Mais 5 mitos sobre produtividade desbancados pela ciência (e pelo bom senso)

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Por Guilherme Souza, no Hype Science

Você provavelmente já ouviu alguém dizer que seria mais produtivo “se o dia tivesse 30 horas” ou que “uma mesa bagunçada acaba com a produtividade”. Seguindo a linha de um artigo anterior, o site Lifehacker reuniu esses e outros mitos que foram contrariados por estudos científicos.

Mito #1: Mais horas de trabalho = mais resultados

Em 2011, a Organização Internacional do Trabalho publicou uma compilação de uma série de pesquisas sobre produtividade e horas de trabalho. A conclusão principal é a de que, ao invés de ajudar, uma carga horária maior pode justamente atrapalhar, resultando em trabalhos de menor qualidade e em uma diminuição da qualidade de vida da pessoa.

Outro material, publicado pela Fundação Europeia para a Melhoria das Condições de Vida e de Trabalho, analisou 16 países da União Europeia e mostrou que pessoas com horários mais flexíveis ou que trabalham em meio período são, em geral, mais comprometidas com seu trabalho e têm uma vida pessoal mais tranquila, em comparação com quem tem uma rotina de trabalho mais longa – e esse fenômeno foi observado também fora da Europa, em outros estudos.

De modo geral, uma carga horária de 30 horas semanais seria o limite ideal para se conseguir o máximo de produtividade. Como não é algo ao alcance de todo mundo, a dica é fazer pausas periodicamente durante a execução de tarefas e, na medida do possível, se abstrair do trabalho quando estiver fora do expediente, para poder, de fato, “recarregar as baterias”.

Mito #2: É bom e necessário fazer várias coisas ao mesmo tempo (multi-tasking)

Enquanto você escreve um e-mail, pensa no relatório que tem que entregar amanhã, liga para um fornecedor, marca uma reunião e responde a uma mensagem no celular. Parece produtivo? De acordo com o pesquisador David E. Meyer, da Universidade de Michigan (EUA), multi-tasking, ou fazer multi-tarefas, não apenas diminui a produtividade, mas também aumenta as chances de se cometer erros nas diversas tarefas, por causa da falta de foco.

O segredo, de acordo com Meyer e diversos outros pesquisadores, é se focar em uma tarefa de cada vez, mas ter flexibilidade para, se necessário, focar em outra (parar de escrever um e-mail para poder atender a um telefonema, por exemplo), ao invés de pensar em várias ao mesmo tempo.

Mito #3: Procrastinar é sempre ruim

O “fantasma da procrastinação” está à espreita de praticamente todo mundo, seja de quem “gosta de trabalhar sob pressão”, seja de quem simplesmente tem dificuldade em fazer as coisas com antecedência. O problema é que combater esse fenômeno a todo custo pode levar a pessoa a desvalorizar os momentos de descanso, como se cada minuto “improdutivo” fosse, necessariamente, um desperdício de tempo.

De acordo com um artigo publicado em 2009 no Journal of Neuroscience, “sonhar acordado” (algo típico de momentos de procrastinação) é saudável e pode ajudar a pessoa a aumentar o foco na hora de voltar ao trabalho. Outro estudo, feito em 2011 por pesquisadores da Universidade de Limerick (Irlanda), mostrou que o tédio (um “primo” da procrastinação), além de ser um estado mental saudável e normal, pode impulsionar interações sociais positivas.

Dependendo do momento, procrastinar pode ser justamente uma estratégia para aumentar sua produtividade – mas nada de abusar.

Mito #4: Para ser produtivo, é preciso ter um ambiente de trabalho limpo e organizado

Vamos com calma nesse aqui: existem estudos que dão suporte a locais de trabalho organizados como estratégia de produtividade, e estudos que mostram que a “bagunça” pode ser benéfica. O segredo, no caso, é descobrir o que funciona para você. Uma mesa cheia de coisas tira sua concentração? Organize-a. Excesso de ordem faz com que você se sinta “preso”, sem espaço para criatividade? Bagunce-a na medida em que julgar certa.

Mito #5: Produtividade é sinônimo de “fazer muitas coisas”

Embora não haja estudos específicos para contrariá-lo, esse mito pode ser combatido pelas evidências mostradas nos estudos citados acima. Não adianta ter um monte de “resultados” no final de um dia de trabalho, se o trabalho não tiver sido bem-feito – e é difícil fazer as coisas direito quando não se mantém o foco em uma tarefa de cada vez, ou quando se ignora a necessidade que o corpo e a mente têm de descansar de vez em quando.

Além disso, uma carga de trabalho elevada não garante que sua disposição para lidar com ela será igualmente grande (e quem já passou horas a fio trabalhando em uma tarefa sabe que força de vontade tem limites).

No fim das contas, seu conjunto de métodos para se manter produtivo deve ajudar você a fazer as coisas bem e em menos tempo, e isso envolve um olhar atento aos próprios limites e à própria personalidade – afinal, nem todo mundo pensa da mesma forma, e uma estratégia que funciona para uma pessoa não necessariamente vai funcionar para outra.

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