Japoneses solitários recorrem ao serviço de ‘aluguel de amigo’

Maioria dos usuários é de jovens que não querem ser vistos sozinhos em eventos sociais

Imagem promocional da empresa Client Partners Reprodução da internet

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Publicado em O Globo

Fazer amigos não é fácil, mas parece que para os jovens japoneses é muito, muito difícil. De acordo com um artigo recente publicado no maior jornal do país, “Yomiuri Shimbun”, algumas pessoas preferem pagar para alugar os serviços de um amigo.

Segundo pesquisas citadas pelo jornal “Yomiuri Shimbun”, cada vez mais jovens têm problemas para fazer amigos no mundo real e recorrem ao aluguel de amigos, para evitarem serem vistos sozinhos e rotulados como solitários pelos colegas.

A companhia Client Partners, baseada em Tóquio, oferece uma variedade de serviços exclusivos, como a contratação de alguém para tirar fotos de você em um evento, ou pagar uma pessoa para guardar seu lugar na fila no dia do lançamento de um gadget, mas um dos serviços mais populares é o “aluguel de amigo”. Por uma taxa, você pode escolher estranhos (homens ou mulheres) para acompanhá-lo e agir como seus amigos.

Não é exatamente o cenário perfeito para uma noite divertida, mas os clientes dizem que é melhor do que enfrentar a solidão, lidar com a rejeição ou ser desprezado por pessoas conhecidas. De acordo com representantes da empresa Client Partners, há dezenas de solicitações de “aluguel de amigo” por mês. A maior parte delas vêm de jovens solitários que perderam toda a confiança.

“Essas pessoas não têm nenhum senso de auto-estima, então se importam muito com o que os outros pensam delas. Ao mesmo tempo, cada vez mais eles têm amigos virtuais”, diz Abe Maki, que trabalha para a Client Partners.

Kuoichi é uma dessas pessoas. No verão passado, ele queria ir para uma boate famosa, mas estava relutante em ir sozinho e detestava ser rejeitado por conhecidos aos quais ele já tinha pedido para acompanhá-lo em outras ocasiões. Então, ele chamou a Client Partners e pagou 30 mil ienes (cerca de R$ 640) pela companhia de duas meninas que nunca tinha visto antes.

A taxa pôs um buraco no orçamento Kuoichi, mas ele diz que valeu a pena. Os três se divertiram no clube e, depois, eles conversavam em um restaurante até o amanhecer.

“É um alívio saber que eles vão me aceitar incondicionalmente. Minha solidão se acalmou. É melhor gastar dinheiro do que se machucar”, afirma Kuoichi.

A empresa frisa que não há nada de sexual nesse tipo de serviço. O solitário povo japonês está apenas à procura de alguém para atuar como um amigo em lugares onde pode ser difícil de ser visto sozinho. O objetivo é manter as aparências.

dica do Rodrigo Bibo

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