Ciclista é atropelado na Av. Paulista e tem braço amputado no acidente

Segundo a polícia, motorista fugiu e jogou braço da vítima em córrego.
Vítima está internada com saúde estável; acidente ocorreu neste domingo.

Três faixas foram bloqueadas na Avenida Paulista após o acidente (Foto: G1)

Três faixas foram bloqueadas na Avenida Paulista após o acidente (Foto: G1)

Publicado originalmente no G1

O ciclista David Santos de Souza, de 21 anos, foi atropelado no início da manhã deste domingo (10), na Avenida Paulista, região central da cidade. De acordo com a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), o acidente ocorreu por volta das 5h30, no sentido Paraíso, próximo ao Metrô Brigadeiro. Com o acidente, o braço direito do ciclista foi amputado, segundo o Corpo de Bombeiros.

David está no Hospital das Clínicas com estado de saúde estável. Ele foi socorrido pelos bombeiros e levado para o hospital. A vítima está consciente e segue internada no Pronto-Socorro na tarde deste domingo.

Motorista que atropelou o ciclista na Av. Paulista chega com seu advogado ao 78º DP (Foto: Luiz Claudio Barbosa/Futura Press/Estadão Conteúdo)

Motorista que atropelou o ciclista na Av. Paulista
chega com seu advogado ao 78º DP (Foto: Luiz
Claudio Barbosa/Futura Press/Estadão Conteúdo)

Segundo a Polícia Militar, o motorista Alex Siwek, de 22 anos, estudante de psicologia, que atropelou o ciclista, fugiu sem prestar socorro e deixou o local com o braço da vítima, que segundo o motorista ficou preso no carro após o atropelamento. De acordo com a polícia, ele disse que jogou o braço em um córrego na Rua Ricardo Jafet após a fuga.

No início da tarde de domingo, Alex Siwek se apresentou na base do 3º Batalhão da PM, no bairro da Saúde, e foi conduzido ao 78º Distrito Policial, nos Jardins. Além do condutor, outras quatro testemunhas devem depor sobre o caso neste domingo.

“Segundo o que nos foi informado, os policiais militares refizeram, junto com o condutor, o trajeto percorrido após o atropelamento. Isso porque a vítima teve um braço amputado e os médicos afirmaram que seria possível um reimplante caso o membro fosse encontrado. Durante esse percurso, porém, o motorista contou que havia jogado o braço em um córrego na Rua Ricardo Jafet. Isso tornaria impossível a localização do membro”, afirmou ao G1 o investigador Eduardo Belmiro, que atua no 78º DP.

O motorista Alex Siwek comparece com a polícia em região do córrego na avenida Ricardo Jafet, onde ele confessou ter jogado o braço do ciclista que atropelou na Avenida Paulista, na manhã deste domingo (10) (Foto: Adriano Lima/Brazil Photo Press/Estadão Conteúdo)

O motorista Alex Siwek comparece com a polícia em região do córrego na avenida Ricardo Jafet, onde ele confessou ter jogado o braço do ciclista que atropelou na Avenida Paulista, na manhã deste domingo (10) (Foto: Adriano Lima/Brazil Photo Press/Estadão Conteúdo)

O advogado do motorista, Cássio Paoletti, que o acompanhava ao 78º Distrito Policial, disse que o cliente não prestou socorro à vítima porque temeu a reação de pessoas que estavam próximas ao local do acidente.

“Segundo ele, ele temia pela conduta dos que estavam ali presentes”, disse o advogado, sobre o fato de o motorista não ter prestado socorro à vítima. Questionado sobre o motivo de o jovem ter se desfeito do braço da vítima, ele disse: “Eu não posso entender. Como ser humano eu estou absolutamente chocado com isso. Eu acredito que foi um lampejo de consciência que o levou à polícia”, disse o advogado Cássio Paoletti.

Mãe do ciclista

Antonia Ferreira dos Santos, mãe do ciclista David Santos de Souza (Foto: Livia Machado)

Antonia Ferreira dos Santos, mãe do ciclista David
Santos de Souza (Foto: Livia Machado)

A empregada doméstica Antônia Ferreira dos Santos, de 51 anos, mãe do ciclista David Santos de Souza, disse que ouviu do filho a afirmação de que ele estava na ciclofaixa quando foi atingido pelo automóvel.

Antônia foi ao 78º Distrito Policial, dos Jardins, onde o motorista que atropelou seu filho presta esclarecimentos. Ao chegar, ela foi recebida com aplausos por cicloativistas que esperam do lado de fora.

No horário em que ocorreu o acidente, a ciclofaixa de lazer da Avenida Paulista ainda estava desativada. As ciclofaixas funcionam aos domingos e feriados nacionais, das 7h às 16h.
A bicicleta da vítima foi levada à delegacia e também pode ajudar a esclarecer o caso.

“Ele está muito assustado. Ele acha que está com o braço, mas sabe que não está. Espero justiça. Vamos procurar um advogado e ver o que vai acontecer. Isso vai ser uma luta muito grande para ele. Ele trabalha escalando prédios e gosta de adrenalina. Vai ser uma coisa muito ruim”, afirmou.

A mãe contou que o rapaz, que trabalha como limpador de vidros, saiu de Diadema, na Grande São Paulo, e se dirigia ao trabalho, em um prédio próximo ao Hospital das Clínicas.  De acordo com ela, o rapaz ia entrar às 6h no trabalho e deve ter saído de casa às 4h. Antônia afirmou que sugeria ao filho que fosse trabalhar de ônibus, mas ele preferia a bicicleta.

Pai do ciclista, o pintor Gerôncio Lopes de Souza, também afirmou que espera justiça. “A gente espera justiça. A gente vê muita gente que fica impune, mas a gente espera que a justiça seja feita.”

Ciclistas se reúnem em frente a delegacia nos Jardins (Foto: Lívia Machado/G1)

Ciclistas se reúnem em frente a delegacia nos
Jardins (Foto: Lívia Machado/G1)

Protestos

Ao retornar à delegacia neste início de tarde, o motorista foi recebido sob gritos de “assassino” e “porco” por um grupo de ciclistas que se reunia em frente ao Distrito Policial. Pela internet, cicloativistas planejam um protesto na Avenida Paulista, a partir das 16h deste domingo. “Não há um organizador. Isso está sendo feito pelas redes sociais”, explicou ao G1 Renata Falzoni, cicloativista e criadora do Night Bikers Club do Brasil.

Daniel Guth, 29 anos, que é consultor da área de mobilidade, está na delegacia desde as 11h30 para protestar. “É um absurdo o que aconteceu. Não foi um acidente, é mais uma tragédia envolvendo um ciclista”, disse. Guth participou, no sábado (9), da sexta edição do World Naked Bike Ride, um protesto que reuniu centenas de ciclistas na Avenida Paulista contra a poluição causada pelos carros e a vulnerabilidade dos cidadãos que escolheram a bicicleta como meio de transporte.

“Essa tragédia é superlativo do que acontece todos os dias com os ciclistas. Isso não é acidente. Do que sabemos, o motorista foi visto em zigue-zague na Avenida Paulista. Que tipo de cidadão é esse que arranca um braço, não presta socorro e percorre 7 km com o braço dentro do carro?”, questiona Renata Falzoni.

“Viemos para marcar presença. É mais uma vítima, mais uma tragédia que diz respeito aos ciclistas. Poderia ser com qualquer um de nós. Não entendo como alguém é capaz de atropelar e não prestar socorro”, afirmou Denise Markman.

Comentários

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2 Comentários

  1. MÍRIAM SONODA disse:

    MESMO QUE A CICLOVIA NÃO ESTIVESSE EM SEU HORÁRIO DE FUNCIONAMENTO O ARTIGO 201 DO CNT DETERMINA QUE O VEÍCULO FIQUE AFASTADO 1,5 DO CICLISTA. JÁ ESTAVA INFRINGINDO A LEI, RESSALTANDO O TREMENDO MAL CARÁTER PELA OMISSÃO DE SOCORRO E TER JOGADO O BRAÇO DA VÍTIMA NO CÓRREGO. NÃO TENHO ADJETIVO QUALIFICATIVO PARA UMA PESSOA COMO ESTA.

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