Faroeste caboclo’ ganha paródia de videogame dos anos 80

“Dragon Quest Caboclo” foi produzido por canal de humor de irmãos
No ar há quatro dias no YouTube, canção tem mais de 370 mil views
Música foi composta em um dia em resposta a comentário de usuário

Evelyn Soares, em O Globo

RIO – Os 168 versos de “Faroeste Caboclo” contam a trágica história de João de Santo Cristo, Maria Lúcia e Jeremias. A terceira música mais longa de Renato Russo – tem pouco mais de 9 minutos de duração e perde para “Metal contra as nuvens” e “Clarisse”- foi transformada em filme homônimo. A vida do compositor antes de formar o Legião Urbana é contada no longa “Somos tão jovens”, e também é homenageado no filme independente para a a internet, “Eu te amo, Renato”.

Nesta frutífera época de produções artísticas sobre a banda e seu líder, os irmãos Castro – não os de Cuba – resolveram lançar sua ode à Legião Urbana e ao videogame dos anos 80 “Dragon Quest”. Junto com a banda Bit.Players, fizeram a paródia “Dragon Quest Caboclo”, em que um herói ajuda um feiticeiro a achar sua filha Olívia e destruir o vilão Malaquias. A música, última da série “Um joystick, um violão”, foi a criativa resposta a um troll do canal Marcos Castro.

– O público da internet pode se blindar e falar as verdades mais duras e cruéis nos comentários, e sempre tem aquele troll que quer zombar. Em um desses comentários, pediram, rindo, para fazer ‘Faroeste Caboclo’. Ele aceitou o desafio e fez a música sozinho em um dia – conta Matheus, irmão mais velho de Marcos.

Em março do ano passado, o compositor da paródia gamer passou um dia compenetrado em frente ao computador até que a letra saísse.

– Toda a história foi feita em um dia atípico. De uma lado ouvia Renato, do outro cantarolava. Já entendo o processo de criação de rimas, e levei um dia inteiro para fazê-la. Na revisão, mudamos um seis ou sete versos – explica Marcos.

Parte da estética do jogo ficou a cargo de Caio Yo, de 26 anos. Dividindo o tempo com outros trabalhos, o ilustrador e uma equipe levaram seis meses para desenvolver as ilustrações e a animação.

– Fizemos o desenho para relembrar os games em 8 e 16-bit, mas usamos recursos modernos de animação. Parte delas foram feitas frame a frame, mas muitos dos efeitos foram trabalhados direto na edição – resume Yo.

A ausência do nome do herói é para que o usuário sinta que o vídeo é baseado nas narrativas de RPG, em que o jogador se projeta em seu personagem. O do vilão, Malaquias, é uma referência ao profético livro da Bíblia. A história, contada em pouco mais de 9 minutos – assim como a canção original -, está bombando no YouTube. Há quatro dias no ar, o vídeo já foi visto mais de 376 mil vezes, e sofrerá adaptações para ser inscrito como um curta em festivais.

A saga em que herói e demônio se cruzam é mais uma demonstração do amor dos irmãos por música e games. Ambos gostam de Legião Urbana, e já tinham feito outra paródia da banda, “Geração Pokébola”. O projeto “Um joystick, um violão”, que une MPB e jogos, juntou Matheus e Marcos, de 29 e 27 anos. As idades próximas aumentam o companheirismo dos irmãos cariocas, mas, na infância, eles sequer dividiam o controle do jogo.

Já adultos, ingressaram na comédia em épocas distintas. O mais novo começou a carreira quando fazia seu mestrado em Matemática, e o mais velho embarcou quando já estava formado em Letras (Inglês/Português).

– Sempre fomos muito amigos, mas o trabalho no canal, a música e o videogame selaram nossa união – afirma Marcos.

Os vídeos começaram a ser feitos em 2011, quando os canais de humor ainda engatinhavam no YouTube. O primeiro da série é “New Aquarela” – baseado em “Aquarela”, de Toquinho -, com mais de um milhão de visualizações. Para Matheus, o aumento de número de canais de humor no site apresenta uma tendência no mercado:

– O ‘Porta dos Fundos’ mostra que é possível ser independente e fazer conteúdo de qualidade. Fazemos um produto com aceitação do público.

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