Nas redes sociais, internautas praticamente só leem títulos de postagens

BuzzFeed-logoRonaldo Lemos, na Folha de S.Paulo

Quem trabalha com mídia tem a obrigação de ler o memorando que Jonah Peretti, diretor do site BuzzFeed, enviou aos funcionários. Jonah, 39, é graduado pelo MIT Media Lab, já passou pelo EyeBeam em Nova York (que pesquisa arte e tecnologia) e cofundou o “Huffington Post”.

Jonah publicou o memorando direto em sua página do LinkedIn. O texto mistura marketing com diagnóstico do estado atual da economia da atenção.

O BuzzFeed pode falar do tema: em agosto o site atingiu 85 milhões de visitantes únicos mensais. O segredo, indica ele, foi evoluir junto com os hábitos dos usuários. Jonah não diz literalmente isso, mas o BuzzFeed parte da constatação de que quem está nas redes sociais lê praticamente apenas o título do que é compartilhado. O percentual de posts clicados e lidos na íntegra é pequeno.

Com isso, ele dá força aos títulos para chamar atenção. Por exemplo, o site publica listas cujo conteúdo beira o infame (“10 dicas de estilo para homens que nunca sairão de moda” ou “31 lições do filme Edward Mãos de Tesoura”).

A quantidade de texto é sempre pequena, seja o que for. A prioridade são imagens e formas de consumo rápido. Publica-se muito: são centenas de posts diários competindo para se tornarem “virais”. A estratégia dá certo e é copiada. Por exemplo, o site francês Melty.com segue a mesma linha e está prestes a entrar no Brasil.

A questão é saber se o modelo do BuzzFeed é sustentável, ou se ele também é um “meme”, algo sujeito a desaparecer com a mesma velocidade com que conquistou atenção no passado.

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