“Prefiro o inferno a um paraíso homofóbico”, diz Nobel da Paz e líder religioso africano

Desmond Tutu, um dos principais ativistas na luta contra o apartheid, participa de campanha internacional da ONU pela comunidade LGBT

foto: Wikimedia Commons

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Publicado no Opera Mundi

O ex-arcebispo da Igreja Anglicana da Cidade do Cabo, Desmond Tutu, um dos principais ativistas dos direitos humanos no continente africano, fez uma importante defesa pelos direitos da comunidade LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros) no mundo.

Durante evento na ONU (Organização das Nações Unidas) na África do Sul em defesa da diversidade sexual, Tutu, vencedor do Prêmio Nobel da Paz em 1984 por sua atuação contra o apartheid,  afirmou que prefere “o inferno do que um paraíso homofóbico”.

“Eu não veneraria um Deus que fosse homofóbico e é assim que me sinto para falar sobre isso”, afirmou. “Eu me recusaria a entrar em um paraíso homofóbico. Chegaria lá e diria: ‘sinto muito’, prefiro ir para ‘o outro lugar’”. Tutu também fez pesadas críticas a religiões e líderes espirituais que discriminam pessoas por suas opções sexuais.

O evento, ocorrido na última sexta-feira (26/07) na Cidade do Cabo, contou também com a presença do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e da alta comissária para os direitos humanos, Navi Pillay, no lançamento de uma campanha em defesa da comunidade LGBT pelo mundo. Pillay lembrou que 76 países criminalizam as relações entre pessoas do mesmo sexo. As punições, nesses locais, variam desde sentenças de prisão à execução, o “que se constitui em clara violação aos direitos humanos básicos”.

“Estou tão engajado nesta campanha como sempre estive na luta contra o apartheid. Para mim, ambas estão no mesmo nível”, disse Tutu, que se aposentou recentemente.

Comentários

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4 Comentários

  1. Dois líderes religiosos – Francisco e Tutu – que marcam a história com práxis positivas. Acho que o Tutu está muito mais a frente. Sua relação com a religião e com seus princípios são mais livres e abrangentes. O Francisco preza por uma igreja voltada as injustiças sociais, no que tange a pobreza e miséria, porém mantém seus dogmas pétreos, o que limita o alcance do amor ao próximo.

    Tutu vai além, preza por uma inflexão dogmática que rompa todas as barreiras de exclusão, para depois, falar de amor e cuidado com o próximo. Nesse caso, o próximo não é vítima de acepção.

  2. É difícil falar em amor ao próximo, por mais que o coração seja generoso e tal, nutrindo um discurso de exclusão.

    Por mais que sejamos misericordiosos, se julgamos um homossexual como alguém que precisar reparar sua sexualidade no padrão hétero, ainda que apontando o dedo para a bíblia com amor, nos tornamos preconceituosos.

    Claro que menos perigosos em relação aos ativistas antigays. Mas não deixamos de ter culpa no cartório, no que diz respeito ao estrago da dignidade de um homossexual.

  3. Já passou da hora de teólogos e pastores dissociarem a identidade sexual de cada ser humano de uma prática motivada por pecado, assim como superamos ‘o pecado de ser negro’. Não podemos mais admitir que o espírito da fala, da ação e do propósito de Jesus seja, depreciada por uma interpretação perene em relação às cartas de Paulo.
    Falta vontade e coragem para analisar e reanalisar, sob o espírito da nova aliança, cada linha do Novo Testamento. O Espírito de Deus, em nós, quer ir muito além com o anúncio do Evangelho e na atuação de seu Espírito, mas para isso, precisamos romper nossas barreiras teológicas imutáveis.
    O anúncio do evangelho, implicado com seu poder de conversão e transformação, só se dá com a superação de paradigmas que nos limitam e nos confinam no arraial que nos permitem apenas ouvir-nos. Gritamos contra a parede.

  4. Márcio F. disse:

    Esta defesa de Desmond Tutu não tem nada a ver com homossexuais, é única e exclusivamente mais um ataque a moral cristã dentro de uma estratégia comunista feita por um devoto comunista, porque o mesmo Desmond não fala nada contra o racismo branco que está acontecendo neste exato momento contra os boers na África do Sul já que ele se diz contra o racismo? branco pode morrer que tá tudo certo né Desmond?! Porquê ele não fala nada contra os países islâmicos e comunistas que matam homossexuais a rodo?? mais um maldito hipócrita, e os cristãos que ficam apoiando o que a bíblia condena são hipócritas também, parem de querer agradar o mundo.

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