‘Sempre o mesmo cara’, dentista estima estampar 10 anúncios por dia

Jovem flagrou modelo Rodrigo Ribeiro em vários anúncios e fez um site.
Ele disse ao G1 acreditar que conquista clientes pelo sorriso e simpatia.

Rodrigo Ribeiro afirma que ingressou na carreira de modelo para poder viajar e juntar dinheiro (foto: Gabriela Gasparin/G1)

Rodrigo Ribeiro afirma que ingressou na carreira de modelo para poder viajar e juntar dinheiro (foto: Gabriela Gasparin/G1)

Gabriela Gasparin, no G1

Ele não consegue contar exatamente quantas fotos suas já foram compradas para estampar propagandas ao redor do mundo, mas estima que sejam mais de 3 mil ao ano, ou cerca de dez ao dia – excluindo campanhas de grandes marcas. O belo Rodrigo Ribeiro tem 32 anos, 1,88 metro, 85 quilos, olhos e cabelos castanhos claros e um simpático sorriso que, em suas palavras, são de um “cara normal, do dia a dia”, mas que, na prática, parece se destacar entre os demais disponíveis nos bancos de imagens.

A frequência com que Ribeiro aparece em outdoors e anúncios por aí chamou a atenção da designer Marcela Hippe, de 24 anos. Ela criou um Tumblr (página na internet parecida com um blog, com destaques de imagens e conteúdo multimídia) chamado “Sempre o mesmo cara”, e há três meses publica todos os trabalhos que encontra com o rosto do charmoso rapaz.

“Eu sou de Santos [litoral de SP]. Vi um banner com esse cara num shopping. No mesmo dia, vi o mesmo cara num outdoor de um ônibus (…). Vários meses depois, saí de férias e fui para Belém e, na lateral de um hotel, tinha um banner gigante com a cara dele.”

O G1 resolveu conversar com Ribeiro para descobrir se realmente é “sempre mesmo cara” que está por trás de tantas propagandas – poderiam ser homens parecidos.

O modelo, que também é dentista, não só se reconheceu em todas as fotos como, humildemente, tentou justificar a preferência. “É o meu perfil… Eu acho que sou um cara normal, do dia a dia. Eu não faço carão, eu sou um cara normal, que sorri, simpático. Acho que é por isso que as minhas fotos renderam tanto”, opina.

No Tumblr, Marcela sugere que talvez as fotos de Ribeiro sejam as mais escolhidas por serem as mais baratas, o que, pela lógica do funcionamento do banco de imagem, não faria lá muito sentido, explica Rodrigo.

“Todos os modelos vão e fazem o trabalho. A foto entra para o banco de dados e a pessoa escolhe. As minhas fotos estão vendendo não porque são as mais baratas. Elas estão sendo vendidas porque o cliente se familiariza com a foto. Ele fala ‘gostei disso, quero isso’, e compra.” De acordo com Ribeiro, uma foto em um banco pode custar de US$ 2 a US$ 3 mil (ele não ganha o valor todo, mas uma porcentagem sobre a venda).

Em uma conta rápida, o modelo calculou receber aproximadamente dez e-mails por dia com a comunicação de que uma foto sua foi comprada. “Então vai dar umas 3 mil por ano?”, diz, acrescentando, porém, de que há outros trabalhos que faz que não são registrados dessa forma. “Eu não tenho uma noção exata de quantas são, mas é bastante (…). Não faço ideia.”

Rodrigo calcula que sejam compradas mais de 3 mil fotos suas ao ano (foto: Gabriela Gasparin/G1)

Rodrigo calcula que sejam compradas mais de 3 mil fotos suas ao ano (foto: Gabriela Gasparin/G1)

Longe da fama
No mundo da moda, ele se considera conhecido, mas não famoso. “Acho que o pessoal se familiariza comigo mais pelo rosto, acho que não é nem pela beleza. Acho que quando as pessoas veem minha foto, elas falam, ‘pô, esse cara pode ser meu primo, pode ser o meu vizinho’”, salienta.

Ribeiro explica que nunca buscou a fama e no começo tinha até um certo “preconceito” – palavra que depois preferiu trocar por “apreensão” – sobre a profissão. Nascido no Rio de Janeiro, mas criado em Campinas, no interior de São Paulo, diz ser de uma família bastante conservadora.

“Eu jamais pensei em ser modelo. De forma alguma. A minha família é muito tradicional. Eles olham essa área de mídia, acham legal, mas não querem para o filho deles. Eu nasci com isso, eu tinha certo preconceito (…). Na verdade não é que era preconceito, eu tinha uma apreensão pelo fato de meus pais me educarem dessa forma”, diz.

Dentista
Aos 23 anos, recém-formado em odontologia, ele afirma que ganhava aproximadamente R$ 1,2 mil por mês trabalhando em consultórios de outros profissionais quando recebeu o convite para ser modelo – como tinha amigos na área, teve contato com profissionais de agências e recebeu uma proposta.

Ele disse que seus amigos chegavam a ganhar R$ 10 mil, R$ 5 mil por um trabalho, o que ele demorava meses para juntar. “Cresceu um pouco os olhos (…). Eu poderia ter meu consultório mais cedo do que esperava, o que me inspirou muito”, disse.

Ribeiro repetiu várias vezes, durante a entrevista, que nunca buscou a fama. “Me interessou não pelo glamour, de eu querer ser famoso  (…). Eu virei modelo para viajar e para juntar dinheiro.”

omada a decisão, foram 8 anos de trabalho mundo afora, em cerca de 30 países. Quando começou como modelo, contudo, a previsão era ficar seis meses na profissão, para juntar dinheiro e abrir o consultório. “Mas esses seis meses viraram oito anos. Acho que eu me empolguei um pouco”, revela.

“A primeira viagem foi para a Coreia do Sul (…). Fiquei muito tempo na China também. No total, fiquei dois anos na Ásia: Coreia, Hong Kong, Cingapura, Japão, Malásia. Depois fui para a Europa, África do Sul, Estados Unidos…”.

Diz que chega a ganhar R$ 10 mil, R$ 35 mil para fazer algumas campanhas, a depender da marca e da duração. “O trabalho varia de acordo com o direito de imagem, quanto tempo ele vai ser veiculado”, explica.

Além de fotos, ele também faz campanhas em vídeo. “Eu acredito que me dou melhor em vídeo também por causa disso, pelo fato de eu ser simples e eu sou o que eu sou, eu não tento interpretar muito.”

Formado em odontologia, ele montou um consultório no começo deste ano na capital paulista (foto: Gabriela Gasparin/G1)

Formado em odontologia, ele montou um consultório no começo deste ano na capital paulista (foto: Gabriela Gasparin/G1)

Consultório
Há dois anos ele voltou a morar no Brasil e está em fase de transição para finalmente atuar somente como dentista – durante as viagens pelo mundo, fez cursos para se atualizar.

Com o investimento de aproximadamente R$ 100 mil, montou um consultório na capital paulista onde realiza, principalmente, tratamentos estéticos. O público-alvo são estrangeiros que estão no Brasil. “Como viajei bastante, vi que é difícil encontrar no Brasil dentistas que falam inglês fluente”, diz. Ele também divulga seu consultório nas agências de modelos.

Por enquanto, o trabalho de modelo ainda garante 70% de sua renda mensal, mas ele acredita que a participação do consultório deve aumentar aos poucos.

Casado há três anos com uma modelo mineira, ele afirma que não costuma ser reconhecido ou assediado na rua. “Às vezes um modelão, que chega na festa com carão, às vezes vai atrair mais atenção do que eu. As pessoas podem chegar na festa e não vão nem ver que eu sou modelo, porque sou um cara normal. Elas vão só falar, ‘ah, é a um bonitinho que tá ali.”

*Colaborou Darlan Alvarenga

Comentários

Este QR-Code permite acessar o artigo pelo celular. QR Code for ‘Sempre o mesmo cara’, dentista estima estampar 10 anúncios por dia

Deixe o seu comentário