Assembleia de Deus tem disputa ‘entre gerações’ nesta quinta

Pastores participam do primeiro dia do Congresso da Assembleia de Deus em pavilhão de exposições, em Brasília (foto: Andre Borges/Folhapress)

Pastores participam do primeiro dia do Congresso da Assembleia de Deus em pavilhão de exposições, em Brasília (foto: Andre Borges/Folhapress)

João Carlos Magalhães, na Folha de S.Paulo

Maior denominação evangélica do país, a Assembleia de Deus realiza hoje em Brasília uma megaeleição para escolher a cúpula de sua principal entidade.

Participarão aproximadamente 24 mil dos mais de 50 mil pastores da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil, a mais tradicional da igreja –fundada em Belém em 1910.

É o maior pleito de sua história, antecedido por três dias de plenárias e cultos lotados realizados num centro de eventos da capital.

Foram necessárias 20 mil cadeiras para comportar o oceano de homens vestidos de terno com suas indefectíveis bíblias. Diante do esgotado sistema hoteleiro de Brasília, boa parte deles acampou em torno do local.

Entre os pastores está Marco Feliciano (PSC-SP), chefe da Catedral do Avivamento, deputado e presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, acusado de racismo e homofobia.

A despeito da atenção recebida por estar no centro de uma onda de protestos há mais de um mês, Feliciano é considerado “peixe pequeno” na complexa política interna da entidade, comandada pelo aliado José Wellington, 78, da Assembleia em São Paulo, desde 1988.

Discreto, apoiado pela maior parte dos deputados ligados à denominação e cioso das antigas tradições da Assembleia de Deus, Wellington é tido como favorito para vencer a disputa.

Seu concorrente, pela terceira vez, é Manuel [sic] Câmara, 56, líder de Belém que se apresenta como um reformador da igreja –quer o uso maciço da TV e o fim da reeleição para o cargo de presidente da convenção. Quem for eleito vai chefiar a entidade pelos próximos quatro anos.

A disputa é acompanhada pelos 12,3 milhões de fiéis de diferentes ramos da Assembleia, que representam quase um terço de todos os evangélicos do Brasil. Desde 2000, esse rebanho cresceu 46%.

Ser eleito presidente da Convenção Geral não significa, no entanto, influência direta sobre os fiéis. Diferentemente de algumas neopentecostais, como a Universal do Reino de Deus, que não realizam eleições e são normalmente ligadas a um único líder, a Assembleia tem uma estrutura descentralizada.

O que está em jogo é a ascendência política e teológica sobre os pastores e o domínio da editora da Convenção, a Casa Publicadora das Assembleias de Deus (CPAD), dona de um rendimento desconhecido publicamente, mas que se sabe ser vultoso.

Esses fatores ajudam a explicar a disputa, que tem elementos de um pleito para cargo público: altos gastos com propaganda, acusações mútuas e uma agenda extenuante dos candidatos.

“É uma guerra”, disse à Folha Câmara, que tem dormido três horas por noite nesta semana e começou a rodar o país há dois meses numa campanha que, segundo seu adversário, custou R$ 12 milhões –o que ele nega.

Para os candidatos à presidência da convenção, não se trata de dinheiro, mas da busca de um “ideal”. “Esta é uma disputa geracional.”

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Comentários

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1 Comentário

  1. Hélio Corrêa disse:

    Assembleia de Deus??? Não… Assembleia de EUS, de egos inflamados e ganância despudorada em busca de poder mundano… já frequentei lá, eles se acham mais santos do que todo mundo; foi aqui em Santa Maria (RS); ficaram cheios de lambeção com um candidato a deputado que foi lá no púlpito pedir voto. O púlpito é para A Palavra, não para politicalha barata.

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