Empresárias de Curitiba criam ‘Terapia de Bar’ só para mulheres

Idealizadora percebeu a falta de tempo das mulheres para elas mesmas.
‘Homem faz terapia. Eles vão jogar futebol, vão pescar’, diz empresária.

Thaís Kaniak no G1

'Terapia de Bar' já foi realizado três vezes na capital paranaense (Foto: Carlos Henrique / Divulgação)

‘Terapia de Bar’ já foi realizado três vezes na capital paranaense (Foto: Carlos Henrique / Divulgação)

Duas empresárias de Curitiba criaram um projeto exclusivo para as mulheres desestressarem de uma maneira divertida. Elas organizam um encontro para as mulheres se desligarem da correria e da rotina do dia a dia. A idealizadora da “Terapia de Bar”, Jennifer Schewtschik, conta que a ideia surgiu ao perceber, em conversar com as amigas, que a maioria dos problemas que as mulheres tinham estava relacionada à falta de tempo para elas mesmas – principalmente nos casos das casadas.

“Na experiência de ajudá-las, eu percebi que elas se perdiam [no casamento], não tinham mais amizades, não viam mais as velhas amigas, não conversavam. O homem faz ‘terapia’. Eles vão jogar futebol, vão pescar, vão jogar pôquer”, analisa a empresária.

Rosângela Serena apostou tanto no projeto de Jennifer, de quem é amiga, que largou o emprego que tinha como funcionária pública para colocar o “Terapia de Bar” em prática. “Acreditei muito no projeto. É para ajudar outras mulheres. E ver o resultado é realmente muito bacana”, relata.

Jennifer Schewtschik e Rosângela Serena são as idealizadoras do projeto (Foto: Hellen Albuquerque / Loja de Notícias / Divulgação)

Jennifer Schewtschik e Rosângela Serena são as idealizadoras do projeto (Foto: Hellen Albuquerque / Loja de Notícias / Divulgação)

Inclusive Rosângela conta que ela não tinha o costume de guardar um tempo só para ela e que só saía acompanhada do marido. A mudança de vida fez bem não só para a vida profissional dela, mas também para o casamento. “Estava acomodada”, diz sobre o antigo trabalho. “Foi um grande passo para ela virar empreendedora. O esposo dela a olha de outra forma”, afirma Jennifer.

“A mulher abre mão de mais coisas. A mulher tem os filhos, tem o marido, tem o trabalho. Então a gente acaba realmente se privando um pouco. E é aquele negócio: ‘vamos marcar de sair com as amigas’, mas a gente não marca, vai adiando. Eu e a Jennifer constatamos de que essa falta de relaxamento, de as mulheres saírem e conversarem com as amigas, acaba prejudicando os relacionamentos”, pondera Rosângela.

O evento já teve três edições – uma em setembro, outra em outubro e a última ocorreu neste mês de novembro. Apesar da boa aceitação do público, Jennifer se lembra da apreensão que sentiu quando resolveu levar o projeto adiante. “Eu pensava se ia dar certo. Achava que era uma coisa muito nova, já que não existia no mercado. Eu fiz uma pesquisa. Uma coisa é você abrir uma coisa que já existe, como um salão de beleza, que todo mundo sabe que existe e que dá certo. Inovar criou uma expectativa muito grande, um medo, um receio: ‘será que o público vai gostar, será que vai aceitar?’”.

Jantar, apresentações de dança e de stand-up comedy e massagens de relaxamento fazem parte da programação da noite das mulheres no bar.

Apresentação de stand up estava na programação da noite de mulheres (Foto: Carlos Henrique / Divulgação)

Apresentação de stand up estava na programação da noite de mulheres (Foto: Carlos Henrique / Divulgação)

As sócias garantem que o retorno das mulheres que participaram do projeto foi positivo e que os relatos apontam que as relações das mulheres com os parceiros melhoram. “Eu tenho três amigas que melhoraram muito o relacionamento”, diz Rosângela.

‘Descontrair sem homens’
A comerciante Heloísa Marques, de 35 anos, foi sozinha para um dos encontros. Casada há 18 anos, ela resolveu participar do “Terapia de Bar” para fazer amizades. Heloísa conta que viu um panfleto do projeto e ficou curiosa. “É bom descontrair sem homens”. Para ela, o casamento não é empecilho para sair sozinha – tanto que ela e o marido costumam fazer programas separados, ela com amigas dela e ele com os amigos dele.

“A gente não casa para ficar preso, mas para caminhar junto e não para um viver a vida do outro”, afirma. A comerciante defende o relacionamento baseado no companheirismo.

Amigas, solteiras e casadas, participaram do encontro (Foto: Thais Kaniak / G1)

Amigas, solteiras e casadas, participaram do encontro (Foto: Thais Kaniak / G1)

A assistente social Janaíne Santos, de 24 anos, foi para o encontro com um grupo formado por nove mulheres, entre amigas e familiares. Janaíne é solteira e acha importante ter esse momento só entre mulheres. “A gente é festeira. Adora um ‘fervo’”, diz.

Cristiane Serena, de 25 anos, é irmã de Rosângela e participou das três edições do evento para apoiar o projeto. Mesmo assim, ela conta que o marido não gostou muito quando ela decidiu ir ao primeiro encontro, ainda mais porque ela costuma sair apenas com ele. “Na primeira vez, ele não queria. Achou até que ia ter gogo boy”, diverte-se. Ao voltar para casa, Cristiane conta que ele estava a esperando com um presente: um par de brincos.

A vendedora Karina Zelaski, de 19 anos, aprovou a “Terapia de Bar”. Solteira, ela diz sair bastante à noite e que optou em conhecer o projeto para ter um entretenimento novo. “Conhecer pessoas novas, fazer uma coisa diferente. Vai ser legal”, afirma.

As interessadas em participar do próximo encontro podem fazer a inscrição pelo site do projeto.

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