Vídeo mostra ação policial contra grupo de jornalistas durante protesto em SP

Adriana Farias, Felipe Souza e Fernanda Pereira Neves, na Folha de S.Paulo

Um vídeo publicado na noite desta quinta-feira no YouTube mostra a ação de um grupo de policiais militares contra jornalistas durante protesto contra o aumento das tarifas no centro de São Paulo.

As imagens foram feitas pelo jornalista Diego Cruz, 30, do portal do PSTU (Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado), na praça Roosevelt.

No vídeo, os repórteres se identificam e pedem para que não sejam atingidos. Os policiais ignoram o pedido e disparam tiros de borracha contra os profissionais da imprensa. Em seguida, jogam bombas de gás lacrimogênio no meio do grupo, quando se dispersa.

“O protesto estava calmo e do nada eles começaram a atirar na imprensa”, disse a jornalista do PSTU Raiza Rocha, 27, que fazia a cobertura do protesto ao lado de Cruz. “A gente gritava dizendo que éramos jornalistas, mas eles não estavam nem aí”.

PROTESTO

A polícia deteve ao menos 192 pessoas nesta quinta-feira, quarto dia de protestos contra o aumento das tarifas no centro de São Paulo. Desses suspeitos, 161 foram encaminhados ao 78º DP (Jardins) e outros 31 para o 1º DP (Liberdade).

Segundo policiais ouvidos pela Folha, ao menos 14 deles foram presos em flagrante. Entretanto, a polícia não informou sob suspeita de quais crimes eles foram indiciados.

Cerca de cem pessoas ficaram feridas, segundo o Movimento Passe Livre, que organizou a manifestação.

Entre os feridos há sete jornalistas da Folha, sendo que dois deles foram atingidos por tiros de bala de borracha na cabeça.

O prefeito Fernando Haddad (PT) afirmou na noite de hoje que a manifestação de hoje contra o aumento das passagens de ônibus, metrô e trens foi marcada pela “violência policial” .

“Na terça, a imagem que ficou foi da violência dos manifestantes. Hoje, infelizmente, não resta dúvida, a imagem que ficou e da violência policial”, disse o prefeito. Ele disse que nesta sexta-feira avaliará as medidas que tomará para tentar conter a escalada de violência nos protestos.

Policial agride casal que tomava cerveja em bar na avenida Paulista, próximo ao Masp, ontem à noite, e recebeu ordem para que deixasse o local (foto: Eduardo Anizelli/Folhapress)

Policial agride casal que tomava cerveja em bar na avenida Paulista, próximo ao Masp, ontem à noite, e recebeu ordem para que deixasse o local (foto: Eduardo Anizelli/Folhapress)

INÍCIO

Esse é o quarto protesto contra as passagens de ônibus, na última semana. As pessoas começaram a se concentrar por volta das 16h, quando já havia grande quantidade de policiais, inclusive fechando o viaduto do Chá, onde fica a Prefeitura de São Paulo, e revistando e interrogando pessoas.

Antes mesmo do início da passeata, já havia 30 pessoas detidas. Entre os detidos está o repórter da “Carta Capital”, Piero Locatelli.

O confronto começou quando a PM tentou impedir os cerca de 5.000 manifestantes de prosseguir a passeata contra o aumento dos ônibus pela rua da Consolação, no sentido da avenida Paulista. Com isso, houve bombas de gás lacrimogêneo e tiros de borracha disparados contra os manifestantes, que atiravam pedras e outros objetos.

Algumas bombas atiradas pelos policiais foram parar em um posto de gasolina, no cruzamento com a rua Caio Prado. Já a fumaça das bombas formou uma névoa que fez “desaparecer” os carros que ficaram parados na região.

Manifestantes ajoelham-se diante de policiais em ato contra o aumento das tarifas do transporte público na capital paulista (foto: Sebastião Moreira/Efe)

Manifestantes ajoelham-se diante de policiais em ato contra o aumento das tarifas do transporte público na capital paulista (foto: Sebastião Moreira/Efe)

Comentários

Este QR-Code permite acessar o artigo pelo celular. QR Code for Vídeo mostra ação policial contra grupo de jornalistas durante protesto em SP

1 Comentário

  1. Ronaldo Castro disse:

    Barbaridade policial contra jovens que lutavam pelos direitos dos trabalhadores que utilizam duas ou mais conduções para chegarem ao seu serviço. Do governador tucano não esperamos nada, pois já conhecemos sua prática. Elitista, arrogante e descompromissado com o povo mais humilde.
    Agora, surpresos ficamos com a declaração do prefeito petista: “Não admitiremos baderna!” Baderna, ou reação aos ataques da polícia? Pois foi isso que todos viram. O que vocês querem, uma manifestação estática, silenciosa, para ninguém ouvir o clamor dos direitos?
    Esqueceu-se das grandes lutas do PT nas ruas?
    TOME JUÍZO PREFEITO HADDAD!!!

    Obs: Algumas pesquisas populares saíram do ar, quando os resultados estavam favoráveis à manifestação. Entranho isso, não é?

Deixe o seu comentário