Qual é a sua loucura?

Meu trabalho principal é o de fazer com que as pessoas reflitam sobre o que elas acreditam, e por que elas acreditam no que acreditam.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Publicado por Nelson Costa Jr

“Hei de refletir que aquilo que é provável não é necessariamente a verdade, e que a verdade nem sempre é provável”. Freud.

Normalmente, deixamos escapar entre os dedos o que uma certa pessoa está dizendo sobre Deus porque sempre tentamos encaixar seu discurso em nosso sistema pessoal de valores e crenças. Quando nos vemos diante de alguém que possui um argumento diferente do nosso, geralmente possuímos cinco ou seis contra-argumentos para confrontarmos tal pessoa. No final, de alguma forma, tentamos encaixar tal indivíduo em nosso padrão, ou assumimos que estamos com a Coca-Cola no deserto e ele não. Sempre buscamos pelo nosso “direito”.

Mas a questão é: Que direito?

Tal processo coloca qualquer pessoa numa única prisão: o disparate. Passamos a medir o nosso valor não de acordo com o espírito que compartilhamos com os outros, mas com a medida teológica que temos, ou com o curriculum vitae que possuímos. O axioma disso é que, tanto um quanto outro, no âmago de suas vidas, contemplam dúvidas que costumam esconder da essência que vivem – As dúvidas estão lá, mas elas não podem ser expressadas porque a mente se tornou um lugar recalcado de acordo com o vício mental particular.

Ou seja, nossas crenças fundamentais agem muitas vezes como um escudo, nos protegendo de um verdadeiro confronto com os nossos corações. Logo, nos assegurarmos num discurso não irá nos ajudar, precisamos admitir nossas descrenças para nos livrarmos de nossos versos lógicos e enfrentarmos o que realmente acreditamos. Precisamos confrontar as máscaras que produzem essa sensação de lugar, propósito, e perspectiva, para nos libertarmos do desvario.

O problema é que existir criticamente é pleonasmo. A existência em si já é pura crise. Lamentavelmente transferimos tudo isso para algum alvo –  O outro. Lidamos com uma forma de crença ‘suspensa’, uma crença que só existe como algo que não é completamente reconhecido (publicamente), um segredo pessoal e obsceno. Como nas questões eclesiásticas, é fácil criticarmos a Igreja e líderes religiosos como  Silas Malafaia e Marco Feliciano, mas acredito que necessitamos ir  além desse tipo de censura. Precisamos confessar que somos asnos quebrados cheios de ceticismo. Precisamos confessar publicamente que não acreditamos mais nas Sagradas Escrituras, na Igreja, no filho de Deus, no Altíssimo, e na verdade, para que possamos ver novamente o despertar da encarnação de Cristo entre nós.

Não estou tentando convencer ninguém abraçar minhas idéias. A propósito, elas não são minhas, basta vasculhar os manuscritos de Jacques Lacan, Slavoj Zizek, Bruce Fink, Peter Rollins, Paul Hessert and Frederiek Depoortere que você irá encontrá-las. Estou tentando simplesmente anunciar a importância da honestidade para aqueles que dão algum crédito ao mistério.

Ocupo-me em disseminar uma mensagem que nos convida a enxergar uma fé que se encontra entre nossas rachaduras. Não sou contra a Igreja como muitos pensam, pelo contrário, sou a favor dela. Minha preocupação com a maioria delas é o fato de funcionarem como um centro de distribuição de narcóticos, e seus lindos líderes como traficantes. Quero somente provocar as pessoas a deixarem o vício de Deus, a saírem das condições perfeitas, e a desmascararem o sofrimento interno através de um confronto direto com suas realidades. Penso que estamos gastando muito tempo com teologias desnecessárias – O que vai acontecer quando eu morrer? -, deixando assim de viver antes de morrer.

Meu trabalho principal é o de fazer com que as pessoas reflitam sobre o que elas acreditam, e por que elas acreditam no que acreditam. Enfim, por mais que tentemos categorizar, homogeneizar os seres humanos, é necessário compreendermos que não somos idênticos, que apenas nos identificamos, e que precisamos sempre nos perguntar: Qual é a nossa loucura?

Comentários

Este QR-Code permite acessar o artigo pelo celular. QR Code for Qual é a sua loucura?

Deixe o seu comentário