Ira santa

mulher rezando 2Marília César

Acordei
Com um grito de guerra no peito
Um clamor antigo
Contra o abuso,
Inimigo de infância.

Toda forma de abuso
Deve ser desmacarada
Deve ser denunciada
Deve ser exterminada
Toda forma de dominação disfarçada de zelo
Toda armadilha mental diabólica, que prende em vez de libertar
Todo silêncio que inferioriza
A falta de resposta que no fundo é menosprezo
Porque toda pergunta tem direito a uma resposta

Contra o abuso de um ser humano contra outro ser humano
Não deve restar
Pedra sobre pedra.
Tudo tem que cair.
E é hoje.

A mulher que escraviza o marido pela culpa.
O marido que a enreda pela violência – e ela, coitada, ainda acha que  violência é amor disfarçado.
O filho que desconta no pai a própria incapacidade de lidar com o fracasso.
O pai que desconta no filho o ódio que sente da mulher.
O casal que destrói a auto-estima do filho ao fazê-lo suportar um relacionamento marcado pelo desamor – e o coitado ainda tem que enfrentar a culpa ao ouvir que eles estão juntos por causa dele.

Toda forma de abuso deve ser desmascarada.
Por esta causa nesta manhã eu elevei os decibéis.
Eu gritei, no meu quarto, a portas fechadas, como manda a Escritura.
Eu chorei pela miséria da minha própria história e pela miséria daqueles que me cercam.
Eu derramei diante de Deus toda a minha ira.
Eu ofereci a Deus uma oração aflita e descompensada. Como Ana, desfaleci de tanta tristeza. Como Davi, soei desequilibrada e louca.

Mas alguma coisa me faz sentir que Ele, de seu trono, na verdade se agradou de mim.
Ele, na verdade, bateu palmas para mim e falou baixinho: yes!
Ela acordou! É minha filha, tem o meu caráter!
Ela também se indigna contra o abuso de um ser humano contra outro ser humano!
Eu me deleito nela nesta manhã.
Filhinha amada, me junto a você nesta manhã
E também levanto
um grito de guerra.

Comentários

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2 Comentários

  1. Niroca disse:

    Chorei! É muito duro receber determinadas notícias. Temos sentimento e não podemos nos conformar com esse mundo.

  2. Marcos Emerick disse:

    Lagrimas me vieram aos olhos, não pude me conter!
    Quanta profundidade, beleza, coerência, dor e amor num só texto!
    Esta é a verdadeira voz profética que precisamos ouvir nesses dias tenebrosos!
    Parabéns Marilia, que o Senhor continue te usando com textos extremamente relevantes nesta geração!
    Marcos Emerick

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