Dilma diz que pagou jantar do próprio bolso e por isso pode ir aonde quiser

Presidente afirmou que dá o exemplo e não usa cartão corporativo

Presidente Dilma Rousseff abraça o chef Joachim Koerper, que postou a fotografia no Instagram e no Facebook (Reprodução)

Presidente Dilma Rousseff abraça o chef Joachim Koerper, que postou a fotografia no Instagram e no Facebook (Reprodução)

Catarina Alencastro, em O Globo

HAVANA, CUBA – Pela primeira vez depois de surgir a polêmica sobre a escala da comitiva presidencial em Lisboa, Portugal, fora da agenda oficial, a presidente Dilma Rousseff se pronunciou sobre o caso, nesta terça-feira, em Cuba. A presidente destacou que era preciso fazer uma parada e que por causa de nevasca nos Estados Unidos, foi escolhida Lisboa. Sobre o jantar no restaurante Eleven, um dos mais caros da capital portuguesa, Dilma reforçou que pagou do seu bolso e que por isso podia ir aonde quisesse. A presidente participa hoje da abertura da 2ª Cúpula da Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac).

Segundo a presidente, o cartão corporativo não foi usado para pagar o jantar. Dilma disse ainda que “dá o exemplo” e não usa cartões bancados pelo governo.

— Eu posso escolher o restaurante que for, desde que eu pague a minha conta. Eu pago a minha conta. Pode ter certeza disso. Pode olhar em todos os restaurantes que eu tive, em alguns causando constrangimento. Porque fica esquisito uma presidente e uma porção de ministros fazendo aquela conta de quanto deu pra cada um: “Soma aí, deu quanto?” e com a calculadora. Eu acho isso extremamente democrático e republicano. Não tem a menor condição de alguma vez eu usar cartão corporativo. Não fiz isto. No meu caso está previsto para mim cartão corporativo, mas eu não faço isso porque eu considero que é de todo oportuno que eu dê exemplo, diferenciando o que é consumo privado do que é consumo público — afirmou a presidente.

Dilma ainda relembrou as notícias que circularam no ano retrasado, sobre uma viagem à Rússia em que a comitiva presidencial foi ao Bolshoi, um dos mais exclusivos restaurantes da capital russa para celebrar o seu aniversário de 68 anos, e todos tiveram de pagar do próprio bolso pelo jantar.

— No que se refere a restaurante, eu quero avisar pra vocês o seguinte: é exigência para todos os ministros, e eu só faço exigência que eu também exijo de mim, que quem jantar ou almoçar comigo pague a sua conta. Já houve casos chatos. No dia do meu aniversário porque a conta foi um pouquinho alta e tinha gente, que eu não vou dizer quem, que tava acostumado que seria um pagamento do governo. No meu aniversário eu paguei a minha parte porque é assim que eu lido com isso — disse.

Dilma defendeu, ainda, a opção em fazer escala em Portugal. Ela afirmou que os gastos da parada foram menores do que os dispêndios com a viagem ao Fórum Econômico Mundial, em Davos, na semana passada.

– Não dá para comparar os gastos de Lisboa com Zurique. Interessante é que foram procurar meu gasto lá em Portugal. Houve aquela crítica violenta ao Aerolula, o avião chamado Aerolula ele não tem autonomia de voo. Ao contrário de outros aviões do México e de outros países. Aqui você vai achar vários avões com maior autonomia que o meu. Eu para ir faço uma escala, para voltar eu faço duas. Neste caso eu podia ir para Boston, Pensilvânia ou Washington, mas tinha um problema das fortes nevascas. A Aeronáutica montou uma alternativa, fui para Lisboa.

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