Família canadense resolve viver por um ano como se estivessem em 1986

1986Ronaldo Gogoni, no Meio Bit

Geralmente o ser humano possui a tendência a odiar/temer o que não entende, o que invariavelmente acaba se aplicando toda vez que uma nova tecnologia se tora disponível. Foi assim com o gás, a energia elétrica, rádio, TV, internet, smartphones… basta ver a origem do movimento ludista, que remonta ao início da Revolução Industrial há 200 anos.

As desculpas são basicamente as mesmas: perda de empregos, método não natural, desumanização da convivência entre outras pessoas. Geralmente esquecem de perceber os benefícios e só apontam defeitos. Às vezes aparecem experimentos interessantes, como foi o caso do editor do The Verge John Miller que se desconectou completamente por um ano inteiro. Outros mais extremos usam o argumento do “no meu tempo”, que é o caso de Blair McMillan, um canadense de 26 anos que ao notar que seus filhos passavam tempo demais com seus gadgets e tempo de menos brincando de forma saudável, tomou uma decisão radical: por um ano ele, sua esposa Morgan Patey de 27 anos e os filhos de cinco e dois anos viverão completamente como se estivessem em 1986, ano escolhido por ser o que ambos nasceram.

Note, isso se estende a tudo: eles tiram fotos com uma câmera de filme comum, assistem filmes no videocassete e ouvem música apenas em fitas cassete, nem mesmo CDs escaparam. Videogames? As crianças escaparam por pouco, podendo jogar Super Mario Bros. em um NES (que fora lançado no ocidente em 1985). Na hora de viajar nada de GPS: eles usam mapas e guias impressos, e fazem consultas em uma coleção de enciclopédias… da década de 60.

O experimento é tão levado à risca que as visitas são obrigadas a entrar no esquema: Blair confisca smartphones e outros gadgets e só os devolve quando a pessoa vai embora. Ele inclusive se “vestiu” a caráter, chegando a cultivar mullets.

Blair não se considera um neo-ludita e diz que o experimento não é por odiar a tecnologia, mas “para provar que é possível viver dessa maneira e dar aos nossos filhos uma chance de experimentar isso. Claro que nem tudo é perfeito, sua esposa Patey por exemplo usa um computador no trabalho. Além do mais eu tenho certeza que no primeiro problema de saúde que alguém apresentar (crianças sem ir no médico por um ano? Duvido!) o discurso vai pra vala, afinal quem é que vai querer passar por um tratamento igual ao da época?

Fonte: The Register.

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