Atraídos por vídeos de games, jovens deixam a TV para consumir conteúdo via web

Mateus Luz, 12 (camisa preta), assiste a vídeos de games no YouTube com os colegas durante as féris em casa, em Brasília (foto: Igo Estrela/Folhapress)

Mateus Luz, 12 (camisa preta), assiste a vídeos de games no YouTube com os colegas durante as féris em casa, em Brasília (foto: Igo Estrela/Folhapress)

Alexandre Orrico, na Folha de S.Paulo

“Ver TV é coisa de velho, né?”, diz Mateus Luz, 12, brasiliense e fanático por videogames. “Prefiro entrar no YouTube quando quero assistir a alguma coisa. Uso a televisão para jogar e só.”

O desdém realça o conflito de geração com o pai, Paulo André Luz, 32, para quem a TV desempenhou um papel central na infância.

Paulo André montou uma sala pensando em Mateus, com sofá grande e televisão de grandes proporções –46 polegadas. Mas nada de “sessão cinema” com os amigos ou desenhos animados antes de ir para a escola, como o pai imaginou que seria.

“Ele e os colegas ficam quase todo o tempo no quarto, assistindo TV no computador”, diz Paulo André.

Quando não está jogando videogames, Mateus gosta de consumir toneladas de conteúdo relacionado a isso.

São vídeos sobre games –partidas, campeonatos, tutoriais, dicas profissionais ou apenas jogadas despretensiosas. Não raro o conteúdo é transmitido ao vivo, para milhares ou até mesmo milhões de espectadores simultâneos.

“O streaming de jogos é parte da evolução dos games”, disse Jack Tretton, presidente da Sony nos EUA. “É uma indicação de que o jogo está se tornando uma forma de entretenimento popular.”

A final do torneio mundial de “League of Legends”, game multijogador de luta em equipes, um dos games on-line mais populares do mundo, foi transmitida ao vivo em outubro, para 32 milhões de telespectadores, por meio de vários serviços de streaming.

O número é o triplo da quantidade de pessoas que assistiram ao episódio final da premiada série “Breaking Bad” e bate com folga os 13 milhões de espectadores que viram a final do campeonato de beisebol de 2013 nos EUA.

Importante lembrar que os americanos jogam a modalidade há 150 anos, e “League of Legends” saiu em 2009.

“As pessoas estão assistindo a todos os tipos de conteúdo sobre videogames”, disse Yusuf Mehdi, diretor de estratégia e marketing do Xbox One, console da Microsoft. “Está rivalizando com a TV.”

Os preferidos de Mateus são vídeos sobre games com foco humorístico, que é o foco de quase todos os grandes canais brasileiros sobre jogos no YouTube.

Pelo Twitch.tv, plataforma especializada em streaming de jogos, passam 5 milhões de espectadores por dia. Os números chamaram a atenção da Microsoft e da Sony, que integraram o serviço ao Xbox One e ao PlayStation 4, tornando mais fácil a transmissão on-line dos jogos diretamente dos consoles.

E Mateus já avisou sobre o que o faria retornar para a sala: “Só quando você comprar uma TV que acessa a internet”, disse para o pai.

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