Todos somos preconceituosos

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Stephanie Zuma Lacerda, no blog Saída da Caverna

Não adianta, é hipocrisia dizer que não.

Somos TODOS preconceituosos, julgamos as pessoas sem conhecê-las realmente, somos cruéis em comentários e em ações, magoamos as pessoas, agimos com ignorância.

Mas o que faz existirem pessoas tão boas e pessoas tão ruins, se todos temos tudo isso dentro de nós?

Os pessimistas dirão que bem de perto são todos assim mesmo e não há o que fazer.

Mas eu, feliz ou infelizmente, não sou pessimista.

Eu acredito que dentro de cada um há o senso comum, os esteriótipos babacas, as piadas cruéis. Mas algumas pessoas jamais pensam nisso. Acham que chamar o cara de viado é normal, que chamar a moça de vadia não tem nada demais, que chamar o pastor de ladrão é só a realidade, chamar a feminista de feminazi é culpa dela, que todo ateu é arrogante, que fazer piada de preto não tem nada a ver.

A maioria das pessoas nem pensa nisso. Nem se vê como preconceituoso. Acha que é completamente normal. É aí que entra a diferença, a diferença crucial entre os tipos de pessoas. Existem pessoas que enxergam em si mesmos esse tipo de comportamento e trazem os preconceitos (encucados por toda vida pela sociedade e senso comum) do nível inconsciente para o consciente.

Toda vez que a vem a cabeça a piada sobre estupro, o comentário sobre a religião afro, a risada do moço que está acima do peso, o comercial que põe a mulher como objeto sexual, a pessoa que antes automaticamente reagiria perpetuando o preconceito, se contém. A pessoa para pra pensar, olha pra si mesma, lembra de que essas pessoas são gente, gente como ele, que essas ideias são sim preconceituosas e são essas piadas, comentários e comerciais que fazem a manutenção do senso comum, para que a sociedade permaneça preconceituosa pensando sempre que “não é nada demais”.

A diferença está nas pessoas que percebem isso. Não é “só uma piada” ou “apenas um comercial” é a ARMA, o meio, de fazer o preconceito parecer normal, permanecer inconsciente e passar praticamente imperceptível.

Traga todos os seus preconceitos à tona. Pense sobre eles. Reflita sobre TUDO que você normalmente reproduz sem pensar. Isso pode mudar completamente o tipo de pessoa que você é. Pode refinar seu caráter e te tornar alguém que vai olhar pras pessoas sempre como mais um ser humano como você. Não importa se é gay, negro, portador de necessidades especiais, ateu, religioso, mulher, jovem ou idoso, você verá uma pessoa e simplesmente uma pessoa como você. 

O preconceito está dentro de cada um de nós, pois fomos preenchidos INVOLUNTARIAMENTE com conceitos e ideias preconceituosas através de conversas, comerciais, opiniões, piadas e atitudes preconceituosas. Não seja um perpetuador de preconceitos, pense antes de falar e participar de qualquer tipo de conversa racista, machista, homofóbica, slutshaming ou qualquer outro tipo de preconceito. Qualquer mudança na sociedade começa em você.

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