Bióloga Raquel Arouca: “Creio em um Deus criador, mas não sou criacionista”

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Alex Fajardo, no Facebook

Ontem (17) à noite no Mackenzie Campinas o debate “Fé e Ciência” rendeu. A mesa foi formada pelo mestre em História da Ciência Enézio Almeida e a bióloga e doutora em Entomologia Raquel Arouca.

Ambos os debatedores evangélicos em um Universidade Presbiteriana. Poderia ter sido um “debate” unilateral acerca do tema, até Raquel Arouca (foto) afirmar: “Eu creio em um Deus criador, mas não sou criacionista. Os criacionistas leem a Bíblia literal, como se fosse um artigo científico”.

No momento das perguntas, a primeira questão foi como ela conseguia ser evangélica, acreditar na Bíblia e não ser criacionista?

Ela respondeu: “Eu prefiro acreditar em um Deus muito mais criativo, inteligente e complexo do que o eu chamo de um deus fada que fez o mundo pronto. Por que não crer em um Deus que criou por meio de um processo, um processo mais longo, criativo e mais complexo?”

Comentários

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7 Comentários

  1. sleiman disse:

    E por que um deus, em sendo deus, não poderia criar tudo num estalar de dedos? Se as pessoas tomarem a Bíblia para lê-la, de acordo com suas conveniências, ela continuará sendo o que sempre foi: um compêndio de contradições. Fico imaginando o que essa paradoxal doutora diria sobre a história de Lázaro, aquele que, morto e em estado de decomposição, fora ressuscitado por Jesus… Há outras muitas questões bíblicas que, indubitavelmente, colocam crenças e Ciência em lugares muitíssimos opostos.

    • Fabio Coca disse:

      Prezado, sem querer polemizar, muito menos ser ofensivo, a questão pode ser resumida no fato de que as evidencias de que temos no mundo, inclusive o nosso próprio mundo, contradizem e são incompatíveis com a narrativa do Gênesis. Se as evidencias geológicas, paleontológicas e biológicas fossem exatamente as mesmas descritas na Bíblia a realidade seria outra e seriamos unanimes em concordar com ela. Mas

  2. Raquel disse:

    Pq as pessoas tendem sempre a colocar palavras extras onde não foram ditas? Não disse em nenhum momento que não creio em milagres! E eu creio, afinal a bíblia continua sendo minha fonte e inspiração de fé e valores. É óbvio que Deus tem todo o poder para criar o Universo em um estalar de dedos, eu também creio nisso. Contudo, a minha experiência pessoal com Cristo e com a ciência, me faz pensar que se Deus foi cuidadoso ao extremo ao criar criaturas inteligentes e complexas por que Ele criaria o restante da criação em um estalar de dedos? Não somos sua imagem e semelhança? Então eu, particularmente (e as pessoas não precisam concordar), prefiro crer em um Deus muito mais inteligente do que eu, muito mais criativo, muito mais complexo, que fez a opção em usar tudo isso para criar o Universo. Chego a esta conclusão olhando para Jesus, que era Deus, e ao invés de usar o Seu poder lá do céu para nos converter (ele poderia muito bem ter optado por este caminho) optou pelo caminho mais difícil, complexo e desceu à Terra como homem, para viver em carne e osso, sofrer as mesmas dores e alegrias e no final morrer por nós. Tudo isso me faz crer em um Deus cuidadoso nos mínimos detalhes, inclusive na hora da criação do Universo. E sobre a questão “ciência x fé”, Francis Collins (ex-diretor do Instituto Nacional de Pesquisa do Genoma Humano, Estados Unidos) diz: “Podemos ler o livro da Bíblia, podemos ler o livro da natureza e encontrar a verdade em ambos. Só precisamos fazer as perguntas certas e usarmos as ferramentas apropriadas para respondê-las” (Livro: ‘O teste da Fé’, editora Ultimato, 2013). Ou seja, ciência e religião só continuarão opostas se continuarmos querendo provar a fé com as ferramentas da ciência e vice-versa. Ciência é uma hipótese e ela se mantém com fatos, evidências e ela nunca provará e/ou mensurará nossa fé. Como mensurar aquilo que não vemos (Hb 11.1)? Contudo, a ciência nos ajuda a entender como este nosso mundo funciona, e ela para por aí pq ela é limitada. Já a religião nos ajuda a enxergar os significados e propósitos de tudo que foi criado. Para mim ambas são importantes e não se opõem, ao contrário, eu carrego as duas juntas e não vejo problemas nisso. Minha oração é que Deus nos ajude sempre nesta jornada de tentar entender seus mistérios. Paz!

    • André Paegle disse:

      Raquel , sou Batista histórico , pastor. Na cidade do recife. Achei suas colocações muito boas , colocando ciência e fé nos seus devidos lugares. Penso como você . Valeu muito sua participação no debate . Abracosp

    • sleiman disse:

      Ao dizer que a Bíblia é a sua inspiração de fé, posso até entender, pois as ideologias são, em muitos casos, inexplicáveis, mas sempre irracionais. Porém, quando diz que esse livro milenar, que, segundo especialistas, possui mais de duas mil contradições (e eu já encontrei centenas delas…), é, também, inspiração para seus valores, faz surgir uma dúvida: toda a Bíblia ou apenas parte dela produz tão interessante inspiração?

      É que, talvez, seus valores não coincidam com aquilo que costumamos chamar de virtude. Não se sinta ultrajada, mas há muitos exemplos bíblicos de ações muitíssimo inaceitáveis nos dias de hoje (e nem sei por que um dia o foram). Um deles, um desses exemplos, faz referência à forma última de castigo a um filho rebelde e incorrigível (o que quer que signifique esse incorrigível) descrita em Deuteronômio 21:18-21: “o pai e a mãe o pegarão e o levarão aos anciãos da cidade para ser julgado. E dirão aos anciãos da cidade: ‘Este nosso filho é rebelde e incorrigível: não nos obedece, é devasso e beberrão’. E todos os homens da cidade o apedrejarão até que morra”.

      Então alguém que nos leia pode dizer: “mas isso é a moral do Velho Testamento…!” Jesus já estava no Velho Testamento. Isso basta.

      O resto do que você disse nada tem a ver com discussões palpáveis; tem a ver com crendices, e, sobre esse assunto, prefiro conversar com gente menos esclarecida, pois, assim, isso me dói menos.

  3. Raquel disse:

    Paz, Sleiman! Concordo com vc que na bíblia há regras/leis totalmente inaceitáveis nos dias de hoje (em especial o Velho Testamento), justamente pq vivemos nos dias de hj e não nos dias do Velho Testamento. E o Novo Testamento vem justamente revogar tais regras/leis. Mas mesmo nestas regras/leis/sentenças absurdas há sempre um princípio/valor a ser considerado, mesmo nos dias de hoje. E na passagem mencionada por vc, ao invés de eu me apegar à sentença da época (morte), eu me apego na verdade/valor/princípio daqueles dias que ainda é válida nos dias de hoje: obedecer e honrar os pais. O dever dos filhos obedecerem e honrarem a seus pais foi revelado claramente por Deus desde o princípio (Êx 20.12; Lv 19.3; Dt 5.16), e no CONTEXTO do Velho Testamento, Deus mostra em Dt 21. 18-21 até que ponto Ele atribui grande importância a tal dever pela punição capital prevista na Lei de Moisés (Lei em vigor na época!) para os casos de não reconhecimento da autoridade paterna. Mas pela misericórdia do mesmo Deus, o Novo Testamento revoga a sentença da Lei (morte do filho desobediente), mas confirma o mesmo valor a ser levado para vida: obedecer e honrar os pais (Mt 19.19, Mc 10.19, Lc 18.20, Ef 6.1-3, Cl 3.20, 1 Tm 5:1-2). Conforme é ensinado em Efésios 2:15 e Colossenses 2:14-17, pela morte de Jesus a Lei de Moisés (suas regras/sentenças) foi cravada na cruz: “Ele acabou com a Lei, juntamento com seus mandamentos e regulamentos”. Enfim, as regras/sentenças inaceitáveis ficaram para trás, mas os valores/princípios permaneceram por meio de Jesus. Paz!

  4. sleiman disse:

    Jesus estava no Velho Testamento. Isso é insignificante? Não é possível que o cerne dos princípios, embora culturais e temporais, infrinja as virtudes. A meu ver, elas independem de VT ou NT. Dizer que a cruz veio mudar alguma coisa não apaga a essência de tudo o que foi feito antes.

    Com todo respeito às crenças que se ligam à Bíblia, mas um deus, entre cujos atributos encontramos a onisciência, não poderia mudar tanto, à semelhança do ser humano. Tanto, e de tal maneira, que ele mesmo disse ter se arrependido de ter feito o homem. Outra contradição, uma vez que a onisciência, acredito, jamais poderia ceder espaços para o arrependimento.

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