Droga da série de televisão ‘Breaking Bad’ se populariza em São Paulo

Morris Kachani na Folha de S.Paulo

Título original: Droga de ‘Breaking Bad’ se populariza

A metanfetamina, segunda droga sintética mais consumida na noite paulistana -atrás apenas do ecstasy-, está muito mais potente do que há três anos.

A constatação é do estudo coordenado por José Luiz da Costa, perito criminal da Superintendência da Polícia Técnico Científica de São Paulo, em parceria com a Fapesp.

Tendo como base o universo de apreensões no Estado, a pesquisa mostra que em 2011 e 2012 as amostras continham sempre uma mistura da droga, composta por dois isômeros (substâncias formadas pelos mesmos elementos, mas com estruturas diferentes) -“L” e “D”.

Nas amostras de 2013, porém, o isômero “D”, que é quase dez vezes mais potente que o “L”, aparece sozinho.

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Debora Calemi, 23, estagiária de farmácia, manuseia amostras em um laboratório da Polícia Técnico Científica, em SP
Raquel Cunha/Folhapress

Com isso, efeitos como aumento da frequência respiratória e da atividade motora, vigília, diminuição do apetite, euforia e hipertermia, são muito mais intensos.

Essa nova variedade da droga remete ao seriado americano de televisão “Breaking Bad”, que encerrou sua quinta e última temporada em setembro deste ano.

O sucesso da metanfetamina produzida pelo protagonista Walter White, um professor de química, está justamente no fato de ele conseguir sintetizar uma versão “D” da droga muito pura, o que nenhum outro traficante da região consegue fazer.

“O detalhe é que essa droga praticamente não existia três anos atrás. O número de apreensões tem aumentado e a ‘qualidade’ tem melhorado com o passar dos anos”, afirma Costa.

Ele lembra que muitos comprimidos vendidos como ecstasy consistem na realidade em metanfetamina. Estudo divulgado pela Folha em 2012 mostrou que esse era o caso de 22% dos comprimidos apreendidos no Estado.

“Não existe controle sobre a composição destes comprimidos, podendo existir grande variação no que diz respeito à quantidade e ao tipo de princípio ativo”, diz Costa.

CONSUMO

Não há estatísticas precisas sobre consumo e apreensões. João Carlos Ambrosio, perito criminal da Polícia Federal, afirma que a maioria das drogas sintéticas apreendidas no Brasil é ecstasy e metanfetamina.

Segundo especialistas, a incidência do uso da droga em casas noturnas frequentadas pela classe média alta é maior -o comprimido custa de R$ 50 a R$ 100 e é tão procurado quanto o ecstasy.

O estudo sobre o perfil químico da droga é uma das mais importantes ferramentas da inteligência policial para o combate ao tráfico.

O perfil é elaborado a partir de informações sobre a composição das substâncias, o aspecto físico dos comprimidos e os reagentes utilizados na sua fabricação.

EFEITOS

Desenvolvida no início do século 20, a metanfetamina foi originalmente usada em descongestionantes nasais e em inaladores para brônquios. Até julho de 2012 era considerada lícita no Brasil.

Segundo Solange Nappo, professora de psicofarmacologia da Unifesp, a metanfetamina causa tanta dependência quanto a cocaína e pode provocar distúrbios de humor, psicose, diminuição da capacidade de concentração e comportamento violento.

Para efeito de comparação, usando a mesma dose de metanfetamina e de cocaína, a primeira causará efeito muito maior e mais duradouro.

A metanfetamina vendida em São Paulo é usada por via oral. Outros formatos da droga também podem ser fumados ou cheirados.

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