Evangélicos capixabas articulam projetos em nome da fé

Culto em espaço público e fim das rave são algumas bandeiras

Pastores da Quadrangular, Messias Donato e Rogerinho Pinheiro atuam nas Câmaras de Cariacica e Vitória (Foto: Chico Guedes e Ricardo Medeiros)

Pastores da Quadrangular, Messias Donato e Rogerinho Pinheiro atuam nas Câmaras de Cariacica e Vitória (Foto: Chico Guedes e Ricardo Medeiros)

Letícia Gonçalves, na Gazeta Online

De um projeto para ceder espaços públicos à realização de eventos religiosos – somente evangélicos ou católicos – ao que proíbe que travestis e homossexuais utilizem seus nomes sociais, os vereadores da chamada bancada evangélica na Grande Vitória se articulam para fazer valer os valores que defendem.

Embora não se denominem como uma bancada unificada, parlamentares evangélicos admitem que conversam entre si, até por afinidade.

Em Vitória, os vereadores derrubaram o veto do ex-prefeito João Coser (PT) a um projeto do ex-vereador – evangélico – Esmael Almeida (PMDB). O então vereador era contra um decreto municipal que permitia que travestis e transexuais usassem o nome social que adotaram em repartições públicas, incluindo escolas. Assim, os travestis e transexuais não têm mais esse direito.

O vereador Rogerinho Pinheiro (PHS), pastor auxiliar da igreja Quadrangular, defende a decisão da Câmara.

“Não é questão só homossexual. Eles poderiam escolher qualquer nome. Alguém poderia querer se chamar Batman ou Homem-aranha. Uma criança a partir de 6 anos em uma escola é muito mais influenciável para escolher”, alegou Rogerinho.

Ele diz ainda que o fato de ser evangélico interfere na atuação parlamentar apenas pelo fato de ter “amor pela vida”.

“Às vezes há assuntos polêmicos na Câmara e querem trazer isso para as nossas costas. Quero o melhor para a cidade, mas quando entra na questão religiosa eu defendo os evangélicos”, afirmou o vereador.

Rogerinho já solicitou uma sessão solene da Câmara para comemorar o Dia do Diaconato Quadrangular, em maio.

Projetos

Devanir Ferreira (PRB) é pastor da Igreja Universal do Reino de Deus e também vereador da Capital. Ele não tem projetos voltados especificamente aos evangélicos e diz que o mandato serve à população em geral.

Em Cariacica, o vereador Messias Donato (PTdoB), pastor da Quadrangular, apresentou os dois primeiros projetos desta legislatura na Casa. Um deles dispõe sobre a cessão de espaços públicos para eventos de associações e igrejas.

“O projeto é para abrir as portas para que possam ser realizados cultos e eventos em prédios públicos como escolas, ginásios e auditórios”, explica ele, ressaltando, porém, que o projeto não contemplaria eventos espíritas, umbandistas e de outras religiões.

Outra evangélica na Câmara de Cariacica é Ilma Chrizostomo (PSDB), que avalia não haver uma bancada religiosa articulada na Casa e afirma que seu mandato não é voltado apenas aos evangélicos. “A gente só pede a Deus direção sobre o que vamos fazer”, diz Ilma.

Rave

O vereador de Vila Velha Almir Neres (PSD), que também é pastor evangélico, já protagonizou a apresentação de duas proposições polêmicas na Casa.

“No mandato passado fiz dois projetos que as pessoas acham que fiz por ser evangélico, mas não foi. Um foi contra as festas rave. Também lutei muito para que o kit homofobia (kit anti-homofobia, que seria distribuído pelo governo federal) não passasse. Meus projetos proíbem práticas sociais ilícitas”, afirmou Neres, que foi reeleito para mais quatro anos na Câmara.

Para Rogério Cardoso (PSDB), que também integra o time evangélico no Legislativo canela-verde, é hora de formar uma bancada. “Dá para a gente fazer uma boa bancada evangélica. É só falarmos a mesma linguagem em projetos de cunho religioso”, acredita.

Curiosamente, Cardoso é presidente de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que apura se Almir Neres contratou uma funcionária fantasma.

Bancada evangélica

Vitória

Na Capital, os vereadores evangélicos são ao menos cinco: Devanir Ferreira (PRB), Rogerinho Pinheiro (PHS), Fabrício Gandini (PPS), Wanderson Marinho (PRP) e Davi Esmael (PSB). A Casa derrubou um veto do ex-prefeito João Coser e impediu que travestis e transexuais usassem seus nomes sociais.

Cariacica

Na Câmara de Cariacica, entre os evangélicos há Ilma Chrizostomo (PSDB), Messias Donato (PTdoB). Donato acredita ser possível a formação de uma bancada “da família” no Legislativo municipal.

Serra

Uma das representantes dos evangélicos na Câmara da Serra, Neidia Pimentel (PR) diz que não faz projetos baseados em convicção religiosa, mas que os evangélicos buscam propor projetos sociais, nos quais a igreja também se engaja.

Vila Velha

Em Vila Velha, Almir Neres (PSD), Rogério Cardoso (PSDB) e Belo (PTC) fazem parte da chamada bancada evangélica. Na Câmara já surgiram projetos para proibir festas rave e barrar um kit anti-homofobia.

dica do Nietzsche Ribeiro Robson

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