Expert em tecnologia dá dicas de como ter uma vida digital saudável

O jornalista Pedro Brugos e sua criação: o livro 'Conecte-se ao que importa' Fotos de divulgação

O jornalista Pedro Brugos e sua criação: o livro ‘Conecte-se ao que importa’ Fotos de divulgação

‘O que configura o vício não é o que você faz por ele, mas o que você deixa de fazer para mantê-lo’, explica

RIO – Que atire a primeira pedra quem nunca sentiu que passa tempo demais online. Em tempos de smartphones e tablets, não há uma horinha sequer que os internautas não sejam perseguidos por e-mails de trabalho ou mensagens de amigos que chegam pelo Facebook, pelo WhatsApp ou pelo Snapchat. Mas será que a única solução é se desconectar totalmente? No livro “Conecte-se ao que importa: Um manual para a vida digital saudável” (Editora LeYa), o jornalista de tecnologia Pedro Burgos, de 32 anos, propõe algumas formas de controlar o vício em gadgets sem a nessecidade de recorrer a uma medida radical, como deletar seu perfil do Twitter, por exemplo.

Em um bate-papo por telefone (nada de e-mail!), Pedro, que escreve sobre o mundo virtual em revistas como “Superinteressante”, “Galileu” e “Vip” e também foi editor-chefe do Gizmodo Brasil, maior blog de tecnologia do Brasil, deu algumas dicas de como ter uma vida online saudável. Longe de ser um recluso digital, o jornalista também contou um pouco de sua própria experiência como um “viciado” no universo virtual.

Você é um ex-viciado em tecnologia?

PEDRO BURGOS: O termo vicio é um pouco forte (risos), mas posso dizer que tinha problemas por conta da maneira como usava a internet.

Em que momento você notou que tinha um problema?

Duas viagens foram decisivas. Em uma delas, fiz um passeio muito bacana pelo Japão e contei tudo, em tempo real, nas minhas redes sociais: Facebook, blog, Instagram etc. Quando voltei, não tinha nada para contar, porque todo mundo já sabia o que tinha acontecido! A outra viagem importante foi pelo Deserto do Atacama e pela Patagônia. Nos dois lugares eu fiquei um tempo sem ter contato com tecnologia. De repente, me vi em meio ao silêncio e notei que raramente você tem um tempo sozinho no dia a dia, porque está sempre conectado, falando com alguém. E, sem isso, você perde o momento da reflexão. Sabe por que a gente tem grandes ideias durante o banho? Porque não temos contato com a tecnologia, é um momento para pensar.

Em como você se desintoxicou?

Algumas regrinhas simples já ajudam. Não me desfiz dos gadgets, mas limitei o número de redes sociais. Não tenho WhatsApp, por exemplo, por não ver necessidade. Se já tenho o Messenger do Facebook e SMS, para que mais uma ferramenta de bate-papo? Também não tenho o app do Facebook no celular, e o ícone para acessar o Twitter fica guardado dentro de uma pasta, lá na terceira tela de exibição. Essas são formas de eliminar as iscas. Parece bobo, mas tornar o acesso às redes sociais mais complicado já te afasta um pouco delas. É que nem quando você está fazendo dieta: o primeiro passo é não ter mais biscoitos em casa, ou seja, eliminar a tentação.

Como saber se alguém é um viciado?

O que configura o vício não é o que você faz por ele, mas o que você deixa de fazer para mantê-lo. Se você está deixando de fazer coisas que gosta e ver pessoas que gosta por gastar muito tempo online, aí existe um problema. É preciso refletir: o que você está deixando de fazer por ficar conectado?

Mas existem indicativos que podem funcionar como um termômetro?

Se, toda vez que você pega o celular, há mais de cinco notificações, isso pode significar duas coisas: ou você está ativando notificações demais no telefone ou você está falando demais com os outros. Se você também tem aquela mania de zerar a caixa de e-mails, ou sente a necessidade de olhar todas as notificações do celular assim que elas chegam, pode ser um problema. Há ainda alguns indicativos de saúde. Eu mesmo tive uma hérnia cervical de tanto tempo que passava olhando para baixo, mexendo no smartphone. Problemas na coluna podem ter a ver com muito tempo online.

Há uma forma de se preservar a privacidade sem precisar deletar sua conta no Facebook?

É possível, mas não é mole. O Facebook pode ser usado de maneira razoavelmente privada, pois há a possibilidade de limitar que tipo de informação é visível para cada pessoa. Mas se você usa o Facebook para se exibir ou para exibir o seu trabalho e sua intenção é atingir o maior número possível de pessoas, você tem que ter a consciência de que vai ficar mais vulnerável. Minha dica é: da mesma forma que você tira o fim de semana para fazer uma faxina em casa, tire outro para entender os controles de privacidade do Facebook, limpar aquelas fotos que relevam demais do Picasa e avaliar se você precisa mesmo participar de todos aqueles grupos do WhatsApp.

Como evitar as distrações da web enquanto se trabalha no computador?

Ao baixar o app “Freedom”, você pode “desligar” sua internet por 2, 3 horas ou pelo tempo que você determinar. Já o “Rescue time” funciona como um chefe chato: ele te dá um relatório de quanto tempo você gastou nas redes sociais na última semana. Tem também o “Stay focused”, no qual você determina o tempo máximo que pode ficar conectado à internet naquele dia. Há ainda outra medida simples: diminuir a quantidade de informações recebidas. Se você segue 450 amigos no Twitter, haverá sempre algo novo do seu feed. Mas, se seguir menos gente, vai acontecer de você acessar a página e não encontrar nada novo. É um incentivo a menos para entrar na rede o tempo todo.

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