Mais que tolerância, coexistência

ghandiRicardo Gondim

Os argumentos, as lógicas e os arrazoamentos de todos são precários. Ninguém possui absolutos. A verdade se espalha na grande democracia do saber humano. Ela permeia o folclore, a poesia, a filosofia, a teologia e a sabedoria popular. A sabedoria se mistura nos parachoques de caminhão, nas teses acadêmicas, nas músicas infantis e nos recitais eruditos.

Quanto mais fechado um sub-grupo cultural, maior possibilidade de desenvolver atitude de gueto. Nos substratos mais obscurantistas proliferam falsos intelectuais – gente que lê almanaque ou revista semanal para posar de culto e acaba se tornando arrogante institucional e corporativista.

Quanto mais enraizado em um mundo tribal maior o espaço para a soberba. O presunçoso alardeia ter escalado o Everest quando só conquistou algum morrote. Provincianismo cria sujeitos onipotentes que adoram discutir a quadratura do círculo. Nos redutos insignificantes dos clubes privados, o perverso posa de importante e o intolerante dita a agenda.

Só no diálogo com o diferente se aprende a paz – monólogos fertilizam intolerâncias.  Mansidão é virtude que supera a intransigência de acreditar-se correto e possibilita a coexistência entre inadequados.

Para o bem prevalecer na história basta que os tribunos se desarmem e façam valer a lei áurea de toda religião: Trate o outro com a mesma delicadeza e dignidade que você gostaria de ser tratado. Ou o ensino de Jesus: Antes de querer tirar o argueiro do olho alheio, cuide da trave no seu.

Soli Deo Gloria

fonte: site do Ricardo Gondim

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