si mesmo. Mesmo aqueles que se sentem cansados das próprias ações estão cansados… do seu cansaço. Se pudessem, desapareceriam para si mesmos por um tempo e depois retornariam para ver se o cansaço passou.

É a dor de viver que querem aniquilar, mas eles não entendem que a dor não é um estado físico (apesar de ser sentida por muitos assim), mas uma concepção equivocada do mundo. O problema do suicida é que ele vê a realidade como algo concreto e não como algo que ele constrói.

Tédio, histeria e suicídio | Id #3

A tarefa da Educação

Escola e educação são coisas diferentes. As gerações mais novas são recebidas pelo povo que já está por aí há mais tempo e é nossa tarefa apresentar-lhes a vida e o mundo, procurar oferecer uma boa ideia de como as coisas funcionam e do que esperar das manhãs de domingo.

Afinal, não nascemos humanos. Dependemos de ambientes humanos, das relações sociais e dos vínculos afetivos culturalmente organizados para nos humanizarmos. Sem isso, somos Kaspar Hauser. O processo de formação integral de um ser humano, em suas variadas dimensões, isso é Educação.

Desescolarização: precisamos mesmo das escolas?

Só pra lembrar

“Sim, ah, talvez você não sofra, talvez seja rápido
Mas você terá tempo pra pensar
Por que eu desperdicei?
Por que não saboreei?
Você terá tempo porque você vai morrer
Sim, você vai morrer”

Você vai morrer

A educação tá mal

Digo isso porque se a educação não anda grandes coisas na educação básica, meus caros, é porque a educação não anda grandes coisas para quem a estuda.

Acabei de me formar em uma pós-graduação pública, de uma das ditas melhores universidades e que não foi grandes coisas na minha vida. Foram semestres intermináveis de experimentações e uma teoria que descansava em paz nas referências bibliográficas. Com as portas fechadas cada qual faz o que bem entende do seu currículo, não é mesmo? Com salas abarrotadas de alunos e impossibilidade de tempo para apresentação do tema e discussão, acho difícil qualquer curso mudar a vida de quem dele participa. Sem metas, objetivos e um currículo delineado pela necessidade do mercado, tudo pode ser muito bom (e dar tão certo quanto algumas histórias que vemos por aí) ou pode, simplesmente, não rolar.

Aprendizado à la carte

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