Meu partido é um coração partido: Aprendendo a ouvir os clamores das ruas

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E dar-vos-ei um coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei da vossa carne o coração de pedra, e vos darei um coração de carne.
Ezequiel 36:26

Caio Marçal, no Blog do Fale

Participamos de uma manifestação em Belo Horizonte, onde os mesmos sentimentos de transformação que levaram milhares de outras pessoas em boa parte do país também contagiou muitos em “terras inconfidentes“. Como “bons falantes“ que somos, estávamos ansiosos para entender o que estaria por trás dessa surpreendente onda nova.

Embora o Tribunal de Justiça de Minas Gerais tenha acatado o pedido do Governo do Estado que determinou que não houvesse manifestações nessa época de Copa das Confederações, uma decisão no mínimo absurda numa sociedade democrática, um coletivo de organizações, inicialmente ligadas ao tema do passe livre e da mobilidade urbana, conseguiram mobilizar um grande número de cidadãos. É Preciso dizer que Belo Horizonte é a que tem a área viária mais comprometida por engarrafamentos e lentidão no país e tem um transporte público deficiente.

Num tom extremamente pacífico e em alguns momentos festivos, foi possível perceber o quão é revelador quando participamos desses atos. Sinalizam que existem outros retratos sobre esse ativismo que colocam em cheque os conceitos e preconceitos que o senso comum, fortemente manipulável pelos donos do Quarto Poder tenta impingir.

Não podemos deixar batido que essa articulação teve componente de mobilização inicialmente nas redes sociais. Divulgada na Web como “reunião na Savassi“, muitas pessoas se aglomeraram para esse ato público. Ao chegar lá, logo deparamos com um cartaz que dizia  “Saímos do Facebook“.  Quem sabe essa afirmação seja uma alfinetada em alguns críticos que desqualificam demonstrações de solidariedade em redes sociais. Quem sabe…

Algo longo da manifestação, algo nos chamou a atenção: uma diversidade considerável de bandeiras que mostram o quanto nosso país precisa melhorar em relação a promoção de direitos essenciais para seu povo e o como há uma insatisfação crescente. Os manifestantes, conscientes do caráter aglutinador e catalisador dessa nova espécie de  engajamento, não permitiam que alguns partidos empunhassem suas bandeiras. Quem teve a “coragem“ de fazer isso, recebeu sonoras vaias. “Aqui não tem partido“, refrão que ecoou amplamente e reverberou pelas ruas centrais da capital mineira.

Não deixou de ser tocante ver uma jovem com um cartaz que reproduzia a letra de uma música: “meu partido é um coração partido“. Ao ler essa mensagem, não pudemos parar de pensar em outra coisa senão o quão necessário é ter pessoas que exercem essa militância do coração,  que é capaz de se condoer ante a dor e faz dela um ato em defesa da vida. Que não vivem ensimesmados em seu individualismo ególatra ou fechados em guetos ideologizados, mas conseguem reconhecer a demanda dos outros e por eles ir para as ruas defender o coletivo!

Sim, sonhamos com a reprodução de uma nova geração que não se importa apenas com suas próprias bandeiras, mas exerce essa santa cidadania cordial, que contempla o próximo em suas dores. Seja nosso partido não partidarizado, mas que nosso partido seja o todo, o bem de toda coletividade.

Pensando melhor: não deveriam ser os cristãos ser partícipes dessa nova corrente em favor de toda criação? Enfim… Imagens, cenas e questionamentos que renovam nossos sonhos e tiram nosso sono.

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Caio Marçal é missionário e Secretário de Mobilização da Rede FALE.

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