PSC vai se reunir para discutir sobre vídeo divulgado pelo pastor Feliciano

Líder do partido na Câmara disse que legenda discorda da iniciativa.
Sigla, no entanto, descarta a possibilidade de o deputado paulista renunciar.

O deputado Pastor Marco Feliciano (PSC-SP), durante primeira reunião em que presidiu a Comissão de Direitos Humanos (Foto: José Cruz/ABr)

O deputado Pastor Marco Feliciano (PSC-SP), durante primeira reunião em que presidiu a Comissão de Direitos Humanos (Foto: José Cruz/ABr)

Fabiano Costa, no G1

O líder do PSC na Câmara, deputado André Moura (SE), afirmou nesta terça-feira (19) que sua bancada irá se reunir nesta tarde para discutir sobre o vídeo divulgado na internet pelo presidente da Comissão de Direitos Humanos, Pastor Marco Feliciano (PSC-SP), que ataca opositores políticos e lideranças do movimento pelo fim da homofobia. Segundo Moura, o partido discorda da iniciativa do pastor paulista, que, na avaliação dele, mantém a tensão em torno do colegiado voltado para as minorias.

“Já orientamos ele [Feliciano], e vamos reafirmar essa posição, de que agora é o momento de ele divulgar ações positivas, não de estar divulgando posicionamento de que não vai renunciar. Não concordamos com isso. É o momento de produzir e prestar contas à sociedade”, criticou o líder do PSC.

Intitulado “Marco Feliciano renuncia”, o vídeo questionado pelo PSC foi postado nesta segunda (18) na conta do pastor no microblog Twitter. Com imagens de protestos contra o deputado e sessões da comissão, a narração do filme fala que a comissão sempre foi presidida por “simpatizantes de movimentos homossexuais” que fazem “discursos políticos inflamados contra cristãos”. O vídeo qualifica como “rituais macabros” os protestos contrários a Feliciano.Ao final, o vídeo diz que Feliciano decidiu “renunciar, renunciar sua privacidade, renunciar noites de paz e sono tranquilo, renunciar momentos preciosos com a própria família, a fim de não renunciar à Comissão de Direitos Humanos, para que a sua família seja preservada” e convoca os telespectadores a renunciarem também.

Mesmo pressionado por movimentos sociais e parlamentares, André Moura reafirmou nesta terça que o PSC continuará defendendo a permanência de Feliciano no comando do colegiado de direitos humanos. De acordo com ele, neste momento, não há a possibilidade de o pastor de São Paulo renunciar ao cargo.

“Vamos discutir essa situação com ele [o vídeo postado no Youtube]. Nós entendemos que agora é um momento de distensionar, de produzir para a comissão. O pastor Marco Feliciano tem uma responsabilidade muito grande. No meu entendimento, muito maior do que a dos outros presidentes que já passaram por ali. Toda a opinião pública e toda a imprensa vão estar acompanhando cada passo dele”, analisou Moura.

Histórico de polêmicas
O pastor Marco Feliciano causou polêmica, em 2011, ao fazer declarações polêmicas em redes sociais sobre o continente africano e homossexuais. “Sobre o continente africano repousa a maldição do paganismo, ocultismo, misérias, doenças oriundas de lá: ebola, Aids, fome…”, escreveu o parlamentar na ocasião.

Pastor da igreja “Tempo de Avivamento”, Feliciano é alvo de dois processos no Supremo Tribunal Federal (STF): um inquérito que o acusa de homofobia e uma ação penal na qual é denunciado por estelionato. A defesa do parlamentar nega as duas acusações.

Desde que o deputado do PSC foi indicado para a presidência da Comissão de Direitos Humanos, tradicional palco de defesa das minorias do país, integrantes de movimentos sociais passaram a reivindicar que ele renuncie ao cargo. Na estreia de Feliciano no comando do colegiado, na última quarta (13), houve um embate entre militantes de direitos humanos e fiéis de igrejas pentecostais.

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