Assim vivemos, assim clamamos

Imagem: Google

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Ricardo Gondim

Vivemos como pêndulos. Suspensos por fios de seda, nada podemos contra o tiquetaquear inclemente do tempo. Ninguém é autônomo. Muitas vezes dependemos de mãos desconhecidas para nos manter em pé. Não passamos de um delicado cristal, perigosamente estilhaçável por qualquer descuido alheio. Nossas carências aparecem na perene busca de um colo que nos acolha.

Vivemos no limiar da morte. Somos torturados pela Fortuna – deusa que se esconde em esquinas sombrias, sempre se esgueirando de quem a procura. Padecemos de um mal incontornável: solidão. Quem entende os lamentos que mal conseguimos expressar?

Vivemos rodeados por minas prestes a arrancar as nossas pernas. Temos medo dos silêncios. Reticências parecem ardis; falas, contrafações; gestos, seduções; travessias, becos sombrios. Vielas se contorcem feito labirinto diante de nosso olhar. Fatigados, notamos que a jornada se alonga; e nós nos dissolveremos antes de entendermos o que jaz além.

Vivemos na ante-sala do desespero. Lucidez livresca não aplaca o choro do coração. Insanidade poética não basta para espairecer a sede do espírito. Rigidez religiosa não consegue aquietar os sentimentos viscerais. Sabemo-nos incompletos. Vemo-nos retalhados. Reconhecemo-nos bestiais.

Vivemos nas franjas de um oásis transcendental. Ouvimos o murmúrio de águas, paradoxalmente próximas, mas inalcançáveis. E diante da proximidade da alegria, murmuramos: “Até quando, Senhor? Esquecer-te-ás de mim para sempre? Até quando ocultarás de mim o rosto? Até quando estarei eu relutando dentro de minha alma, com tristeza no coração cada dia? Atenta para mim, responde-me Senhor, Deus meu! Ilumina-me os olhos para que eu não durma o sono da morte” (Salmos 13).

Soli Deo Gloria

Fonte: site do Ricardo Gondim

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