Pare, olhe, escute

pare

Publicado por Piero Barbacovi

Agendas cheias, compromissos aos montes.
Agendas vazias, vidas sem-sentido.
Sem miragens, nem ao longe. Nenhum afeto nomeado.
Tormento e prisão se metamorfoseam
Em liberdade, se inventamos brechas:
Caminhar na calçada em plena semana.
Perceber o mundo movimentado de dentro do metrô.
Olhar o céu do jardim de casa, por menor que seja.
Ou espiá-lo com a cabeça para fora da janela do escritório.
Deitar-se no sofá, ouvir música, ler, ler, ler…
Deitar-se nos braços de alguém,
Perder o ar por beijar demais
E respirar de novo, apaixonado.
Ou não fazer nada. Não ócio. Vida, silêncio.
Pare, olhe, escute.
Há em nós, mesmo despercebido, mais que
Esse trabalho, ganha, paga contas, transa, bebe, come, envelhece, morre.
E os afetos, projetos, sonhos e medos, cadê?
Se perca sem se podar.
Encontre sua alma sem máscaras.
Senão a vida rola por cima.
Reduz à poeira quem esquece de parar e pensar.
Olhe logo em torno, para dentro.
Paisagens belas ou áridas,
Sempre dá pra plantar um capim que seja.
Solte o celular, desligue a TV, saia do computador.
Escute a música do universo,
O canto do sabiá, o entre-versos,
A chuva que chega e tudo aquilo que fala além das palavras:
Aquele chamado da vida “Sai do marasmo, vem pra pista dançar!”
E as agendas, também as interiores,
Permitirão a plenitude do nada banhado em um gole de vinho.
Celebrando tudo.
Sem culpa.

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