Beira-Mar deu a ordem de ataque à sede do AfroReggae: ‘Salve para Juninho’

Fernandinho Beira-Mar está na mesma unidade (foto: Guilherme Pinto)

Fernandinho Beira-Mar está na mesma unidade (foto: Guilherme Pinto)

 

Carolina Heringer, no Extra

O suposto acordo entre Luiz Fernando da Costa, Fernandinho Beira-Mar, e Marcio dos Santos Nepomuceno, Marcinho VP, para que as sedes do AfroReggae fossem atacadas, saiu de uma conversa entre os dois, gravada com autorização judicial, na própria penitenciária Federal de Catanduvas, no Paraná, onde a dupla cumpre pena. No diálogo, autorizado pela direção da unidade, Beira-Mar diz para Marcinho VP dar um “salve para Juninho (José Junior, coordenador da ONG)”. Desde a última quinta-feira, eles estão isolados como punição pela suspeita de participação nos ataques à sede da entidade, nos últimos dias 16 e 30.

De acordo com o advogado Wellington Corrêa, Beira-Mar está há oito meses num regime diferenciado, no qual qualquer contato, tanto com advogados quanto com familiares, é monitorado com microfones. No regime, Beira-mar não se comunica com outros presos, mas pediu autorização para conversar com VP, o que foi autorizado.

— Foi uma interpretação mal feita do diretor (do presídio) da conversa entre os dois. O Luiz Fernando não tem nada a ver com o Alemão, nem com o pastor Marcos (Pereira). Ele é ateu — argumenta Corrêa.

Procurado, o diretor da penitenciária de Catanduvas, o policial federal Fabrício Bordignon, disse que não falaria sobre o assunto. A assessoria de imprensa do Departamento Penitenciário Nacional (Depen) informou que os dois traficantes vão ficar em “isolamento preventivo” por dez dias, período no qual continuará sendo apurado se eles tiveram participação nos ataques no Complexo do Alemão.

Fora do estado

— Além de se comunicarem entre si, as ordens ainda são repassadas para fora dos presídios. Isso que precisar ser repensado. Este caso só mostra a necessidade de mantê-los fora do estado. Imagina o que eles fariam se ainda estivessem no Rio de Janeiro, em seu berço criminoso — questiona o promotor André Guilherme de Freitas, da área de execuções penais do Ministério Público do Rio de Janeiro.

Nome de VP apareceu em represálias

O nome de Marcinho VP já havia sido envolvido nas represálias sofridas pelo coordenador da ONG, José Júnior. Ele disse, ao anunciar que o AfroReggae deixaria o Complexo do Alemão, no último dia 19, que a ordem para os ataques teria partido do pastor Marcos Pereira (preso acusado de estupro) e levado à comunidade pelas irmãs do traficante, que ocupam importantes cargos na Assembleia de Deus dos Últimos Dias, igreja do religioso.

Em pouco mais de duas semanas, sedes do AfroReggae nos Complexos do Alemão e da Penha foram atacadas três vezes. No dia 16 de julho, uma pousada da ONG no Alemão foi incendiada. Duas semanas depois, no dia 30, a sede da entidade foi alvejada por tiros de fuzil. O episódio aconteceu horas antes da reinauguração do núcleo, que havia sido fechado no dia 21, após Júnior alegar que havia sido ameaçado pelo tráfico para encerrar as atividades. O último ataque foi na noite de quinta-feira, dessa vez na Vila Cruzeiro. A sede também foi alvo de disparos.

Já no fim de maio, antes do início de uma corrida organizada pela ONG nas comunidades, traficantes atiraram contra policiais militares, que reagiram, dando início a uma troca de tiros. A Delegacia de Combate às Drogas (Dcod), em conjunto com a 22ª DP (Penha) está investigando o s episódios.

— Percebe-se que a facção (que domina o Alemão) está insatisfeita com a atuação do AfroReggae por lá. Só não sabemos o porquê. E é fato que tudo só passou a acontecer após a prisão do pastor Marcos (no início de maio)— avalia o delegado Marcio Mendonça, da Dcod.

Comentários

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1 Comentário

  1. Mas este não é o mesmo Fernandinho Beira-Mar que está fazendo um curso para pastor?

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