Marina Silva rebate críticas por comentário em defesa de Marco Feliciano

Marina Silva durante show na região central de São Paulo (foto: Juliana Knobel/Frame /Folhapress)

Marina Silva durante show na região central de São Paulo (foto: Juliana Knobel/Frame /Folhapress)

Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo

Resfriada, Marina Silva cobre a cabeça com um xale para se proteger do sereno ao sair do Cine Joia, em SP, na quinta-feira (16), depois de assistir ao show de Adriana Calcanhotto e Nando Reis. Os cantores se apresentaram em apoio à Rede, partido que a ex-senadora tenta fundar.

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Ela se defende da chuva e das críticas após declaração de que o deputado Marco Feliciano (PSC-SP), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, estaria sendo atacado por ser evangélico, e não por suas declarações consideradas homofóbicas e preconceituosas.

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A coluna questiona se o fato de Feliciano ser pastor e ter sido eleito graças ao apoio da igreja não torna legítimo informar a sua condição. “Eu acho que qualquer pessoa… Ninguém diz assim: Vicentinho [deputado federal do PT], esse sindicalista. Ou a Marina, a professora Marina. Eu não quero é que fiquem distorcendo aquilo que falei. O que estou pedindo é que a gente faça o debate no mérito. E no mérito das posições de quem quer que seja, inclusive das minhas.”

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Às 23h30, enquanto Marina sai, a pista da casa de shows tem copos e garrafas de plástico, guardanapos e latinhas de alumínio deixados por parte do público de 1.300 pessoas. Os ingressos (entre R$ 30 e R$ 40) esgotaram. A renda foi para a Rede. Cerca de 500 assinaturas foram coletadas. O movimento diz ter 318 mil dos 500 mil apoios necessários para a criação de um partido.

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Arnaldo Antunes cantou uma música. O empresário Alexandre Youssef, ex-PT, discotecou. “Não vou me filiar à Rede porque não posso. Trabalho na Globo e tenho outros projetos, mas vou apoiar como puder”, afirmava ele, que é consultor e comentarista do “Esquenta!”.

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A socióloga Neca Setubal, responsável pela captação de dinheiro para a legenda, contava que a receita ainda é pequena. Vem da comercialização de camisas e canecas –vendidas no show a R$ 15 cada uma– e de doações individuais. “Sem os voluntários, o movimento já teria acabado.” Cafés e almoços para arrecadar fundos têm ocorrido de maneira discreta, a pedido dos apoiadores, dizia a herdeira do banco Itaú.

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Casais homossexuais cantavam juntos na pista. Dois rapazes, abraçados, diziam apoiar Marina, mas gostariam que “ela se posicionasse mais claramente” sobre união de pessoas do mesmo sexo. “Ela tem que dizer o que pensa”, afirmava um deles. No fim do show, dois homens se beijaram demoradamente na saída principal.

Nando Reis se apresenta no Cine Joia, em apoio à Rede Sustentabilidade (foto:  Júlio Costa/Futura Press/Folhapress)

Nando Reis se apresenta no Cine Joia, em apoio à Rede Sustentabilidade (foto: Júlio Costa/Futura Press/Folhapress)

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