Pernil e doce: o Natal dos mensaleiros na Papuda

A ex-dona do Banco Rural, Kátia Rabello, é escoltada por policiais militares durante banho de sol no Complexo Penitenciário da Papuda - Ed Ferreira/Estadão

A ex-dona do Banco Rural, Kátia Rabello, é escoltada por policiais militares durante banho de sol no Complexo Penitenciário da Papuda – Ed Ferreira/Estadão

Publicado na Veja on-line

No primeiro Natal em que estarão encarcerados no presídio da Papuda, em Brasília, o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares e o operador do mensalão Marcos Valério receberão uma ceia especial na noite do dia 24 de dezembro, revelou ao site de VEJA o subsecretário do Sistema Penitenciário do Distrito Federal, Cláudio Magalhães.

Assim como os demais detentos da Papuda, os condenados no mensalão ganharão uma “marmita especial” com alimentos típicos de Natal, como pernil, chester e doce. Não é permitido nenhum tipo de bebida alcoólica. Para completar a ceia, os presos podem utilizar os 125 reais semanais repassados por seus advogados para comprar itens na cantina do presídio.

A Secretaria de Segurança Pública afirma que não há alteração do cardápio para atender os mensaleiros. Em datas festivas, como o Natal, é um procedimento de rotina servir uma refeição típica para os detentos.

Entre os dias 24 e 25 de dezembro, por causa do regime especial de plantão, mensaleiros e demais presidiários que cumprem pena na Papuda não receberão visitas. A visitação volta a ser autorizada no dia 26, quinta-feira, a partir das 9 horas.

Os mensaleiros começaram a chegar à Papuda no dia 16 de novembro. Desde a primeira semana, eles receberam “regalias” – como o direito a uma TV dentro do cárcere -, nas palavras do subsecretário Magalhães, por bom comportamento. Dirceu e os ex-deputados Valdemar Costa Neto (PR-SP) e Pedro Henry (PP-MT), que cumprem pena em regime semiaberto, estão reunidos em uma cela, mas separados dos demais detentos. Nos primeiros dias, a cela era compartilhada apenas por Dirceu, Delúbio e pelo ex-presidente do PT José Genoino. Mas a direção do presídio já havia reservado o local para os demais mensaleiros que estão em regime semiaberto.

Os mensaleiros com penas acima de 8 anos de prisão, condenados a regime fechado, como Marcos Valério e seus ex-sócios Ramon Hollerbach e Cristiano Paz, também estão isolados dos demais detentos. “Não vejo como privilégio, mas existem, sim, regalias. Faço questão de mantê-los separados para manter a segurança dos internos e dos servidores. Não tem outra forma de garantir a segurança a não ser separá-los”, afirma Magalhães. “Não podemos correr o risco de expô-los ao contato com a massa carcerária, pois eles podem virar reféns, ser alvo de extorsão e até vítimas de homicídio.”

De acordo com o subsecretário Cláudio Magalhães, a Polícia Civil, o Corpo de Bombeiros e a Polícia Militar estão a postos para reforçar a segurança na Papuda e dirimir qualquer possibilidade de motim ou rebelião. O reforço na segurança e nos plantões é rotina às vésperas de datas festivas, como Dia das Mães e Natal.

Assim que chegaram à Papuda, após ordem de prisão expedida pelo Supremo Tribunal Federal (STF), Dirceu e os demais mensaleiros receberam um kit com uma caneca de plástico, um rolo de papel higiênico e uma pasta de dentes. Tiveram de trocar suas roupas por uniformes e não foram obrigados a raspar os cabelos.

Os ex-deputados Pedro Henry e Pedro Corrêa, que conseguiram aval do ministro Joaquim Barbosa para cumprir pena em Mato Grosso e Pernambuco, respectivamente, só não foram transferidos ainda porque não havia passagens aéreas disponíveis. Os condenados têm sido levados aos estados em voos comerciais e com escolta policial.

Comentários

Este QR-Code permite acessar o artigo pelo celular. QR Code for Pernil e doce: o Natal dos mensaleiros na Papuda

Deixe o seu comentário