‘Pode denunciar’, diz PM em vídeo após jogar spray de pimenta em manifestantes do DF

Publicado na Folha de S. Paulo

Um vídeo divulgado neste domingo na internet mostra um capitão do Batalhão de Choque da Polícia Militar do Distrito Federal atingindo intencionalmente manifestantes com spray de pimenta neste sábado (7), durante protesto que ocorreu em Brasília por conta do Dia da Independência.

No vídeo, feito por ativistas, os manifestantes atingidos não estavam agindo violentamente, nem tentando passar pelo limite imposto pela polícia.

O manifestante que faz as imagens pergunta, então, por que o capitão havia jogado o gás. “Porque eu quis. Pode ir lá e denunciar, tá bom? Capitão Bruno, BP Choque”, respondeu o policial.

O chefe da assessoria da secretaria de Segurança Pública do DF, Carlos Carone, disse que tinha conhecimento do vídeo. Ele informou que o caso só será investigado se uma queixa formal for feita à Corregedoria da PM. O mesmo vale, disse, para outras agressões cometidas contra manifestantes ou jornalistas.

“Os que se sentem agredidos, ofendidos ou ameaçados têm que fazer a denúncia na corregedoria. Se não há denúncia, fica como se não houvesse crime”, afirmou.

Se houver denúncias, os casos serão investigados e os policiais podem ser punidos com advertências leves ou até prisão militar, acrescentou.

Carone disse que eventuais excessos da polícia do DF são punidos exemplarmente e que, por isso, abusos não são comuns na corporação.

Questionado sobre um vídeo publicado ontem pelo jornal “O Estado de S. Paulo” que mostra dois manifestantes, já presos, sendo agredidos pela polícia, Caronie respondeu que não era possível saber se o vídeo era realmente deste sábado. Ele afirmou que os policiais que aparecem nas imagens serão ouvidos sobre o caso.

A Folha questionou a assessoria de imprensa da PM sobre o vídeo postado neste domingo e sobre o uso de spray de pimenta também contra jornalistas. Há inúmeros registros de policiais atingindo intencionalmente profissionais de imprensa –o mesmo ocorreu com repórteres e fotógrafos da Folha, inclusive.

O assessor, que se identificou como sargento Gomes, não quis se manifestar e disse que não iria acionar o comandante-geral da PM do Distrito Federal, Jooziel de Melo Freire.

A assessoria do governo do Distrito Federal disse que o “governo não aprova atos de excesso e todos serão investigados pela corregedoria”.

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